O Pantaneiro

quarta, 04 de janeiro de 2012

Ostentação

Assistia aos escândalos brasileiros pelo Jornal Nacional, quando, em uma rápida cena, aparece o Procurador Geral da República sentado em sua cadeira de trabalho.
 
O assunto da matéria era a corrupção no Judiciário. Mas, depois que vi a dita cadeira, esqueci-me do assunto do momento e fiquei pensando no meu pobre país.
 
Não consigo entender por que tanta ostentação simbolizada naquele móvel. Tenho certeza que o preço daquela única peça de escritório tem um custo superior às casas da Caixa Econômica destinadas ao trabalhador brasileiro.
 
Ostentação não rima com democracia, e sim, com poder ditatorial. Quanto maior a ostentação dos mandatários do poder, maior a pobreza e sofrimento do seu povo.
 
Os melhores exemplos vêm dos eternos ditadores - que são possuidores de fortunas inimagináveis para a compreensão de um ser humano normal.
 
Setembro serviu para libertar muitos povos, que há décadas, passavam por humilhações, fome e dor. O Oriente Médio e o Norte da África ficaram mais leves após o setembro, e a esperança foi recuperada.
 
A demonstração explícita da ostentação no Brasil, onde a meta da presidente é erradicar a miséria e a fome é, no mínimo, desacreditar e descredibilizar este projeto.
 
Aqui na periferia, espantados, ouvimos de uma ministra do Supremo Tribunal Federal, a declaração de que existem bandidos de toga.
 
Sabemos que em todos os segmentos sociais existem elementos bons - em sua maioria, entretanto, aparece os não bons. O que fica como conceito do grupo que pertencem, é a avaliação dos maus, sempre em minoria.
 
O poder de contaminação da minoria é avassalador, prejudicando todo o grupo. Sempre foi assim e assim sempre será.
 
Alguém com as vestes da ostentação abriria os abscessos sociais ou se associariam ao grupo por uma série de circunstâncias.
 
O brasileiro está no seu limite máximo de tolerância, graças ao trabalho de investigação e de divulgação da imprensa. Saber que um magistrado que trabalhava em São Paulo foi nomeado para a mais alta Corte de Justiça do país (STF) e recebeu de atrasados da sua mudança, quase meio milhão de reais, segundo notícias da imprensa, é ofensa grave, porém legal!
 
É a velha história - nem tudo que é legal é ético e o Brasil precisa de ética.
 
Até quando minha gente continuaremos a viver nessa duplicidade de palavras e ações?
 
Os indicadores políticos do momento não sugerem transformações de comportamentos. Nosso regime político sempre foi capitalista, embora muitas vezes rejeitado demagogicamente.
 
No capitalismo só existe um valor, que é o dinheiro, seja qual for a sua origem.
 
Ostentação é arrogância, demonstração extravagante de riqueza, e não rima com a simplicidade e tolerância do brasileiro que a tudo assiste em silêncio.
 
Até quando? Não sei.
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Sobre o colunista

Gabriel Novis Neves

Reitor fundador da Universidade Federal de Mato Grosso, é médico em Cuiabá.

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