Edição: 13 a 19/04/2008
Aquidauana, Sexta, 21 de Novembro de 2008
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Distritos

Piraputanga | Camisão | Cipolândia | Taunay

Distrito de Piraputanga:

Resgate Histórico do Distrito de Piraputanga

INTRODUÇÃO

Piraputanga localizada-se no município de Aquidauana, que está situado na região Centro-Oeste do Estado de Mato Grosso do Sul. Região de planícies e planaltos. Sendo 70% da área composta pela planície pantaneira e 30% de planalto. A região de trabalho compõe-se de vegetação típica de cerrado e passa por ela a Serra de Maracajú que engloba três distritos, sendo um deles o de Piraputanga, que é rodeado de morros e às margens do Rio Aquidauana, com seu clima tropical equatorial.
Quando surgiu o povoado de Piraputanga o Estado ainda era Mato Grosso, pois só mais tarde ocorreu a divisão e surgimento de Mato Grosso do Sul.

SURGIMENTO DE PIRAPUTANGA

A região que é hoje Piraputanga tinha por moradores índios Terenas, que viviam conforme entrevistas, às margens do Rio Aquidauana, com economia de subsistência, caça, pesca e coleta. Este local era uma fazenda chamada Palmar, que pertencia ao alemão Miguel Maia que morrera e a deixará à sua viúva.

Antes do local denominar-se Piraputanga surgiu ai, “primeiramente a estação ferroviária que foi inaugurada em 1922, no dia 02 de abril”. Esta estação ferroviária deu condições para a fixação de famílias no local, pois facilitava o transporte. A ferroviária beneficiou os moradores que exportavam gêneros alimentícios e importavam ferramentas. Isto em relação a produtos que passaram a cultivar e para o garimpo que se iniciou mais tarde. Sendo assim “...a ferroviária trouxe diretamente ou indiretamente grande desenvolvimento para a região”. Ela era o meio de transporte mais viável neste período, pois as estradas eram apenas trieiros no meio da mata. “...O único meio de transporte era o trem... não existindo estradas apenas uma vereda...”.

Tempos antes de Piraputanga receber esse nome, o local tinha outra denominação e se chamava Igrapiuna, conforme constatação em Ata realizada no dia vinte e quatro do mês de outubro de 1931, nesta localidade de mesmo nome. Não se tem informações a cerca de quando e nem de onde se originou o nome. Igrapiuna foi elevado à categoria de Distrito de Paz, que pertencia ao Município de Aquidauana, como se verifica na Ata de sua criação. “Aos vinte e quatro dias do mês de outubro de mil novecentos e trinta e um nesta povoação de Igrapiuna, sede do Distrito de mesmo nome, na residência, de Hermínio Tubino da Silva, primeiro Juiz de Paz do Distrito, às quinze horas... de acordo com o Decreto Estadual de sua criação... Decreto nº 92. O Dr. Arthur Antunes Maciel, Interventor Federal no Estado de Mato Grosso usando das atribuições que lhe foram conferidas pelo Governo Provisório do Brasil. Art. 1º fica criado o distrito de Paz de Igrapiuna, no Município de Aquidauana, com sede na povoação do mesmo nome...”.

A origem de Piraputanga está ligada ao garimpo, que ao ser divulgado “...atraiu muitas pessoas de várias regiões como PERNAMBUCO, BAHIA...”. “Segundo as entrevistas, quando PIRAPUTANGA foi criada lá por volta de 1936 por um grupo de garimpeiros, pois vieram em busca de carbonato, mas logo ao chegar aqui acharam mesmo foi o diamante que tinha muito, e assim começou a chegar mais gente influenciada pelo garimpo”. Tendo por base as informações acima, tanto da Ata de criação do Distrito de Paz de Igrapiuna como do texto Redescobrindo Piraputanga: História de Piraputanga, conclui-se que o nome Piraputanga só surgiu depois desse local denominar-se Igrapíuna e certamente a mudança de nome se deu durante o período de garimpagem ocorrido nesta região. Pois o texto produzido por alunos da 7ª série da Escola Municipal Antônio Santos Ribeiro, entitulado REDESCOBRINDO PIRAPUTANGA: HISTÓRIA DE PIRAPUTANGA e organizado e coordenado pela professora Maria Aparecida S. Santana, há alguns anos atrás, não menciona nada sobre a existência do Distrito de Paz de Igrapiuna.

