Sempre fui um apaixonado por história. Quando aventurei-me a professor, chegando a ganhar dos alunos o premio carinhoso de "Professor do Ano", muitas vezes me indignava com uma observação comum: "prá que estudar essas coisas do passado?". De pronto rebatia, observando que o estudo da história é importante porque, entre outras coisas, lança luz sobre o presente e o futuro. Gosto tanto de história que não perco a oportunidade de ler inclusive textos que tratam de regionalismos e os de memórias. Foi por conta deste "gosto" que comecei a ler "o pescador de sonhos".
Sempre conheci pessoas apaixonadas pelo autor, Pedro Pedrossian. Meu saudoso pai era um deles. Mas, conheço muitos que guardam péssimas lembranças deste administrador, cujo nome já está inserido na história do Estado, queiramos ou não. Numa rápida análise, isto se deve há dois fatores: se por um lado foi um grande tocador de obras, um visionário, sendo até alcunhado por alguns de "Pedro Placa", por outro descuidou-se dos direitos elementares dos trabalhadores. Difícil, por exemplo, um professor que tenha boas lembranças de seus governos.
No livro de suas memórias fica patente o seu amor à Miranda. Com detalhes cuidadosos ele desnuda a vida da pequena cidade e mexe com as emoções de muita gente, pois ela refletia na verdade o cotidiano da maioria das comunidades nos tempos de antigamente. Sem TV, internet e outros recursos usuais em nossos dias, a interatividade entre as pessoas era bem maior. Os antigos gostam de observar que, por isto, se vivia melhor naqueles tempos.
Na medida em que vai nomeando os personagens de um tempo já distante, Pedro Pedrossian fala do "seu" Raul, que tinha influencia sobre o seu pai, João Pedro,nascido em Mardin, na Armênia, território do Cáucaso, fronteira com a Turquia e Rússia. Raul recomendou que após o ginásio, Pedrossian deveria estudar no Mackenzie, "indiscutivelmente a melhor escola de São Paulo", observa o autor, o que acabou acontecendo.
Ao relatar sua experiência de Mackenzie, que define como "uma escola democrática, aberta, que discutia as questões universais", o autor comete um lapso que passa batido à muitos. Parece um dado comum, a priori. Refere-se ao Mackenzie como uma instituição dos Batistas norte-americanos. Um presbiteriano zeloso que lê esse trecho certamente arrepia. Não pelo fato do Mackenzie, que iniciou suas atividades há 134 anos, ser presbiteriano. Mas, acima de tudo, por ter uma história que se mistura com a própria história de São Paulo e do país.
Hoje com várias unidades em São Paulo, onde constrói um novo complexo para 40 mil alunos, o Mackenzie desenvolve um projeto de expansão. Já tem unidades em Brasília, onde é referencia nacional em saltos ornamentais, sendo local de treinamento da seleção olímpica do país, e no Rio de Janeiro. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, como hoje é designada, é pioneira no país em várias iniciativas e teve atuação importante em alguns dos capítulos mais importantes da nossa história. É impossível que Pedro Pedrossian não tenha conhecido um pouco de sua história, afinal ali estudou o colegial e fez o curso de engenharia, até hoje um dos melhores do país. A não ser que, na época, não gostasse muito de história...
*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
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Vivaldo da Silva Melo, formado em teologia pelo SPN (Recife) SPS (Campinas) e UNIFIL (Londrina), pós graduado em Ciências da Religião pela UMESP e jornalista atuante em Mato Grosso do Sul e ministro Presbiteriano em Dourados-MS.
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