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Controle da tricomose bovina em rebanhos de corte e leite

Data de inserção do artigo: 30/11/2007 Por: Aiesca Oliveira Pellegrin. A tricomonose é uma doença venérea de bovinos causada por um protozoário lagelado denominado Tritrichomonas foetus, cujo habitat é o trato genital de bovinos sendo transmitido do...

dothCom Consultoria Digital
6 JUN 2011 - 00h00min

Data de inserção do artigo: 30/11/2007

Por: Aiesca Oliveira Pellegrin.

A tricomonose é uma doença venérea de bovinos causada por um protozoário lagelado denominado Tritrichomonas foetus, cujo habitat é o trato genital de bovinos sendo transmitido do touro para a vaca/novilha por meio da  monta ou  pelo uso de sêmen contaminado. A tricomonose bovina é uma doença que se encontra praticamente erradicada em países que utilizam intensamente a inseminação artificial, contudo, ainda ocorre de forma endêmica em regiões onde o controle sanitário é deficiente ou o sistema de produção é extensivo, com utilização de monta natural.
A repetição de cios com intervalos irregulares e o aborto, com maior freqüência até os cinco meses de gestação, com ou sem o aparecimento de piometra (eliminação de pus do útero) são os principais sinais clínicos no rebanho, para os quais o produtor deve estar atento. Vários métodos podem ser utilizados para o controle da tricomonose em rebanhos, sendo todos baseados na separação de touros e matrizes positivos.
1. Descarte periódico de touros velhos (acima de 6 anos) e introdução de touros jovens testados ou virgens.
2. Evitar touros "arrendados" ou utilizados em parceria.
3. Testar os touros antes da estação de monta, para proceder a escolha dos reprodutores que vão entrar na monta e após o seu termino, para identificar animais que serão descartados.
4. Em rebanhos positivos submeter a repouso sexual fêmeas positivas, ou que não emprenharam por, no mínimo, três ciclos consecutivos, para que as mesmas possam adquirir imunidade ao Tritrichomonas foetus.
5. Descarte seletivo: Devem ser descartados todos os touros positivos e as fêmeas que falharem na concepção, abortarem ou apresentarem piometra, assim como as que forem comprovadamente positivas no teste.
6. Não adquirir touros de fazendas com problema de tricomonose, ainda que touros virgens. Não adquirir também fêmeas prenhes, que falharam ou abortaram. Só adquirir novilhas.
7. Vacinação: mais recentemente têm sido desenvolvidas vacinas de eficiência comprovada em estudos isolados, não tendo ainda sido largamente aplicadas com sucesso no país, para que possam ser recomendadas em detrimento dos métodos tradicionais de controle.
8. Introduzir manejo exclusivo com inseminação artificial (quando viável, em gado leiteiro, por ex.) significando não usar em hipótese nenhuma o touro de repasse.
9. Quando o produtor não tiver possibilidade de efetuar um descarte mais rigoroso logo que detecta a doença na propriedade, uma alternativa é a manutenção de um rebanho com animais infectados e outro de animais livres, que devem ser mantidos absolutamente separados. Os touros infectados devem ser utilizados para cobrir exclusivamente fêmeas infectadas. As fêmeas sadias, novilhas ou fêmeas que levaram a gestação a termo devem ser cobertas por touros virgens ou comprovadamente negativos (três testes negativos consecutivos). Isto, entretanto, pode surtir resultado somente em rebanhos menores, sendo quase inviável em sistemas extensivos. Qualquer animal que for introduzido na propriedade deve provir de rebanhos sem histórico de tricomonose e ainda assim possuírem três resultados negativos para o parasito. Adicionalmente, antes da estação de monta deve-se examinar os touros, descartando os que se apresentarem positivos.
O desconhecimento atual sobre os níveis de ocorrência da doença nos rebanhos, sua epidemiologia e seu impacto econômico tem levado a situações graves, como a ausência no mercado nacional de drogas para o tratamento específico dos animais infectados e a falta de laboratórios que façam o seu diagnóstico.


---------------------------------------------------------------------------------- Aiesca Oliveira Pellegrin (aiesca@cpap.embrapa.br) é doutora e pesquisadora da Embrapa Pantanal.

 

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