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As perspectivas da pisicultura em MS

Data de inserção do artigo: 27/07/2007 Por: Emiko Kawakami de Resende Devido à demanda crescente por consumo de organismos aquáticos, particularmente de peixes, que não consegue ser atendida pela pesca extrativa tradicional, a produção de peixes como...

dothCom Consultoria Digital
6 JUN 2011 - 00h00min

Data de inserção do artigo: 27/07/2007

Por: Emiko Kawakami de Resende

Devido à demanda crescente por consumo de organismos aquáticos, particularmente de peixes, que não consegue ser atendida pela pesca extrativa tradicional, a produção de peixes como atividade zootécnica vem crescendo a cada ano. O grande guru da administração, Peter Drucker, prognosticou que as próximas décadas teriam um crescimento acelerado da aqüicultura. Levantamentos realizados por Borghetti e colaboradores relatam que em 2001, os oito maiores países produtores aquícolas foram asiáticos. O maior produtor foi a China que respondeu por 77,8% da produção mundial, com 34,2 milhões de toneladas produzidas. A aqüicultura continental foi responsável por 46,4% da receita produzida, enquanto a maricultura, por 36% e a produção aquícola em águas salobras, por 17,5%. Na América do Sul, o Chile foi o principal produtor, com 631,9 mil toneladas, equivalente a 52,9% da receita total gerada em 2001. Foram seguidos pelo Brasil, com 210 mil toneladas e Equador, com 67,9 mil toneladas.

A aqüicultura mundial apresentou na última década, um crescimento anual médio cinco vezes superior aos apresentados pela bovinocultura, avicultura e suinocultura, ultrapassando de longe as projeções traçadas pelos especialistas. O mesmo ocorreu no Brasil, com valores de crescimento ao redor de 140% nos últimos cinco anos. Apesar desse ritmo de crescimento, existem grandes pontos de estrangulamento na sua manutenção a qual é particularmente crítica para a piscicultura, na medida em que a maioria é desenvolvida em escala familiar, com baixos níveis de tecnificação e de produtividade e ausência de uma estrutura comercial adequada para o escoamento da produção. Não há, até a presente data, um quadro geral do tamanho dos empreendimentos aquícolas no Brasil. Entretanto, considerando que a "piscicultura no Brasil foi considerada como uma atividade complementadora de renda nas propriedades rurais", é razoável supor que na maioria dos Estados brasileiros, o tamanho dos empreendimentos seja de pequena área. Ao menos é verdadeiro para o Paraná, onde Borghetti e colaboradores encontraram área média de cultivo de 0,37 hectares por propriedade. Em Mato Grosso do Sul, levantamentos realizados pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário, de Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo e pelo Escritório da Secretaria de Aqüicultura e Pesca em Mato Grosso do Sul, revelam que mais de 50% dos empreendimentos piscícolas possuem áreas inferiores a um hectare, em torno de 0,30 a 0,80 hectares. Existem, no entanto, seis pisciculturas com áreas inundadas superiores a 50 hectares, localizadas no eixo sudeste/sul do Estado.

Na atualidade existem ainda grandes entraves para o desenvolvimento da aqüicultura no Brasil, e certamente também em Mato Grosso do Sul, que podem ser enumerados em pelo menos quatro níveis: 1-de ordem tecnológica; 2- de ordem ambiental; 3- de transferência e capacitação e 4- de organização.
As questões de natureza tecnológica passam pela necessidade de domesticação e melhoramento de espécies nativas chaves para cultivo, de desenvolvimento de rações adequadas que promovam o máximo de crescimento com mínimo de resíduos, de controle de doenças, de sistemas adequados de cultivo e de formas de processamento capazes de agregar valor ao pescado. Enfocando apenas o aspecto de melhoramento genético, observa-se que esses programas efetuados com animais e plantas têm sido o alicerce do desenvolvimento agropecuário no mundo e particularmente, muito eficiente no Brasil, como foi a tropicalização da soja. O Brasil, detentor de 13% das reservas de água doce do mundo, possui um enorme potencial de desenvolvimento para a aqüicultura, pois a maior biodiversidade de peixes de água doce encontra-se no país e pelo menos duas espécies de interesse (pacu e pintado), em Mato Grosso do Sul, que foi pioneira no desenvolvimento do cultivo dessas espécies. Embora existam muitas iniciativas de criação de peixes nativos no país, as mesmas são feitas baseadas no potencial nativo e quando não, em híbridos interespecíficos com todos os questionamentos sobre os impactos potenciais genéticos deletérios sobre os estoques nativos. A experiência internacional com alguns peixes como a tilápia, o salmão e as carpas mostram que o melhoramento genético na taxa de crescimento pode proporcionar ganhos de cerca de 15% por geração em programas bem conduzidos, ou seja, em 7 gerações pode-se obter o dobro da taxa de crescimento inicial. No caso da tilápia, cujo ciclo de vida é curto (pode alcançar a maturação em seis meses), isto pode ser alcançado em 3,5 anos. O fator interveniente que controla as possibilidades de ganho é o intervalo de geração, ou seja, o tempo gasto pelas espécies para alcançar a primeira maturação sexual que, em peixes brasileiros está entre dois e três anos. Que programas de melhoramento genético para as espécies brasileiras existem no Brasil? Até a presente data, nenhum.