“No ano de 1935, o garimpeiro Manuel Joaquim Nequinha com seu colega de serviço o garimpeiro Sr. Lagoinha, chegaram aqui em Piraputanga (na atual Piraputanga) com o objetivo de explorar garimpos”. Aqui já viviam “...as famílias dos senhores: Tancredo e Augusto Chances Gregório, todos moravam às margens do Rio Aquidauana, trabalhavam nos garimpos e pescavam para o próprio consumo”.

Os garimpeiros Nequinha e Lagoinha começaram a garimpar, com poucos dias de serviço, o garimpeiro Lagoinha achou um diamante de 16 K1, o qual foi vendido por 32000 réis, com esse dinheiro o garimpeiro Lagoinha foi para Aquidauana e trouxe caminhões de mercadorias para construções.

Assim deram início às primeiras construções em lugares mais distantes do rio. O lugar escolhido foi a área da Fazenda Palmar.

Em 03 de outubro de 1938, Antonio Santos Ribeiro, que chefiava os garimpeiros convocou uma reunião com os moradores para a desapropriação da fazenda com o intuito de fundar o patrimônio. Essa data é considerada a da fundação do povoado”. Quatro dias após a data citada acima, em Cuiabá, que era a capital do Estado, naquele período, foi feito a escritura que desapropriou as terras da Fazenda Palmar passando-as para o patrimônio do município de Aquidauana. Assim foi possível surgir Piraputanga. Conforme as palavras do Sr. Félix Barreto quem fez a desapropriação acontecer foi o prefeito José Bonifácio. Existem outras pessoas que também são reconhecidas como incentivadores da desapropriação e formação do povoado de Piraputanga, como o senhor Antonio Rodrigues dos Santos.

Os senhores Francisco Augusto Cesário, Raimundo Elói, Francisco Ferreira Rocha, João Ribeiro dos Reis, Antonio Santos Ribeiro e Félix Barreto são os fundadores de Piraputanga.

Antes da desapropriação da Fazenda Palmar existia apenas a currutela na parte de baixo da ferrovia entre ela e o rio Aquidauana. A currutela era uma vila formada basicamente pelos garimpeiros e as casas eram simples, feitas de palha e o piso era de chão batido.
“Em 1938, surgiu a nova PIRAPUTANGA, situada acima da estação ferroviária que foi medida e loteada pelo engenheiro Dr. Jorge Bodestens”. Também teve a colaboração do engenheiro Camilo Gomes, nessa demarcação dos lotes.

Com a queda da extração dos diamantes muitos garimpeiros abandonaram a região, mas outros ficaram, ainda, tentando a sorte no garimpo e alguns por já terem constituído família ou terem algum comércio instalado. Passaram a dedicar-se a agricultura de subsistência no começo e depois a vender alguns produtos para mercados próximos, como Aquidauana.

Conforme o jornal por “Amor a Piraputanga”, elaborado por Roberto Jabrayan, no ano de 1946 foi feita a medição da área de Piraputanga e cedidos os lotes da zona rural. Assim muitas famílias vieram para o local com a finalidade de conseguir terras baratas ou mesmo através do empossamento das mesmas. Assim aos poucos Piraputanga foi crescendo em população e em atividades econômicas.

“O nome PIRAPUTANGA originou-se de um peixe com contrastes vermelhos e amarelos, devido a sua grande quantidade no rio AQUIDAUANA”. “No idioma TUPI – PIRAPUTANGA, significa PEIXE VERMELHO, da região Amazônica e sub-amazônica. No idioma GARANY – PIRA-PUYTÃ. Os colonizadores da região não conseguindo a pronúncia correta para PUYTÃ, começaram a falar PIRAPUTANGA”. Há outras explicações para o nome Piraputanga, diz que esse nome origina-se do Tupi e significa “Pira = peixe e putanga = é uma modificação de pitanga = vermelho. Piraputanga = peixe vermelho”.
Por um longo período os meios de transportes e comunicação eram realizados através do trem, que transportava pessoas, cargas variadas e a mala dos correios e, também, transmita e recebia notícias pelo telégrafo da linha férrea.

