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17 de Outubro de 2017
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Rev. Vivaldo Melo

Crianças: o uso da vara e as canções de "ninar..."

D. Antonia* ficou furiosa quando soube que a filha lhe contou sobre uma palestra, na qual o preletor defendia o uso da vara como instrumento de correção para as crianças. Ela jamais tocaria na neta, Yasmin. Preferia acalmá-la, depois de alguma...

dothCom Consultoria Digital
6 JUN 2011 - 00h00min

D. Antonia* ficou furiosa quan
do soube que a filha lhe con
tou sobre uma palestra, na qual o preletor defendia o uso da vara como instrumento de correção para as crianças. Ela jamais tocaria na neta, Yasmin. Preferia acalmá-la, depois de alguma peraltice, cantando canções de Ninar. Ela amava ouvir "Boi., boi da cara Preta" ou "Nana neném que a Cuca vai pega".

O tema "disciplina dos filhos" tem gerado intensas polemicas, de tempos para cá. Principalmente quando alguém defende o uso da vara, conforme orientação bíblica, como instrumento de correção. O hilário é que nossas crianças, desde cedo, são estimuladas a interpretar canções aparentemente inofensivas, que precisam ser questionadas. Grande parte das canções infantis usadas para fazê-las dormir ou nas brincadeiras de rodas, incorporam conceitos nocivos e são utilizadas pelos mesmos educadores que criticam a famosa dica do Rei Salomão, em relação a forma de disciplinar crianças rebeldes.

Os argumentos mais comuns para a rejeição do ensino bíblico são que a punição física é prejudicial à criança; o uso da vara não é necessário; a pessoa que recebeu punição física pode se sentir no direito de bater em outras pessoas e finalmente que o uso da vara é ineficiente para reverter um mau comportamento.

No texto "Disciplina de filhos: amor ou crueldade", o Dr. Jaime Kemp responde de maneira sábia a esses argumentos. Começa por lembrar que qualquer meio de disciplina levado ao extremo, pode ser prejudicial à criança. Até palavras, se ditas com ódio e raiva serão emocionalmente perniciosas. Quanto a não necessidade do uso da vara, lembra que todas as crianças precisam de doses balanceadas de amor e coração. Assim, para crianças desobedientes o uso da vara é útil, efetivo e apropriado. Para crianças obedientes, formas moderadas de correção são suficientes e, na maioria dos casos, o uso da vara é desnecessário.

Para o conhecido mestre em questões de família, uma coisa fundamental é distinguir entre o bater abusivo e a disciplina corretiva. A habilidade da criança em diferenciar as duas formas de disciplina depende basicamente da atitude dos pais quando a disciplinam. Não existem indícios que mostrem que a disciplina com amor, através do uso de um objeto (chinelo, varinha, etc), na "padaria" de uma criança desobediente, transmita um comportamento agressivo. O ponto crucial, portanto, é a forma como a vara está sendo usada. O abuso físico proveniente da raiva, da falta de controle, da vingança dos pais, pode cultivar amargura e gerar feridas emocionais. Por isto o uso da vara só deve ocorrer após uma clara comunicação entre os pais e a criança e se a criança insistir em sua rebeldia.

Quanto a ineficiência do método bíblico no afã de reverter um mau comportamento, Jaime Kemp lembra que, quando combinada ao amor, comunicação e motivo, a disciplina física tem diminuído o mau comportamento entre crianças em idade pré-escolar. Pesquisa feita pelo Instituto de Desenvolvimento Humano, da Universidade da Califórnia, nos EUA, apontam nesta direção. Os pais que utilizam uma disciplina balanceada, incluindo o uso da vara e o encorajamento positivo dos filhos, obtem melhores resultados com suas crianças, na área da correção.

Não tenho dúvidas em dizer que a exclusão dos princípios bíblicos nos processos de formação de nossas crianças, incluindo-se o modus operandi da disciplina, contribui para a desordem que existe, hoje, nos processos relacionais, com as conseqüências que já conhecemos, entre elas a violência. Enquanto continuarmos cantando "Boi da cara Preta" para embalar o sono de nossas crianças e excluírmos cada vez mais os ensinos bíblicos dos processos de formação, mais distantes estaremos de vivermos numa sociedade formada por pessoas realmente educadas.

Pastor da Igreja Presbiteriana
Vivaldo-2008@hotmail.com
www.ipbaq.com

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