10 de agosto de 2020
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AQUIDAUANA

Ovinocultura é opção de diversificar e obter lucro na atividade pecuária

Rebanho de MS é estimado em 400 mil cabeças, segundo dados da Iagro

29 JUL 2019 - 13h00min
ALINE OLIVEIRA

Em busca de diversificar as atividades nas propriedades rurais, produtores de Mato Grosso do Sul encontraram na criação de ovelhas, uma alternativa que demonstra expressiva rentabilidade e lucratividade.

A demanda do mercado regional e nacional comprovam que utilizando técnica e manejos corretos, o empresário pode obter bons resultados com a comercialização da carne, que pode variar entre R$ 6,00 a R$ 6,40 para o cordeiro magro e R$ 7,30 para o animal com acabamento de gordura.

A equipe do jornal “O Pantaneiro” realizou uma série de entrevistas para esclarecer como é realizada a prática de manejo na ovinocultura e ainda, conversou com produtores de Aquidauana e região, a fim de verificar a opinião de quem já atua na atividade ou está iniciando.

O primeiro entrevistado é o médico veterinário, Custódio Antônio Carvalho Júnior, especialista no setor e técnico de campo do programa Pró-Ovinos, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS). Ele foi responsável pelo atendimento da primeira turma de produtores rurais interessados em tecnificar a produção de ovinos, a fim de melhorar os resultados produtivos e de geração de renda nas propriedades.

CENÁRIO REGIONAL

Custódio explica que presta Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em ovinocultura para três produtores da região, sendo dois no município de Aquidauana e um em Corumbá. Ele revela que os insumos utilizados na criação de ovelhas são semelhantes à dos bovinos, contudo, a demanda nutricional é diferente.

“O primeiro passo é investir em sal mineral de boa qualidade e específico para ovinos, pois, a quantidade de cobre presente no produto fornecido aos bovinos pode intoxicar as ovelhas, se for consumido por período de tempo prolongado. Um ponto positivo para região pantaneira são as forragens encontradas, propícias para o pastejo, só temos restrição com a Braquiarinha que pode ocasionar fotossensibilização (requeima) ”, detalha.

O veterinário acrescenta que a alimentação dos rebanhos na região é basicamente feita a pasto, com suplementação de sal mineral. No caso dos produtores que se dedicam a recria e engorda, será necessário introduzir uma suplementação com grãos (milho é uma ótima opção) e ração específica para raça.

Outra vantagem da localidade diz respeito a baixa ocorrência de doenças, já que o espaço das propriedades proporciona baixa concentração de animais por hectares. No caso, a principal ocorrência sanitária em ovinos são vermes, que são facilmente controlados com medicação recomendada pelos profissionais de assistência técnica.

PRODUÇÃO COMERCIAL

No atendimento realizado via ATeG é priorizado o planejamento e gestão da atividade, além da aplicação de técnicas de manejo na atividade agropecuária. Conforme dados do Senar/MS, atualmente 41 produtores são atendidos em 16 municípios do Estado. O grupo soma um rebanho de 5.364 animais e uma área total de 754 hectares, e no mês de agosto completam o primeiro ano no programa Pró-ovinos.

Custódio explica que o principal desafio é despertar nos produtores o “olhar comercial” sobre a atividade que já está  presente na propriedade e comprovar que com baixo investimento é possível ter um retorno muito interessante.

“O fato do proprietário já contar com um pequeno rebanho é o início para aplicar técnicas de manejo que não acarretarão grandes investimentos. A mão de obra utilizada já existe na fazenda, as instalações também, a diferença fica a cargo basicamente do manejo mais adequado, objetivando alavancar a geração de renda na empresa rural”, argumenta.

As recomendações sobre gestão são fundamentais para que a atividade contribua com o pagamento das despesas da propriedade e dependendo dos casos e tamanho do rebanho, podem contribuir com boa parte da folha de salários ou demais despesas mensais.

DE OLHO NO MERCADO

O ovino, diferente do bovino não tem preço diferenciado por sexo. O macho e a fêmea têm o mesmo valor, o que muda a valorização é a categoria e idade. Animais com menos de um ano e que ainda não trocaram nenhum dente de leite são os mais valorizados. “É importante esclarecer que o cordeiro não tem desconto de rendimento como o boi, então o que o cordeiro apresentar de peso na balança é multiplicado pelo valor pago por quilo e pago ao ovinocultor”, pontua.

No Estado, os produtores dão preferência as raças especializadas em produção de carne e as que produzem lã geralmente são evitadas, pois, em razão do tipo de pastagens existentes, sementes e carrapichos sujam e contaminam o produto, desvalorizando  o valor pago.

“A lã no estado é basicamente um subproduto e ainda muito pouco explorado comercialmente e as empresas que beneficiam a matéria-prima produzem baixeiros e rédeas para cavalos. No entanto, há espaço para outras utilizações como tapetes, enchimento de bonecas, confecção de calçados”, recomenda o especialista.

SERVIÇO

Os produtores interessados em obter mais informações sobre o programa Pró-Ovinos do Senar/MS podem procurar o sindicato rural de Aquidauana no telefone: (67) 3241-3959.

 

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