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21 de Agosto de 2017
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Ciência

Parceria UFMS e Embrapa gera produtos com avanço tecnológico

2 AGO 2017 - 09h34min
Redação

Desenvolvimento tecnológico transforma realidades e não diferentemente sua aplicação na pecuária a posiciona rumo a outros patamares de produtividade. Com esse desafio, a Faculdade de Computação (Facom/UFMS), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Gado de Corte), desenvolve dispositivos que levam “o olho do dono” para o pasto por meio de sensores instalados nos animais.

Pelo projeto de pesquisa “Tecnologias para o bem estar e conforto térmico de bovinos”, coordenado pelo professor da Facom Ricardo Santos, foi desenvolvido a BEP – Bovine Electronic Plataform, uma plataforma eletrônica avançada, utilizada de maneira não invasiva por bovinos a pasto (sem necessidade de prendê-los ou sedá-los).  Com três componentes principais – circuito eletrônico, aplicativo móvel (para aquisição de dados) e informação armazenada na nuvem, a BEP é uma plataforma eletrônica que integra componentes de hardware e software.

“As várias pesquisas realizadas pela Embrapa-Gado de Corte tem gerado demandas tecnológicas com enfoque na automatização de processos de monitoramento animal. Algumas dessas demandas que nos foram apresentadas mostraram a possibilidade de monitorar sinais fisiológicos de forma não invasiva. O desafio foi obter dados como frequência respiratória, frequência cardíaca, fluxo sanguíneo e temperatura cutânea em tempo real, além de gerar estimativas de conforto térmico e bem-estar animal”, explica o professor.

O monitoramento dos sinais fisiológicos, expõe Ricardo Santos, possibilita identificar previamente situações que podem impactar negativamente na produção animal (sejam perdas no peso, qualidade da carne e leite). “Esse monitoramento é uma demanda real com benefícios diretos para produtores, profissionais e pesquisadores da área”, diz.

O professor enfatiza que o grande diferencial da BEP é não exigir uma infraestrutura tecnológica de alto custo disponível na fazenda. Os dados adquiridos pelo circuito eletrônico de monitoramento nos animais podem ser visualizados usando um smartphone ou tablet com suporte à tecnologia bluetooth.

O projeto envolve a atuação de alunos da graduação e do Mestrado Profissional em Computação Aplicada, além de professores da FACOM, FAENG e pesquisadores da Embrapa-Gado de Corte.

O circuito eletrônico da BEP (hardware) é instalado em um cabresto, sendo os sensores mantidos em contato com a pele dos animais. Com bateria de longa duração, o hardware captura os sinais, gera dados fisiológicos e os armazena.  Um smartphone, notebook ou tablet pode obter os ados armazenados no hardware via comunicação wireless (tecnologia bluetooth).

O aplicativo móvel identifica onde há BEPs disponíveis (animais sendo monitorados) em uma distância de até 100 metros. O aplicativo móvel exibe a foto e dados do animal, além do histórico diário, semanal, mensal ou até mesmo com dados em tempo real. O produtor pode ter acesso a levantamentos individualizados do animal. Quando o aparelho móvel tem acesso à Internet, esses dados podem ser transferidos para um aplicativo na web. Assim, os dados podem ser analisados com possibilidades mais amplas (análise anual, análise e comparações do rebanho, etc.).

Chefe Adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Corte, Ronney Robson Mamede lembra que a produtividade média da pecuária brasileira é reconhecidamente baixa quando comparada à de outros países e que diversos aspectos contribuem para isso, dentre eles, os genéticos, nutricionais, culturais/comportamentais (pecuaristas, em geral, ainda resistentes à busca do conhecimento e adoção de tecnologias) e sanitários.

“A Bovine Electronic Plataform – BEP contribui para o rápido diagnóstico de possíveis doenças ou para a identificação de outras situações anômalas. A adoção de medidas sanitárias rápidas e eficazes a partir do uso destas informações contribui para o bem estar animal, menores custos com o manejo sanitário, redução de perdas e o consequente aumento da produtividade do rebanho”, afirma Ronney.

