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09 de julho de 2020
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: O DIA DO ÍNDIO (PARTE 1)

Giovani José da Silva
19 ABR 2020 - 18h34min

         Chegamos ao 150.º texto da coluna Histórias de admirar, desde que iniciei a série de “alfarrábios” para O Pantaneiro, em novembro de 2013! Nem sempre conseguindo manter a regularidade semanal, já escrevi de tudo um pouco, mas faltava algo! Então, aproveito o dia de hoje, 19 de abril, para lhes contar um pouco sobre esta efeméride. Em 19 de abril é celebrado o Dia do Índio nas escolas de Norte a Sul do Brasil (não neste ano de pandemia...). Entretanto, muitos professores e alunos ainda não sabem por que tal data comemorativa foi criada e tampouco por que é celebrada. Em 1940, entre 14 e 24 de abril, ocorreu em Pátzcuaro, estado de Michoacán de Ocampo, México, o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Nele, estiveram presentes representantes da maioria dos países americanos (exceto Canadá, Haiti e Paraguai), incluindo o Brasil. Ao longo de sua realização foram tomadas algumas decisões, tais como a criação do Instituto Indigenista Interamericano e a designação do dia 19 de abril como “Día del Aborigen Americano”. No Brasil foi chamado de “Dia do Índio” e, além do nosso país, apenas Argentina (1945) e Costa Rica (1971) ainda celebram a data. O Dia do Índio ou “Semana do Índio” em escolas brasileiras ganhou ares de comemoração cívica ao longo do tempo, mas repete, invariavelmente, fórmulas desgastadas de apresentação das “realidades indígenas”: desenhos estilizados, apresentações descontextualizadas, caracterizações folclóricas e exóticas do “ser índio”. Inclusive, em municípios onde há forte presença indígena, é comum verificar-se índios representados em esquetes teatrais ou desfiles de rua, bem longe da realidade local e mais parecidos com indígenas de livros didáticos. O indígena idealizado passa, então, a fazer parte da vida escolar e extraescolar de crianças, adolescentes e jovens que, quando perguntados sobre a presença indígena no Brasil, referem-se a ela como sendo exclusivamente do passado, algo a ser celebrado em data específica e que nada tem a ver com o cotidiano em que vivem. A comemoração do 19 de abril, instituída em 1943 por decreto-lei do governo Vargas, pode e deve ser desconstruída nas escolas, o que ajudará na reflexão sobre as trajetórias indígenas no país. O Dia do Índio poderia servir também para a celebração dos povos indígenas que vivem nas matas e nas cidades, dos que vivem no Brasil e em outros países americanos, daqueles que chegaram ao século XXI com poucos ou nenhum sinal diacrítico (que marca a diferença) e que nem por isso deixaram de se ver/ estar/ ser Terena, Potiguara, Kaingang, Wajãpi, Baniwa etc. Crianças e jovens em fase escolar podem aprender muito mais do que associar os povos indígenas à utilização de penas de aves em cocares, de tangas ou à nudez: é possível aprender a reconhecer a diferença, conhecendo-a, respeitando-a e valorizando-a como importante patrimônio cultural/ histórico/ artístico coletivo. Outras datas a serem lembradas são: 09 de agosto (Dia Internacional dos Povos Indígenas), instituído pela ONU, em 1994, quando também foi definida a Década Internacional dos Povos Indígenas (1995 a 2004). Em 2004, por meio da Resolução 59/ 174, a Assembleia da ONU aprovou o segundo decênio dos povos indígenas, de 2005 a 2014; 30 de Julho (Dia da Libertação Indígena), comemorado para relembrar que os índios já foram escravizados na América Portuguesa e deixaram legalmente a condição de escravos em 1609; 18 de Maio (Dia das Raças Indígenas da América) – embora o conceito de “raça” seja bastante questionável, a data é uma excelente oportunidade para, justamente, colocar em xeque a existência de “raças” entre as pessoas e discutir se há, de fato, uma “raça” indígena. Não apenas a comemoração de datas deve ser estimulada nas escolas pelos professores de diferentes componentes curriculares: o conhecimento da história das relações travadas entre indígenas e não indígenas ao longo do tempo no país pode e deve fazer parte da transversalização do tal “conteúdo” a ser ensinado. Em outras palavras, compreender como as populações indígenas foram enxergadas e tratadas na história do Brasil, além de ampliar os conhecimentos dos alunos, evita anacronismos de toda ordem. Pensarmos o passado dos povos indígenas e de suas relações com o Outro em seus próprios termos (tema para o próximo Histórias de admirar) auxilia nas reflexões que fazemos sobre o presente e, mais do que isso, aponta para expectativas de futuro desses povos. Assim, ao invés de tomar o 19 de abril como uma data preconceituosa e folclórica, como querem alguns, ou transformá-la em fetiche exótico, como querem outros, mais interessante é problematizá-la e aproveitar a data comemorativa para repensar como nós, de fato, “comemoramos” as presenças indígenas em nosso país...

 

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