“Naquela ocasião já existiam leis, principalmente a contra o crime (180) que se um animal prejudicasse um lavrador, o dono que pagaria o prejuízo”.

No período da economia do garimpo “havia tiroteio entre os garimpeiros e através dessas brigas muitas mortes ocorreram devido a falta de recursos médicos”. No local “não existia assistência médica” nem outro tipo de transporte a não ser o oferecido pela (RFFSA) Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima, que era o mais apropriado para transportar doentes e feridos. O trem passava por Piraputanga três vezes por semana. Outros meios de transportes eram os carros de boi e os cavalos, só que muito lentos e cansativos. Na atualidade, devido certamente às atividades econômicas desenvolvidas na região que se situa Piraputanga, Aquidauana e outras áreas povoadas próximas, o transporte e os meios de comunicação melhoraram, a vereda se transformou em estrada, cascalhada em parte e asfaltada em outra, com pontes de madeira e de concreto. A iluminação que era feita com lamparinas passou a ser eletricidade hidrelétrica, fornecida diretamente por extensão de alta tensão pela companhia de energia do Estado, a Enersul.

Politicamente Piraputanga desde seus primórdios na época em que era só fazenda, passando pela instalação da ferrovia federal, do garimpo com a formação do povoado, até o dia de hoje pertence ao município de Aquidauana, sendo um de seus distritos. Piraputanga teve o primeiro representante na Câmara Municipal de Aquidauana, como vereador, no ano de 1992 quando elegeram o Sr. Nilson Vicente Ferreira, conhecido com Bil.

Economicamente, como já foi registrado anteriormente, Piraputanga desenvolveu-se com a mineração de diamantes e “com o passar o tempo as pessoas tinham de caçar, cultivar e pescar para sua própria sobrevivência”. A economia minéria como sendo a atividade inicial desta localidade é reafirmada na colocação que: “No começo da colonização o sistema econômico era o garimpo...”. A plantação, a caça e a pesca eram atividades complementares ao garimpo, pois plantavam arroz, feijão, milho e outras plantas de subsistência. “...Mas com o tempo a base econômica se tornou a agricultura. Muitos garimpeiros foram embora, mas uma grande parte ficou...”. “Nesse intervalo de tempo surgiram Juizes de Paz, Farmacêuticos, delegados e um intendente que se chamava CORONEL JOSÉ LITO”. A economia foi aos poucos se transformando, devido às próprias necessidades locais, e desenvolvendo-se com o transcorrer do tempo. “O rio era parte da economia com a venda de peixe”. “Através do trem, o peixe era muito exportado, mais tinha ainda as pessoas que viviam da agricultura, da rapadura e ferinha, chegavam até exportar a farinha para Campo Grande e outras cidades”. O peixe frito, a manga e outras frutas eram vendidas aos passageiros do trem, quando este parava na estação local, sendo outra alternativa econômica que trazia renda à população piraputanguense.

O Sr. Salvador Cardoso de Oliveira afirmou em entrevista cedida a alunos e alunas, que “por volta de 1946 existiam cerca de 8 estabelecimentos comerciais em Piraputanga”.

No período atual a economia básica de Piraputanga se divide entre a pesca, a pecuária, a agricultura, o turismo e a algumas casas de comércio que vendem gêneros alimentícios diversos, sendo que dentre elas o turismo está ganhando cada vez mais espaço, tendendo a ser a principal atividade no futuro.

O povo de Piraputanga era religioso desde o período de sua origem pois: “...Tinha uma capelinha construída por garimpeiros em 1949 que só foi colocada em ação em 1952”. Já conforme o trabalho Redescobrindo Piraputanga: História de Piraputanga “A igreja foi construída em 1949 e inauguram-na em 1950, tendo como padroeiro “SÃO JOÃO BATISTA”. Ocorre uma diferença de data de inauguração da Igreja, entre as duas afirmativas acima, mas que não altera o significado de seu funcionamento para a comunidade católica, que para conseguirem fundos para construírem faziam bailes e festas religiosas.
Consta que a Igreja Católica atual foi construída no mesmo local em que era a capelinha original.

