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19 de novembro de 2019
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Tecnologia

Drones 'invadem' pastagens e lavouras e contribuem com produtividade do setor

Utilização de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTS) obteve expressivo crescimento na última década

18 OUT 2019 - 08h10min
ALINE OLIVEIRA

A utilização de Drones ou Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTS), na atividade agropecuária obteve um salto de crescimento a partir de 2010, no Brasil. Para se ter uma ideia do faturamento, a empresa BIS Research estima que o setor deve movimentar US$ 76 bilhões entre os anos de 2016 e 2022.

Contudo, o produtor rural interessado em implementar o uso da ferramenta no manejo diário de sua propriedade precisa estar atento a informações como legislação e operação dos equipamentos. Outro fator que necessita de orientação profissional é como obter melhores resultados nos comandos disponíveis em diferentes marcas em comercialização no mercado.

Na avaliação do engenheiro agrônomo e empresário, Márion Henry Ribeiro Dantas, os benefícios proporcionados pelos drones são diversos. No entanto, o mais importante na avaliação do profissional é a otimização do tempo.

Treinamento para utilização de drones

“A utilização dos equipamentos auxilia no processo de diagnóstico das lavouras e pastagens, monitora em tempo real o ataque de pragas e doenças e gera mapas assertivos, que sinalizam os pontos nos quais devem ser realizadas aplicações de insumos como herbicidas e nematicidas. Observando todas essas opções, pode-se concluir que os drones são fundamentais para tomada de decisões do empresário rural”, argumenta.

LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

A regulamentação dos VANTS no Brasil foi implementada em 2017 pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Conforme informado na legislação que pode ser acompanhada neste link, o objetivo é garantir que as operações com drones sejam realizadas a partir de regras mínimas de segurança, a fim de não comprometerem a integridade de pessoas e bens de terceiros.

Com essa perspectiva são proibidas operações de aeronaves não tripuladas, sem comando (sem intervenção de piloto remoto), ou que: coloquem em risco vidas, propriedades de terceiros, transporte de animais, artigos perigosos ou cargas vedadas por autoridades competentes. No entanto, nas situações em que o piloto possa intervir no voo a qualquer tempo, pode acontecer a liberação.

O agrônomo é proprietário da empresa Cerrado Agro, em Mato Grosso do Sul, e realiza treinamentos com drones há pelo menos dois anos, além de ministrar cursos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MT e MS). Ele destaca que uma das características da agropecuária brasileira é o alto nível tecnológico e produtivo, e a utilização dos equipamentos aéreos podem contribuir ainda mais para a efetividade dos resultados.

“Um exemplo da agricultura convencional é o controle das ervas daninhas que era realizado de maneira generalista, visto que a aplicação dos herbicidas não podia ser controlada e por isso, distribuída no mesmo volume em toda área plantada. Com a utilização de drones é possível fazer o mapeamento da lavoura ou pastagem e identificar qual a espécie de planta ou praga precisa ser combatida e ainda, com aplicação pontual de herbicidas”, detalha.

Seja na lavoura ou pasto, há uma redução na utilização de produtos químicos, além da diminuição nos custos de produção e os impactos ao meio ambiente. Outro exemplo pontuado pelo especialista é o controle do capim Amargoso, uma erva que gera muita dor de cabeça ao agricultor. Com o controle feito por calda, a redução pode chegar a 80% por hectare, enquanto que no caso de nematoides, a economia aumenta para 90%.

ADESÃO A TECNOLOGIA

O produtor rural, Carlos Alberto Salgueiro da Cunha Rosa, é proprietário de uma área de 500 hectares em Camapuã, na qual desenvolve atividade de Pecuária de Corte e Fruticultura. Ele conta que resolveu investir na utilização de drone há pelos menos quatro anos e está satisfeito com os resultados.

“Eu aprendi a manusear e comprei um drone para a propriedade, pois, utilizo tanto para monitoramento do pasto e dos animais, quanto na lavoura de abacaxi plantado. Os registros de áreas com difícil acesso otimizam o tempo de identificar uma praga na plantação, cercas arrebentadas, pastos que precisam de limpeza ou ainda uma novilha fujona”, detalha.

Carlos Alberto é engenheiro agrônomo e acredita que o drone é uma ferramenta “a mais” para o manejo diário das propriedades rurais. “Ainda não mensurei resultados produtivos, mas sem dúvida, agiliza no planejamento das atividades e na resolução de problemas comuns na atividade agropecuária”, complementa.

Em outra região de Mato Grosso do Sul, no município de Rio Brilhante, o produtor, A. G, conta que participou a pouco tempo do curso de drones e foi aluno de Márion. Ele resolveu investir na tecnologia depois de acompanhar algumas reportagens publicadas na imprensa regional e nacional.

“Percebi que a utilização do equipamento traria benefícios para atividade agrícola aqui na propriedade da minha família. Então pesquisei, fiz o treinamento e adquiri um drone. Agora é pegar a prática da operação, porque é uma ferramenta que oferece muitas funcionalidades e não apenas, fotografias ou vídeos”, observa.

TREINAMENTO POR ETAPAS

Marion destaca que a capacitação oferecida pela Cerrado Agro é dividida em três modelos: o primeiro um curso básico para quem tem interesse de adquirir um drone ou já comprou e não sabe operar. A segunda opção é voltada para produtores e trabalhadores rurais que atuam na atividade agropecuária e buscam mais informações, como, por exemplo: mapeamento, processamento e pós-processamento de imagens.

A terceira alternativa oferece um curso voltado para Segurança Pública, no qual é apresentado aos participantes as funcionalidades do drone no monitoramento urbano e rural, na busca e salvamento de indivíduos em terra ou água, e ainda, em operações diurnas e noturnas.

“Penso que é importante para o produtor rural investir na compra de um drone, o qual serve como ferramenta de monitoramento em lavouras, rebanhos, desmatamentos, invasões, alagamentos, entre outras situações. Contudo em casos de manejos específicos é recomendável que contrate serviços especializados”, finaliza Márion.

 

 

 

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