O Pantaneiro

segunda, 06 de junho de 2011

A história dos imigrantes nordestinos

Peço licença aos homens,
Mulheres, jovens e meninos.
Para contar a história
Sem cair no desatino
Descrever o sofrimento
Do retirante nordestino.

Para contar esta história
Peço licença até
Aos grandes trovadores
Alguns mortos outros de pé
Aos vivos peço ao maior
Patativa do Assaré.

Vou resgatar a história
Da minha região
Relembrar os primeiros nordestinos
Que deixaram o Sertão
Com coragem e heroísmo
Desbravaram nosso chão.

Tenente José Gomes
Homem valente e capaz
Veio do Nordeste
Pra mostrar como se faz
Defendeu nosso País
Na guerra do Paraguai.

Após vencer o inimigo
Voltou à Terra Natal
Levando em sua bagagem
Um orgulho sem igual
As belezas que aqui viu
Contou, ao amigo João Cabral.

Ao ouvir o amigo
João Cabral ficou entusiasmado
Pegou todos os seus bens
E vendeu mesmo fiado.
Disse: lá em Mato Grosso
Serei um homem folgado.

Colocou sua família
Em cima do caminhão
Rumaram pra Mato Grosso
Deixando o seu Sertão
Trazendo na bagagem esperança
No bolso nenhum tostão.

Pra receber o dinheiro
Dos bens que havia vendido
Deixou aos cuidados
De um amigo leal
Receber e trazer em mãos
Grande amigo Ladislau.

Senhor Severino Batista
Também foi um dos pioneiros
Sendo João Cabral e ele
Os que chegaram primeiro
Na mesma situação:
Com coragem, sem dinheiro.

Trabalhador e honrado
Seguiu rumo à prosperidade
Seu nome será lembrado
Até na posteridade
Severino Batista é nome
De uma rua da cidade.

Ladislau aqui chegando
Ficou bastante animado
Pois encontrou seu amigo
Um tanto quanto folgado
Pra quem veio sem dinheiro
Estava bem situado.

Ladislau entregou a encomenda
E ao Nordeste regressou
Sua viagem de volta
João Cabral patrocinou
Porém, no ano de 34 Ladislau.
Com a família em Mato Grosso chegou.

Além de sua família
Veio a família de Fernando
E também Zuza Bernardo
Chegando no Pulador
Do fazendeiro Anderson
Terras compraram um bocado.

Trabalharam com afinco
Desbravaram o Sertão
No ano de 47, Ladislau.
Retornou ao Nordeste
Para buscar mais dois filhos:
Senhores Manoel e João.

No ano de 48
Vieram várias famílias
Senhor Nô, Jerônimo,
Zé Moura, Brás, Severino Sabino,
Zé Luís, Senhor Neco e outros.
Conhecer as maravilhas.

Maravilhas contadas
Pelos primeiros que vieram
E aqui melhoraram suas vidas
De volta ao Nordeste
Falaram aos parentes e amigos:
Lá, é a Terra Prometida.

Senhor Neco veio só
Deixando lá sua gente
Trabalhou durante um ano
Juntou o suficiente
Para voltar ao Nordeste
E trazer os seus parentes.

No ano de 50, senhor Neco e família.
Deixaram o Nordeste.
Rumaram pra mato Grosso
Deixando o seu agreste
Trazendo outras famílias
Pra viver no Centro Oeste.

Chegando no Pulador
Trabalhou com decisão
Do senhor Cazuza Estrela
Compraram um pedaço de chão
Nesta terra trabalhavam
O seu pai e seus irmãos.

Trabalhando na lavoura
De tudo eles produziam
Algodão, milho e mandioca.
Eles lucravam e vendiam
Mantimentos pra comer
Casa Cândia fornecia.

Assim foram trabalhando
Rumo à prosperidade
Aquidauana na época
Era uma pequena cidade
Junto aos comerciantes
Tinham credibilidade.

Compravam sempre fiado
Pra pagar com a produção
Casa Cândia fornecia
Sem nenhuma restrição
Quando lucravam, pagavam.
Sem juros nem correção.

No ano de 52
Chegaram novas famílias
Cícero Herculano e João Lourenço
Seguiram a mesma trilha
Cícero procurou Nino Cezar
Porque já o conhecia.

Senhor Cícero Herculano
Era meu avô
Pai de Manoel Justino
Que mocinho aqui chegou
Conheceu a jovem Nely
E com ela se casou.

Manoel Justino casado
Era um trabalhador braçal
A sua jovem esposa
Neta do senhor Ladislau
Que lhe deu grande ajuda
Nesta fase inicial.

