Existe um perfil de líder ideal?

Carlos Frederico Corrêa da Costa*
Consultor de Gestão e Marketing
e-mail cfccosta@terra.com.br

Normalmente, há em comum entre os grupos que viram equipes e que os diferencia de bandos: um líder que alinhe os esforços individuais para um objetivo comum, que tenha o respeito do grupo e que seja a "inspiração e transpiração". De que características, então, um líder precisa para que a equipe tenha sucesso?

Poderíamos enumerar uma lista infindável das características desejadas em um líder. A cada adição, porém, o perfil passa se assemelhar mais ao de um super-homem ou de uma mulher-maravilha do que ao de um ser humano comum.

Mais importante do que as características de liderança que carregamos, contudo, é nosso perfil como líder, nosso jeito de liderar, nosso estilo de liderança, a maneira como nos comportamos quando queremos atingir algum objetivo por intermédio de outra pessoa ou várias delas. De que modo você se definiria como líder? Autocrático, liberal ou democrático? Será que as pessoas que o cercam também o definiriam assim? Em que suas decisões são centradas, nas tarefas ou nas pessoas que as executam? Mais uma vez, como as pessoas o avaliam?

Estilo autocrático - Apenas o líder decide quem faz o que e como, sem qualquer opinião ou interferência do grupo. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. O líder pensa, e os outros executam da forma predeterminada pelo líder em conjunto com quem o líder determinou no prazo que o líder estipulou. Elogios e críticas são prerrogativas do líder e de mais ninguém.

Normalmente, os grupos liderados por pessoas com tendências autocráticas até conseguem gerar resultados no curto prazo. Diante da pressão constante, das incertezas quanto ao que se passa na cabeça do líder sobre qual será a próxima novidade ou a vítima seguinte, num prazo mais longo, os resultados tendem a definhar cada vez mais em função dos evidentes sinais de tensão e frustração.

Lembrando Maslow, líderes autocráticos costumam se preocupar mais com o controle das pessoas do que com sua contribuição.

Líder liberal - Total liberdade para a tomada de decisão por parte do grupo ou do indivíduo, com mínima participação do líder. Este assume uma posição mais passiva, como a de um consultor que só responde ao que lhe é perguntado. Em casos extremos, a falta de interferência do líder na condução e/ou na correção de curso chega à beira da omissão. Quase que, paradoxalmente, acaba por ser uma liderança caracterizada pela ausência do líder, aproximando-se de uma autogestão.

Além da falta de respeito pelo líder ausente, a liderança liberal pode apresentar resultados pouco expressivos em virtude do individualismo que emerge do ambiente em que todos acham que mandam, mas ninguém, de fato, acaba mandando. Decisões conflitantes e cada um remando para um lado são capazes de deixar o grupo praticamente improdutivo.

Estilo democrático - Metas, objetivos, diretrizes e divisão de tarefas são debatidos pelo grupo com o apoio e estímulo do líder. Este participa do grupo como um mero integrante e conquista a confiança de todos, ao invés de impor sua condição.

A liderança democrática atinge um equilíbrio entre autonomia e responsabilidade, controle e liberdade, individualidade e coletividade, promovendo resultados mais duradouros por intermédio de funcionários mais motivados.

O bom líder deve saber dosar os três estilos de liderança, também deve aprender a avaliar quando é preciso ser mais focado nas pessoas e em quais momentos é conveniente estar orientado para as tarefas.

Em resumo, um bom líder deve estar sempre atento às habilidades, aptidões, necessidades e aos anseios de sua equipe. Precisa também estar disposto a ouvi-los, tomar bastante cuidado com os fatores higiênicos (condições de trabalho, ambiente profissional, salário, benefícios...), para que não se transformem em insatisfação, e buscar incessantemente contribuir para a auto-realização de cada um em conjunto com a realização dos objetivos empresariais.

Referência Bibliográfica

COSTA, Carlos Frederico Corrêa da. Adaptador de VILS, Leonardo. Procura-se um líder. In: Como motivar a sua equipe. Coleção Gestão Empresarial. São Paulo: Edições IstoÉ/Banco do Brasil, 2006. p. 60-71.

*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social , bacharel em Administração e Consultor Empresarial.Elaborou o projeto, implantou e coordenou o Curso de Bacharelado em Administração do Campus de Aquidauana/UFMS.

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