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Ruben Figueiró de Oliveira

Convenhamos...

A medida que se avizinha a data limite para o encerramento das filiações a partidos para quem, ainda não filiado, deseja participar como candidato nas eleições municipais de 2008, crescem como ondas tsunami as especulações sobre o futuro do embate...

dothCom Consultoria Digital
6 JUN 2011 - 00h00min

A medida que se avizinha a data limite para o encerramento das filiações a partidos para quem, ainda não filiado, deseja participar como candidato nas eleições municipais de 2008, crescem como ondas tsunami as especulações sobre o futuro do embate eleitoral com vistas até as ainda no horizonte longínquo ano de 2010, sobretudo por serem ainda jovens os mandatos de Lula e André. Este aqui em nosso estado.

As disputas internas nos partidos, com o afloramento de pretensas candidaturas ao importante cargo de prefeito, já demonstram a preocupação que o assunto desperta. Não é de se surpreender, pois, desde que comecei a militância político-partidária, e lá se vão mais de meio século, assisto ao fenômeno e onde pipocam os mais díspares interesses, o programático quase sempre sobreposto pelo pragmático, ou melhor, a vaidade, o egocentrismo, o corporativismo, o compadrio é que ditam o zênite ou as regras da disputa.

Hoje, as coisas na arena das pretensões políticas não são, pois, diferentes daquelas lembradas no Portugal quinhentista quando era tudo igual como Quartel de Abrantes...

Aqui, em nossa capital e cidade morena, as fricções já são apontadas pelos meios de comunicação, a mídia. Observando de fora, eis, em casos tais, a prudência recomenda não chegar à cozinha, onde os ingredientes estão sendo selecionados para o cozimento dos pratos (candidaturas) de palatável digestão no dia "H", ou já se prepara, também, a receita para o "fritamento" de candidaturas precoces ou indigestas, convenhamos o consuetudinário quer manter-se. É natural, quem está no poder ou com poder quer nele continuar; quem não está faz as vezes daquela célebre fábula de La Fontaine em que o corvo, no alto da árvore e com queijo no bico, é assediado com palavras insinuadoras pela esperta raposa, lá no chão... com objetivo inconfesso, mas lógico.

Não se trata, convenhamos, de uma disputa do poder pelo poder simplesmente. A luta eleitoral que se avizinha deve ser pela afirmação de idéias. Já passou o momento das lutas características daquelas de campanário onde a preocupação-mor era a afirmação do prestígio pessoal de candidatos. O povo já está preparado e ansioso para a prevalência do poder das idéias, e os partidos, pelas suas lideranças, devem disso se capacitar, e, parece, estão se iniciando nesse processo, tentando evitar que fiquem à margem da preferência popular. Não custa aqui repetir, como tenho feito tantas vezes e já copiado por alguns políticos, o que dizia o meu saudoso líder deputado Ulisses Guimarães, "time que não entra em campo, não tem torcida."

Esta a razão, convenhamos, por que prego insistentemente para que o meu partido, o PSDB, participe em todos os municípios com candidatos próprios ao cargo de prefeito - isto muito antes de que o Diretório Nacional assim o recomendasse. Seria um ato de afirmação programática de idéias - o PSDB é uma sigla parlamentarista, prega o voto distrital, tem forte compromisso com a justiça social, teve atuação marcante nessa área quando do governo FHC (no que foi copiado pela atual administração federal), a realização de uma política corajosa de desburocratização da máquina estatal com as privatizações, tudo precisa ser relembrado ao eleitorado. E a ocasião propícia é justamente quando do embate eleitoral. Se se aliar a outro partido sem que o cargo titular seja o seu, perde o status do comando da campanha.

Convenhamos, disputar com candidato próprio na cabeça da chapa não significa menosprezar quem está no poder e, se dele aliado desde a eleição passada, deve, com altivez, manter o apoio administrativo até o final do mandato em respeito ao compromisso assumido, abrindo mão de posições e cargos que eventualmente ocupe. Isto ressalto no caso específico e notório de Campo Grande onde sob o aspecto administrativo o ilustre prefeito vai muito bem.

Partido que deseja sobreviver perante a opinião pública, que é justa quanto atroz em seu julgamento, tem que mostrar a cara, dizer a que veio.

* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente.

 

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