As missas eram realizadas por padres que vinham de Aquidauana, pois o padre não residia no Distrito e para ai se dirigia para realizar missas e participar das atividades festivas religiosas.
“Uma festa típica em Piraputanga era a de São João Batista, eram 09 noites de festa no mês de junho do dia 15 a 23. Na noite do dia 24/06 era realizada a Procissão em homenagem à São João Batista. A procissão saia da igreja e prosseguia até o córrego Piraputanga, onde os fiéis levavam a imagem do santo e pagavam promessas banhando-se nas águas. O Bispo da Igreja Católica proibia esta festa, porque, segundo ele, não dava lucros à igreja”.

Segundo informações do Sr. Hagamenon Nascimento, logo após o funcionamento da Igreja Católica “São João Batista”, surgiu a Igreja Batista. As religiões ao longo desses anos vêm colaborando com a formação das crenças populares, de sua cultura e vida social de Piraputanga.

A educação formal no Distrito, que é hoje Piraputanga, começou quando a vila que se localizava abaixo da linha férrea foi deslocada para um lugar mais amplo, através do Sr. Antonio Santos Ribeiro e hoje atende satisfatoriamente à população local. O nome da escola é uma homenagem ao primeiro professor de Piraputanga o Sr. Antonio Santos Ribeiro.

As atividades de lazer e diversão eram o jogo de futebol, os bailes, as festas juninas, que geralmente eram realizados. Estes dois últimos, pela igreja e/ou pela escola e, até hoje escola e igreja continuam a realizar festas juninas.

“Foi durante a gestão do prefeito Dr. Cristóvão Albuquerque que se construiu o campo de futebol atual de Piraputanga. “Pois conforme entrevista com o “...senhor Salvador o campo de futebol não era no lugar onde está hoje, ele ficava próximo da caixa d’água...”

Como vimos anteriormente a origem da população de Piraputanga é diversa, contando com a presença marcante de Pernambucanos e Baianos e posteriormente de pessoas vindas de outras regiões do Brasil. Com esses povos vieram suas tradições e crendices e lendas e contos como: “...O SACI, A BRUXA, O LOBISOMEM:...” Tinham por tradição a realização de “...festas de SÃO JOÃO BATISTA, originada em 1958, uma mulher fez uma promessa que está sendo cumprida até hoje”. Também como tradição “realizava-se a festa junina na qual os participantes vestiam-se a rigor, tinham como dever enfeitar as ruas com bandeirolas e só dançavam após realizados todos os leilões”. Estes tipos de festividades eram comuns de localidades rurais do interior, onde se vive em maior contato uns com os outros, e todos se conhecem e praticam uma vida mais comunitária, onde a maioria da população participa das atividades que ocorrem no local; mesmo por que era e é a única oportunidade que tinham e tem de se socializarem e se conhecerem melhor.

O povo acredita em superstições e”...o que mais temia era a lenda em que: Um casal onde o homem se vestia de mulher e a mulher se vestia de homem para assustar os habitantes”. Estas lendas tornaram-se lembranças, memoriais dos mais idosos que adoram contá-las a quem se predispõe a ouvi-los, conforme foi detectado pelos entrevistadores ao realizar suas entrevistas.

Atualmente “a vila conta com um posto de saúde, posto policial, posto telefônico (com uma pequena agência de correios), algumas pequenas mercearias, algumas igrejas, um local denominado Associação de Moradores, onde acontecem as reuniões, os bailes e outros eventos nos finais de semana. E, ainda, linhas de ônibus da empresa Expresso Mato Grosso, levando e trazendo as pessoas até Campo Grande”. Desta forma o lugarejo vem aos poucos conquistando benefícios que a integrou a Aquidauana, Campo Grande e a outras cidades deixando de ser um lugar isolado.

 

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