Não há dúvida de quando Jesus chegou ao Brasil, levado obviamente pelos colonizadores, imagino que a primeira população que morou aqui no Brasil, a população indígena, não foi um encontro muito agradável. Junto com a cruz veio à espada, mas essas origens, com a grande vitalidade e capacidade depois que o povo que foi se formando por esta terra é de reorganizar essas grandes diferenças entre uma cultura afro-brasileira, de origem africana, de origem indígena, a cultura européia e mais outras que foram se formando já se deu à figura de Jesus uma vitalidade muito grande.
De alguma forma podemos perceber que há uma grande capacidade no Brasil de apropriação dessas tradições que tem uma origem muito distante, mas uma grande apropriação dela, e uma inserção dela, no cotidiano nas vidas das pessoas. A palavra técnica é Sincretismo, isto é, a religião brasileira, ela e sua população, e a sua cultura, ela é o lugar de encontro de modelos, de símbolos, de historias, muito diferente que nos lugares de oporem que seriam muito fáceis elas foram de alguma forma se integrando, vão se assimilando uma na outra. Então nós temos varias figuras de Jesus. Jesus é apropriado por muitos cultos diferentes, e de forma muito diferente e todas aceitas, como todas sendo consideradas legitimas pela população.
Então nos temos o Bom Fim, também o Jesus exorcista das igrejas neopentencostais, nós temos o Coração de Jesus, um Jesus muito sangrante e psicologicamente acalmador , e temos um Jesus revolucionário da Teologia da Libertação. Então temos uma grande variedade e de alguma forma essa grande variedade compõem e reflete a variedade da religião brasileira, que é um laboratório de uma experiência religiosa, que está se propondo no mundo todo. Então neste sentido aqui no Brasil é o laboratório do mundo, é claro que essa experiência religiosa sincrética, ela nem sempre é feita pelas igrejas, porque obviamente continua tendo, aquele mesmo problema que havia tendo com Jesus no Templo de Jerusalém, aquela tentativa de monopolizar o espaço religioso, então de alguma forma, quero dizer como fazer, como dizer, como se mexer neste ambiente religioso, porque quero manter o controle, então obviamente é sempre uma tentativa de não se apropriar desse sincretismo religioso e de definir o que pode e o que não pode.
Mas de alguma forma a vitalidade de diferença religiosa não se deixa fechar, não se deixa prender, em uma teologia especifica, então a teologia ela sempre está correndo atrás da experiência do povo, tentando de alguma forma ou potencializa-la ou até cortar as asas, mas a experiência religiosa do povo é sempre maior do que isso. Então o Jesus que nós estamos estudando ele ao longo da historia do cristianismo ate hoje, foi feito muito mais coisa do que coube dentro da teologia.
Referência:
CORNELLI GABRIELLI. (2001) UMESP.
Marcos Antonio dos Reis Franco é Acadêmico da 4º Série do Curso de História da UFMS/CPAQ