O Pantaneiro

segunda, 06 de junho de 2011

"Ando um pouco cansado..."

"Prá não dizerem que não falei das ondas no meio evangélico..."

Na cultura evangélica de nosso país tem sido comum atribuir-se à vontade de Deus os grandes movimentos. Em teologia alguns usam a expressão "ondas" para conceituá-los. Eles são caracterizados por fenômenos e resultados arrebatadores. Aí dos que discordam. São carnais ou no mínimo cerceiam a ação do Espírito Santo. Alguns exemplos ainda estão na memória popular. Quem não se lembra dos "dentes de ouro"? A onda passou quando divulgou-se que o mesmo fenômeno se reproduzia em contextos não cristãos. A onda do cai-cai (no Espírito) só teve arrefecimento quando Edir Macedo começou a pregar, aos quatro cantos, que aquilo não vinha de Deus. E desafiava os discordantes a apresentarem base bíblica. Ouvi dele, certa vez: "Só cai quem está com o diabo no corpo!". Cheguei até a admirar o polêmico pastor. Nesses e outros casos a minoria discordante não foi poupada pelos mais "espirituais".

Mas nem sempre as multidões seguem a verdade. E aquieto o meu coração quando percebo que em muitas questões faço parte de uma minoria e muito mais quando descubro nas páginas da Bíblia o salmista dizendo que não buscava coisas grandiosas demais para si. Aquietava o seu coração com a busca de uma espiritualidade mais simples. Como não lembrar do próprio Cristo referindo-se aos que criam, mesmo sem ver determinadas coisas espetaculares, como "bem-aventurados". Estaria Ele criticando os que necessitam de ondas e modismos "espirituais" para manterem acesa a chama da paixão por Jesus Cristo? Não sei. Quem sou eu para julgar. Mas, tenho minhas dúvidas de que realmente estejamos vivendo, no Brasil, o período de um grande avivamento e que a prova disto são essas manifestações atribuídas ao Espírito Santo.

Na verdade, como o conhecido pregador assembleiano Ricardo Gondim, ando um pouco cansado com tudo isto. Me deprimo, às vezes, quando ligo a TV e me fixo em determinados programas "evangélicos". As histerias coletivas, os espetáculos dos pastores-shows, os "shows" de determinadas "estrelas evangélicas", os testemunhos centrados em prosperidade material, o marketing em cima de determinados "magos" que cobram altos cachês para falarem do que "Jesus fez por eles", tudo isto e muito mais me parece muito distante dos paradigmas que vejo nos evangelhos. E chego a entender porque muitas pessoas não se aproximam do cristianismo. Há muita incoerência em nosso meio. Não é difícil de perceber. Pena que muitos estejam cegos prá perceber isto. Talvez o tempo tire as vendas de muitos olhos. E isto talvez se dê com a benção de um legítimo avivamento sobre o povo de Deus. Sonho com isto!

Prá terminar: quase fui linchado, tempos atrás, quando questionei determinadas "conversões" do meio artístico. Ousei criticar a Gretchen e Monique Evans, que falavam de conversão à fé evangélica, mas mantinham uma o rebolado e outra a prática de receber convidados, num programa de TV, semi-nua. Hoje leio em um site que a "irmã" Gretchen como alguns diziam vai fazer um filme pornô. A Monique... não sei por onde anda. Mas, o Edir Macedo sei que tem um canal de TV, a Record, que em horários nobres atrai os demônios da lascívia, adultério e outros, mas de madrugada os expulsa, "em nome de Jesus" em programas de sua Igreja. Meu Deus, tenha misericórdia. Assim não dá...

*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
vivaldo_ms@hotmail.com

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Sobre o colunista

Rev. Vivaldo Melo

Vivaldo da Silva Melo, formado em teologia pelo SPN (Recife) SPS (Campinas) e UNIFIL (Londrina), pós graduado em Ciências da Religião pela UMESP e jornalista atuante em Mato Grosso do Sul e ministro Presbiteriano em Dourados-MS.

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