O Pantaneiro

segunda, 25 de junho de 2012

A bengala

Fui ouvir outra opinião médica sobre o meu joelho direito que, após setenta e sete anos de judiação, começou a apresentar defeitos.
 
O especialista em joelho, pacientemente, escutou minha história e anotou minhas queixas. Após examinar uma pasta de imagens radiológicas da região dolorosa e inchada, virou-se para mim e disse:
 
- O melhor remédio para o seu caso será o uso contínuo de uma bengala, pelo menos por seis meses. É preciso tirar um pouco do peso sobre o joelho, e a bengala tira cerca de vinte quilos. E concluiu: - O resto é paciência e andar o mínimo possível.
 
 A terapêutica indicada me pegou desprevenido. Nada estimulante para mim que adoro uma boa caminhada. E a paciência? Paciência. Vou ter que exercitá-la mais.
 
Bengala. Fiquei pensando neste acessório de pouco uso nos dias de hoje. Eu, pelo menos, raramente vejo alguém usando uma.  Por isso, tratei logo de pesquisar sobre a bengala – afinal ela será minha companheira pelos próximos seis meses, ou mais.
 
Fui ao Google. Lá fiquei sabendo que a história das bengalas começou com o início da vida na Terra. Homens e mulheres se guiavam nas suas caminhadas com um pedaço de madeira de árvore nas mãos para se protegerem dos animais silvestres e colher frutos maduros das árvores.
 
Através dos séculos essas bengalas primitivas transformaram-se em símbolo de status para os homens. Bispos e Imperadores utilizavam os cetros como símbolo do poder.
 
A bengala passou a ser um acessório de moda nos séculos
XVII e XVIII. Todos os homens da cidade tinham a sua bengala. Ela transformou-se assim em um acessório “fashion”, que era levado junto com a espada. Com o passar do tempo a espada foi definitivamente substituída pela bengala, como símbolo de cavalheirismo e status.
 
Em 1702, em Londres, um cavalheiro tinha que ter licença para ter o privilégio de carregar consigo uma bengala, pois ela passou a ser considerada como uma arma
 
No início do século XX, o guarda-chuva substituiu gradualmente a bengala, e esta passou a ser usada somente em ocasiões bem formais.
 
Hoje em dia a bengala perdeu o seu glamour. De acessório “fashion” passou a ter sua imagem associada à velhice e à incapacidade de locomoção.
 
É usada como indicação médica, principalmente para males que melhoram com a diminuição do peso corporal em cima da região afetada, como é o meu caso.
 
Como falou Platão: “Deve-se temer a velhice, porque ela nunca vem só. Bengalas são provas de idade e não de prudência”.
 
Mas, não pensem que o uso da bengala é assim tão fácil. Necessita de um manual de instrução para usá-la corretamente. Eu já estou lendo o meu.
 
Pretendo usá-la, com certeza. Mas, vou encará-la, não somente como uma proposta médica, mas também como um acessório imprescindível ao meu bem-estar e segurança.
 
Como dizia o meu avô: vivendo e aprendendo. 
 
Gabriel Novis Neves
 
09-06-2012
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Sobre o colunista

Gabriel Novis Neves

Reitor fundador da Universidade Federal de Mato Grosso, é médico em Cuiabá.

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