“Toda a pesquisa e desenvolvimento tecnológico reunido na BEP foi alvo de patente conjunta entre UFMS e EMBRAPA. Atualmente, está sendo firmado acordo de cooperação técnica entre UFMS, Embrapa e a startup Indext (formada por ex-alunos), para que o produto seja comercializado”, expõe o professor Ricardo.

A BEP alcançou o primeiro lugar no Prêmio Novos Talentos Para o Alimento Sustentável – Pecuária de Baixo Carbono, prêmio patrocinado pelo Banco Mundial, Fórum do Futuro, FAPEG e FAPEMIG.

Bioacústica

Em uma segunda etapa, os pesquisadores da FACOM/UFMS e da EMBRAPA trabalham agora o Bioacústica, que contempla o desenvolvimento de algoritmos, sensores e equipamentos para identificação e análise do comportamento ingestivo dos animais.

“O produtor quer saber como o animal está se comportando em relação à ingestão de alimentos. Exemplos de informações importantes são se o bovino está ingerindo água, a quantidade de líquido ingerida, se está se alimentando, em quais horários e por quanto tempo. O objetivo agora é identificar esses “estados” de ingestão, caracterizá-los e quantificá-los”, explica o professor Ricardo.

Parceria de longa data

A Embrapa e a UFMS trabalham em parceria desde 2001, em diferentes temas. Segundo o Chefe Adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Corte, Ronney Robson Mamede, em 2012 foi formalizado um Acordo de Cooperação Técnica para a instalação e operação de um Laboratório de Computação em Pecuária, com vistas ao desenvolvimento conjunto de projetos de pesquisa, extensão e inovação tecnológica na área de computação aplicada à pecuária.

“Desde então, inúmeros projetos estão sendo desenvolvidos com a participação de alunos de graduação e pós-graduação da Facom/UFMS, sob orientação de professores da UFMS e pesquisadores da Embrapa Gado de Corte. Esses projetos buscam principalmente resolver ou atenuar problemas inerentes à pecuária por meio de soluções computacionais”, afirma Ronney.

O pesquisador da Embrapa destaca que a cooperação tem sido muito bem sucedida e já disponibilizou para o mercado tecnologias como o Suplementa Certo, S.A.C. Gado de Corte e Pasto Certo.

“São ferramentas simples, gratuitas, extremamente úteis para que produtores, técnicos e estudantes tenham acesso rápido ao conhecimento disponível e possam tomar decisões melhor fundamentadas em relação a diferentes aspectos envolvidos na produção pecuária. Há inúmeros outros projetos igualmente promissores em andamento, dentre eles a BEP, sendo que alguns deles já tiveram seus pedidos de proteção intelectual protocolados junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (patentes ou registro de softwares) e em breve chegarão ao mercado por meio de diferentes modelos de negócio”, completa.

Todos esses avanços modificaram a relação produtor/pecuária e continuam a evoluir. Ronney Mamede enfatiza que a possibilidade de exploração da pecuária de forma horizontal, em grandes áreas, como historicamente acontece no Brasil, tem diminuído em anos recentes e que a tendência é a produção em maior escala e em áreas menores, com o foco voltado para o ganho de produtividade.

“Nesse contexto, a adoção de novas tecnologias torna-se não apenas desejável, mas inevitável. A disponibilização de dispositivos/sistemas de fácil usabilidade, que atendam necessidades reais e facilitem o acesso à informação de qualidade, possibilitando decisões mais rápidas e mais seguras tem um grande apelo junto ao setor produtivo, o que se observa no crescente número de usuários. Em eventos de Transferência de Tecnologia realizados pela Embrapa (cursos, dias de campo, participação em feiras agropecuárias, etc.) é visível o grande interesse e entusiasmo de produtores para com os aplicativos disponibilizados pela empresa”, expõe.

Para o pesquisador, ainda há grande caminho a ser percorrido para que o nível de adoção de tecnologias na pecuária se equipare àquele já existente na agricultura, mas existe movimentação nessa direção. “Parcerias como a existente entre a Embrapa e a Facom/UFMS tem sido de grande auxílio nesse sentido e esperamos que a BEP, uma vez no mercado, constitua-se também uma importante contribuição para este processo”, conclui.

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