O Pantaneiro

segunda, 06 de junho de 2011

"Pastor-show não perdoa as irmãzinhas..."

O título acima é proposital. Pode chocar e parecer vulgar. Melhor seria algo bem teologico, como "dentro, mas irremediavelmente perdido". Mas, certamente não chamaria a atenção. Pois bem. Hoje quero tocar num dos maiores problemas existentes entre os líderes cristãos. Me estremeço ao escrever essas linhas, porque também sou vulnerável a ele. Mas, como sua freqüência tem assumido índices preocupantes, não posso me omitir em abrir o coração. Antes de continuar, rogo a Deus para me manter em pé, hoje, e não cair na tentação de demonstrá-lo em minha vida.

Mas, vamos lá. Tem sido comum ouvirmos sobre escândalos envolvendo lideranças cristãs na área da sexualidade. Não deveríamos , contudo, ficar surpresos. A Bíblia, prevendo que isto poderia ocorrer contém inúmeros alertas sobre essa possibilidade e traça diretrizes para que o mal seja evitado. Fica evidente que a prática não é nova. Ela resulta da dificuldade que o homem tem em lidar com os impulsos de sua natureza pecaminosa. Só vivendo na plenitude do Espírito um cristão é capaz de não ceder.

O mais intrigante, contudo, no contexto da discussão que envolve a problemática relação carisma-caráter na vida de muitos líderes é o fato deles serem instrumentos para cura, libertação e "conversão" de valores entre os homens. Como entender exemplos como o de Jimmy Swegart, que arrebatava multidões, tempos atrás, pregando intensamente sobre santidade e sendo instrumento para a realização de prodígios "em nome de Jesus", ao mesmo tempo que mantinha relações sexuais fora do casamento? E tantos outros, de pastores popularíssimos pelos carismas que acabaram sendo descobertos em práticas sexuais ilícitas?

No evangelho de Mateus, capítulo 7, versículos 21 a 23, Jesus deixa claro que muitos, que atuam dinamicamente dentro das Igrejas, podem ser pessoas irremediavelmente perdidas. O mais intrigante são os parâmetros indicados. Primeiramente elas têm a crença correta. Ou seja, se mostram ortodoxas no tocante a doutrina da natureza e pessoa de Cristo. Em segundo lugar, são fervorosas. A repetição do termo (Senhor Senhor) indica isto. Finalmente são "pessoas que fazem", sendo agentes efetivos de transmissão do evangelho (profetizam em nome de Jesus). Como explicar que, com esse perfil serão rechaçadas da presença de Deus no dia do juízo final?

Durante muito tempo confesso que convivi com esse dilema. Ficava chocado quando determinados escândalos eram comentados de boca em boca, fazendo surgir generalizações lamentáveis entre os não evangélicos. Até que ouvi um sermão esclarecedor. Fica evidente para quem analisa as Escrituras que a Palavra de Deus, ou seja, a Bíblia, quando exposta por qualquer agente, tem poder em si. Paulo enfatiza que ela é "o poder de Deus" para salvação, com todos os benefícios advindos dessa graça maior. O agente da palavra, contudo, há de prestar contas de seus atos. Ou seja, ter carisma e não ter caráter é um mal que será punido. Por mais que alguém possa esconder essa tendência, mais cedo ou mais tarde colherá os frutos amargos da piedade aparente. Oportunamente alguém escreveu que o carisma (palavra usada para definir a presença dos dons e talentos em uma vida) é importante, mas não pode estar divorciado do caráter. E desde que esse talvez seja um dos maiores problemas, hoje, no meio evangélico, temos que pedir continuamente a Deus por uma unção do caráter. Como disse alguém: "carisma sim, mas com caráter!".

*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
vivaldo_ms@hotmail.com

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Sobre o colunista

Rev. Vivaldo Melo

Vivaldo da Silva Melo, formado em teologia pelo SPN (Recife) SPS (Campinas) e UNIFIL (Londrina), pós graduado em Ciências da Religião pela UMESP e jornalista atuante em Mato Grosso do Sul e ministro Presbiteriano em Dourados-MS.

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