As questões de ordem ambiental envolvem uma legislação que seja ao mesmo tempo capaz de promover a conservação ambiental e o uso dos recursos naturais para produção. O atendimento às normas legais é dificultado pela pulverização dos entes federativos que necessitam ser consultados para a implantação da atividade.

Há uma clara deficiência na transferência de conhecimentos e tecnologias para o segmento produtivo. Para tanto, devem-se criar programas de transferência por meio de capacitação e qualificação profissional aos piscicultores e membros de sua família e outros interessados no assunto, enfocando conceitos de viabilidade técnica e econômica dos empreendimentos; a adoção de programas de produção que levem a uma maior produtividade com o aproveitamento das potencialidades regionais, tanto em termos de insumos locais disponíveis como de infra-estrutura física existente. Nos Estados onde há uma conjunção de fatores favoráveis, como em Mato Grosso do Sul, com fontes próximas de reprodutores de espécies de interesse como pacu e pintado, a disponibilidade de recursos hídricos e de insumos (ingredientes de rações) e frigoríficos instalados, é necessário direcionar esforços para um programa de governo que seja capaz de solucionar os gargalos identificados.

Ao se pensar na aqüicultura como uma opção de desenvolvimento para pequenos produtores, o que é possível, há a necessidade de incentivar formas de organização como o associativismo ou cooperativismo, para torná-los viáveis do ponto de vista econômico. Há uma clara necessidade de promover a aproximação entre os setores da produção e do processamento do pescado.

O I Congresso Brasileiro de Produção de Peixes nativos de Água Doce e o I Encontro de Piscicultores de Mato Grosso do Sul, a ser realizado pela Embrapa Agropecuária Oeste e Embrapa Pantanal, entre os dias 28 a 31 de agosto de 2007, é um evento orientado no sentido de procurar resolver alguns dos gargalos identificados, dada as condições excepcionais de desenvolvimento da atividade em Mato Grosso do Sul. Estará sendo traçado um panorama da atividade aqüicola e da pesquisa no Brasil, com a participação do Ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca e da Dra Elizabeth Urbinati, docente e pesquisadora da Unesp Jaboticabal. As palestras específicas abordarão temas de interesse na piscicultura como boas práticas de manejo, controle de qualidade de água, produção de peixes em reservatórios, em tanques redes e de peixes nativos ornamentais. Tecnologias de processamento e aproveitamento de resíduos de pescado terão ênfase especial com a participação dos maiores especialistas da área no Brasil. Nutrição e saúde de espécies nativas, enfermidades e uso de probióticos, melhoramento genético e larvicultura serão outros temas objeto de palestras. Ao mesmo tempo, no I Encontro de Piscicultores de Mato Grosso do Sul, serão abordados temas de interesse prático para a categoria como a legislação ambiental para piscicultura, a comercialização, o fomento e linhas de crédito e assistência técnica.

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Emiko Kawakami de Resende (emiko@cpap.embrapa.br), é biologa, doutora em ciências e pesquisadora da Embrapa Pantanal, Corumbá-MS (www.cpap.embrapa.br).

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