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Especial

Moradora de Aquidauana tem mais de 100 anos de história para contar

Maria José Cortes nasceu em 1911 e chegou ao Estado aos 23 anos de idade

18 MAI 2017 - 16h24min
Redação

Maria José Cortes, moradora de Aquidauana, tem orgulho em dizer que já viveu por mais de um século. Ela nasceu no Rio Grande do Sul, na área onde hoje é o município de Cacequi, no dia 23 de agosto de 1911, e cresceu em fazendas região. Chegou ao Mato Grosso do Sul aos 23 anos e a primeira parada foi o município de Miranda. “Eu me casei com um homem que não gostava de trabalhar, mas eu nunca fui assim. Eu nem vestia roupas de mulher, usava a vestimenta dos homens para andar a cavalo. Eu era tomadora de cavalo”, garante dona China, apelido dado pela família. 

Dona China conta que chegou ao Estado com o pai e três filhos – Wandir, o mais velho e já falecido, Carlos e a caçula Marly. Morou e trabalhou em propriedades rurais de Miranda até os 44 anos, quando se mudou para Aquidauana, em 1955. A centenária se casou de novo, com Olegário da Costa, que faleceu aos 84 anos. Viúva há quase 30 anos, hoje, ela vive com a filha Marly, em uma casa na rua Pandiá Calógeras. 

Quem conversa com dona China, nem de longe supõe sua verdadeira idade. Apesar das marcas deixadas pelo tempo em seu rosto e nas mãos, sua vitalidade e lucidez superam os efeitos de quase 106 anos de vida. “Olha essas mãos, são de homem ou de mulher?”, questiona. “São de alguém que já trabalhou muito”, responde o entrevistador. “Isso é verdade, tudo o que precisava fazer, nunca mandei ninguém. E eu era terrível”, afirma a idosa, revelando que já entrou em muita briga para defender seus pontos de vista, os filhos e tudo o que considerasse justo. 

A maior lição aprendida e hoje ensinada pela moradora de Aquidauana é: “a vida é boa”. “A natureza é a coisa mais maravilhosa que tem”, emenda. Com tanto tempo de vida para contar, o tamanho da família só podia ser do mesmo tamanho dessa história. Dona China tem  nove netos, 22 bisnetos e tataranetos. Os valores ensinados vêm dos pais. “Respeito”, diz. “Hoje em dia, os jovens nem pedem a benção ao pai e a mãe”, lamentou dona China, enquanto recebia o pedido de benção e um beijo no rosto de um dos bisnetos, durante a entrevista na manhã quarta-feira (18). 

Para os jovens, ela tem uma bronca: “Eles não tiram os olhos do celular”, afirma, revelando que sua diversão é conversar com as pessoas, ver o tempo passar sentada em frente à casa onde mora. A grande descoberta para quem tem a chance de conhecer dona China é a de que a vitalidade e longevidade não vêm de uma fórmula pronta, mas é sempre um privilégio acompanhado de alguns mistérios até para a medicina. A centenária garante que nunca foi vacinada, consultou um médico pela primeira vez há três anos e hoje só toma remédios para o coração.  Veja o vídeo com dona Maria José em seu lugar favorito em casa.

Veja o vídeo de dona Maria José em seu lugar preferido

 

Dona Maria josé Cortes, aos 105, em casa
Dona Maria josé Cortes, aos 105, em casa / Luiz Guido Júnior
Dona Maria josé Cortes, aos 105, em casa

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