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Epidemiologia participativa em estudos de sanidade animal em assentamentos rurais

Data de inserção do artigo: 28/11/2007 Por: Aiesca Oliveira Pellegrin       Renata Graça Pinto Tomich       Aldalgiza Inês Campolim       Raquel Soares...

dothCom Consultoria Digital
6 JUN 2011 - 00h00min

Data de inserção do artigo: 28/11/2007

Por: Aiesca Oliveira Pellegrin
       Renata Graça Pinto Tomich
       Aldalgiza Inês Campolim
       Raquel Soares Juliano

Na década de 1970 equipes que desenvolviam projetos de países em desenvolvimento reconheceram que sistemas formais de inquéritos podiam ter limitado valor quando eram abordadas comunidades rurais. No final da década de 1980, a aplicação de ferramentas de Diagnóstico Participativo Rápido incentivou a maior participação das comunidades na análise e solução de seus problemas, encorajando os beneficiários dos projetos a fazerem parte do planejamento e execução de suas ações.

Nos estudos epidemiológicos de doenças animais os métodos formais de questionários têm sido largamente utilizados e são extremamente úteis para levantar e priorizar demandas e problemas, identificar e testar fatores de risco, prover informações sobre incidência de doenças, causas de morbidade, mortalidade e perdas na produção, entre outros.

No entanto, os questionários consomem muito tempo e estão sujeitos a vieses, porque na maioria das vezes espelham as prioridades do pesquisador, mais do que as prioridades dos entrevistados/produtores. O Diagnóstico Participativo utiliza técnicas que apresentam bons resultados nos projetos de saúde animal em comunidades, incorporando-se aos métodos convencionais de coleta de dados sanitários.

Algumas das vantagens do método participativo para levantamentos epidemiológicos são: o menor custo, a maior facilidade para coleta de dados em áreas de difícil acesso, a obtenção dos resultados mais rapidamente com maior flexibilidade e adaptação a problemas surgidos durante o estudo. A técnica também aumenta a capacidade de levantar problemas prioritários a serem abordados em estudos convencionais (epidemiologia clássica) e melhora a resposta aos programas de vigilância sanitária, uma vez que utiliza os conhecimentos e habilidades da população local para o controle da saúde animal.

Utilizando a Epidemiologia Participativa como ferramenta, a Embrapa Pantanal vem executando, desde 2005, o projeto "Caracterização do processo saúde-doença em rebanhos bovinos de assentamentos rurais do município de Corumbá, MS, por meio de epidemiologia participativa". O trabalho proposto tem como objetivo caracterizar o estado sanitário dos rebanhos bovinos de assentamentos do município de Corumbá-MS, por meio da associação de metodologias quantitativas e qualitativas, a partir da caracterização e definição de indicadores produtivos, de representações sociais do processo saúde-doença e de modalidades de atenção à saúde.

A primeira fase do trabalho foi a aplicação de entrevistas semi-estruturadas, devido à carência de dados epidemiológicos pré-existentes abordando estes assentamentos rurais. Em seguida foi realizado o levantamento das prevalências de algumas doenças de importância para a bovinocultura praticada em assentamentos do município de Corumbá.  Os dados de prevalência dessas doenças, associados aos dados obtidos a partir das entrevistas e de dinâmicas grupais, onde o pesquisador e o produtor elaboram, em conjunto, um calendário sazonal dos principais problemas (sanitários ou não) dos rebanhos, serão a base para o planejamento de ações de controle de outras doenças de impacto para a bovinocultura que não são contempladas pelos Programas oficiais do Ministério da Agricultura, a partir do aporte de soluções tecnológicas já disponíveis. Acredita-se que, por serem construídas coletivamente, levando em consideração o interesse e os saberes da população local, estas ações poderão ser mais efetivas.


---------------------------------------------------------------------------------- Aiesca Oliveira Pellegrin (aiesca@cpap.embrapa.br), Aldalgiza Inês Campolim (alda@cpap.embrapa.br), Raquel Soares Juliano (raquel@cpap.embrapa.br), são pesquisadores da Embrapa Pantanal e Renata Graça Pinto Tomich é Doutora em Microbiologia (retomich@icb.ufmg.br).

 

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