O Pantaneiro

segunda, 06 de junho de 2011

"Não devo satisfação a ninguém!"

Quando escreve suas famosas cartas bíblicas o apóstolo Paulo se refere aos cristãos como sendo "santos". A compreensão predominante entre os evangélicos é que todo cristão é um "santo", não no sentido da impecabilidade plena, que é impossível, mas no sentido de "separação" ou "consagração". A idéia é que os cristãos fazem parte de um grupo separado por Deus para uma vida de culto e serviço. Neste modelo "vivencial" o compromisso com a santidade é fundamental. O pecado será sempre um acidente. Todo cristão, independentemente de sua linhagem eclesial, deve se empenhar para viver de maneira que agrade a Deus.

Não é isto, contudo, que geralmente ocorre. Grande parte vive uma fé apenas nominal. A práxis, quase sempre é incompatível com os ideais estabelecidos na Bíblia. Não é difícil encontrarmos cristãos que participam normalmente dos rituais de fé, nos templos, e no cotidiano se esquecem do culto permanente que deveriam expressar a Deus. Muitos oram, entregam seus dízimos, são ativos nos projetos de suas Igrejas locais, mas praticam no dia a dia, muitas vezes às escondidas, coisas que são abomináveis aos olhos de Deus. Alguns, quando admoestados, chegam ao ponto de dizer que "não devem satisfação a ninguém". Quem não ouviu a clássica expressão "sou dono do meu nariz"? Devemos satisfação sim, como cristãos, no mínimo a Deus, ao qual pertencemos. E desde que fazemos parte de "um corpo", que é a Igreja, nossos atos afetam à todos, positiva ou negativamente.

A vida de culto é, portanto, o elemento exterior que confirma a nossa fé. "É pelos frutos" que se conhece um verdadeiro cristão, diz a Bíblia. Daí, parece ficar evidente que o chamado "povo de Deus" se constitui num número bem inferior ao que visivelmente se apresenta. As estatísticas ufanistas que são citadas, especialmente no meio evangélico, não devem produzir euforia, pois o cristianismo em evidencia, hoje, carece de qualidade. Certamente ele é o resultado mais concreto da ausência de ensino e do avanço das estratégias de entretenimento nas Igrejas. É o resultado da ausência cada vez maior de pregação sobre o pecado e do conseqüente avanço da permissividade, em todas as dimensões.

Obviamente é difícil viver de maneira coerente com o evangelho. Mas, determinados recursos são disponibilizados para que esse ideal seja perseguido e até para que não apresentemos justificativas para nossos "atos falhos". Entre esses recursos estão a leitura da Palavra, a oração e o Espírito Santo. Noé, que viveu num período de extrema impiedade, dá plausibilidade a esse modelo. Era um homem sujeito às mesmas tentações de todos os mortais. E único, num momento da história, a não se curvar às tentações da cultura dominante. Tinha, até por isto, uma grande justificativa para rebelar-se contra o modelo comportamental delineado por Iavé, ou seja, a de que ninguém conseguiria vivenciá-lo. Contudo, manteve-se íntegro. Esse é o exemplo a ser imitado por todos os cristãos. Quanto mais comprometidos estivermos com ele, mais poderemos ser uma presença transformadora numa sociedade que se deteriora a cada dia.

Compartilhe: Orkut

Sobre o colunista

Rev. Vivaldo Melo

Vivaldo da Silva Melo, formado em teologia pelo SPN (Recife) SPS (Campinas) e UNIFIL (Londrina), pós graduado em Ciências da Religião pela UMESP e jornalista atuante em Mato Grosso do Sul e ministro Presbiteriano em Dourados-MS.

Leia mais
Parceiros Lise Jones - Cerimonial AT Informática YouZoom Soluções Web Coeso Eletrificação Rural Vivid Estudio Fotográfico