Nas terras do senhor Ladislau
Construiu o seu ranchinho
Antes de um ano de casados
Veio o primeiro filhinho
Continuou sua luta
E comprou o seu cantinho.

Da família Valério
Primeiro veio senhor Tenente
Trabalhou e se deu bem
Mandou cartas à sua gente
Ao receberem a noticia
Ficaram muito contentes.

Em seguida venderam tudo
E rumaram pra Mato Grosso
Se for como diz a carta
As terras são um colosso
Lá a gente se apruma
E as ido fundo do poço.

Ao chegarem no Pulador
Encontraram seu irmão
Trabalhando e com fartura
Morando num barracão
Porém, em sua dispensa.
Sobravam arroz e feijão.

Esta família trabalhou
E prosperou de verdade
Tudo que pedia a Deus
Virava realidade
Em pouco tempo ficou
Conhecida na cidade.

Da família Falcão
Primeiro veio seu Renato
Trabalhou na Casa São Paulo
Um comerciante nato
Hoje é um homem rico, mas...
Comida, quase faltou no seu prato.

Em 53 veio à família do Sr. Honório Ferreira
Sendo a mesma numerosa
Havia crianças, mulheres e homens.
Trabalharam em terras de parente
Depois compraram uma propriedade
Do senhor Antônio Gomes.

Trabalhando em suas terras
De tudo eles plantavam:
Arroz, milho, mandioca e banana.
Mantimentos não faltavam
Uma parte consumia
A outra, comercializavam.

Assim começaram a vida
E seguiram prosperando
As crianças foram crescendo
Os adultos se casando
As famílias Ferreira e Valério
Assim foram misturando.

A memória é falha
A gente esquece e pula
Ah! Também vieram as famílias
De Zé Lula e Mane Lula
Trabalhadores e honrados
Eram grandes criaturas.

Peço desculpas às famílias
Que aqui não foram citadas
O desenvolvimento desta Região
Deve-se à sua chegada
Numa outra oportunidade
Estas famílias serão lembradas.

Esta obra é muito simples
Porém de grande valor
Uma homenagem sincera
Aos grandes desbravadores
Que com coragem e heroísmo
Colonizaram o Pulador.

Para contar esta história
Contei com a colaboração
Do Senhor Neco Nino
Um Grande da região
Que com simplicidade e prazer
Deu-me toda informação.

Colaboraram comigo
Dois grandes locutores:
Senhores Sady e Ferreira
Gente de grande valor
Em nome de Deus eu Peço:
Não faltar voz aos senhores.

Para concluir o trabalho
Mais dois fui entrevistado:
Senhores Manoel Ferreira e Justino
E o caso foi encerrado
O segundo veio mocinho
O primeiro recém casado.

Assim conto a história
De um povo que prospera
Da década de sessenta para cá
Outras famílias vieram
O que resta do passado
Só saudades e taperas.

Esta foi à forma que encontrei
Para resgatar a história
E falar do Pulador
Não há povo sem memória
Dedico a estes heróis
Toda honra e toda glória.

Para contar esta história
Tempo gastei um bocado
Recebi grande ajuda
Dos amigos já citados
Graças a estes amigos
Que mergulhei no passado.

Passado de muita luta
Que trago para o presente
Uma justa homenagem
Que faço àquela gente
Através da minha Obra
Viverão eternamente.

Peço licença aos leitores
Para me apresentar:
Sou filho de Nordestino
Orgulho-me em falar
Daí o meu compromisso
De a História registrar.

Minha família é numerosa:
Somos dezesseis irmãos
Meu pai é analfabeto
Lavrador de profissão
Para dar sustento aos filhos
Calejou as suas mãos.

Minha mãe, dona Nely.
Que ao lado do meu pai
Criaram dezesseis filhos
Desligou pra não ter mais
Sendo eu o décimo quarto
Contando, do mais novo pra trás.

Minha mãe fez o segundo ano primário
Meu pai não tem escolaridade
Porém, a todos os filhos.
Deram oportunidades
Eu e mais dois irmãos
Freqüentamos a faculdade.

Sou casado, minha esposa.
É da família Ferreira
Temos um casal de filhos
Escrevo por brincadeira
Sou professor, mas...
Não atuou na cadeira.

Termino muito feliz
Minha missão foi cumprida
Contei a história do meu povo
Minha história, minha vida.
Superei mais uma etapa
Primeira obra concluída.
Outubro/1996
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Sobre o colunista

Valdemir Gomes

Valdemir Gomes dos Santos nasceu no dia 14 de outubro de 59. Reside em Anastácio e é funcionário público federal - Agente de Saúde Pública. É Licenciado em Letras, com Habilitação em Literatura Brasileira pela UFMS. Iniciou em 1973 a escrever suas...

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