O Pantaneiro

quarta, 04 de julho de 2012

Gravidez nos tempos modernos

O organismo feminino não sabe que estamos nos tempos modernos e funciona como foi programado, especialmente com relação à reprodução.
 
Com o passar dos séculos o homem, com a sua “infinita sabedoria”, no sentido de ajudar, desregulou essa montagem da natureza.
 
Como tudo que existe no universo, também somos filhos da natureza e a ela devemos obediência.
 
Jamais pensei em radicalizar as minhas concepções humanísticas, ignorando que a ciência dos homens muito tem ajudado a natureza em certos casos.
 
Fernando Magalhães, o pai da obstetrícia moderna no Brasil, dizia que a necessidade de aprender jamais poderia representar a necessidade de prejudicar alguém.
 
O organismo feminino desconhece muito das invenções da ciência médica. Cito como exemplo o parto operatório (Cesariana), nos tempos modernos considerado pelas gestantes, e a maioria dos médicos, como o parto normal.
 
Na nossa cidade o parto normal só acontece nas maternidades particulares, principalmente, quando a gestante chega ao hospital em período expulsivo.
 
Entender o processo de reprodução humana é uma das maravilhas que conheço e, até hoje, com mais de meio século de exercício profissional, ainda me emociono profundamente.
 
Somos produtos de duas células, uma feminina e outra masculina. Após 40 semanas, essa célula nova será uma criança de cerca de três quilos trezentos e cinquenta gramas, com um comprimento, em média, de cinquenta centímetros.
 
A gestação não é doença, muito pelo contrário. É sinal de saúde do casal e assim deve ser tratada.
 
É imprescindível, para o sucesso da reprodução, um bom pré-natal. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda, no mínimo, seis consultas nesse período.
 
Essas consultas são distribuídas nas três fases da gestação: primeiro trimestre - onde quem comanda é a genética; o segundo trimestre - aquele em que as atenções maiores são para a saúde da mãe; e o terceiro trimestre - quando o médico irá monitorizar a saúde do neném e da mãe.
 
O contato eventual de uma gestante com um obstetra não representa pré-natal. Como gestação não é doença, precisamos informar às gestantes dos tempos modernos, princípios de fisiologia.
 
As alterações do corpo feminino são fantásticas, sendo as externas percebidas pela futuras mães. O volume de líquido plasmático aumenta cerca de dois litros. Por isso, recomendamos a elas o único medicamento durante essa fase, que é a recolocação do ferro em um líquido que aumentou consideravelmente.
 
A gestante nunca deverá usar medicamentos sem orientação médica, especialmente no primeiro trimestre da gravidez. Isso poderá causar lesões ao feto.
 
Evitar cair em tentação com os “conselhos” recebidos. Dificilmente na nossa cultura alguém se controla no sentido de indicar um exercício, massagem, produtos da rendosa medicina alternativa com uma fórmula ou remédio misterioso - que é uma “maravilha.”
 
São colocadas à gestante tantas informações que, observando a ansiedade das mesmas após mais de vinte anos de pesquisas, e com ajuda de artistas plásticos, escultores, fotógrafos, ceramistas, fiz um consultório de terapia visual para pré-natal.
 
A terapia visual é de cura instantânea quando atingimos o emocional das pacientes. Com essa exposição mostro uma série de equívocos educacionais, causa de sofrimento das gestantes dos tempos modernos.
 
Elas vêem com interesse o trabalho visual e derrubam valores como: - gravidez faz a mulher ficar feia; que não podem namorar; que aleitamento causa flacidez nas mamas; dúvidas se o feto é perfeito; tipos de partos e, finalmente, se na hora do início do trabalho de parto encontrará o seu médico.
 
Esclarecendo as perguntas, as gestantes dos tempos modernos compreendem esse momento especial que lhes fora concedido como prêmio, e não, como castigo por ter comido a maçã proibida e expulsa do paraíso com a maldição do “parirás com dor.”
 
Vejo a gravidez nos tempos modernos com a simplicidade dos tempos de Eva. 
 
Gabriel Novis Neves
 
08-01-2012 
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Sobre o colunista

Gabriel Novis Neves

Reitor fundador da Universidade Federal de Mato Grosso, é médico em Cuiabá.

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