A edição digital do jornal O Pantaneiro é restrita para assinantes.Assine
04 de julho de 2020
Anuncie Aqui
-->
Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: A EDUCAÇÃO BÁSICA – QUEM SE PREOCUPA COM ELA?

Giovani José da Silva
17 MAI 2019 - 22h49min

      As manifestações de rua do último dia 15 de maio mostraram a força de estudantes e professores universitários, de todos os recantos do país, na luta (justa) contra os desmandos e o desmonte propostos pelo atual governo federal em relação ao Ensino Superior. Na condição e na qualidade de professor universitário senti-me contemplado com o que vi e ouvi das gentes que foram às ruas. Não, eu não estive lá, por diversas razões: além de estar fora de Macapá, onde resido e trabalho, me encontro em recuperação de uma pequena cirurgia realizada na semana passada e não me sentia completamente restabelecido. De qualquer forma, acompanhei com atenção toda a movimentação daqueles que preencheram as ruas com sonhos e utopias, por meio de palavras de ordem, com muito bom humor e ironia/ sarcasmo. Contudo... Ah, eu não tenho jeito mesmo, não é, caros leitores? Senti muito a ausência de luta – traduzida em reivindicações e questionamentos – em relação à péssima situação da Educação Básica e de problemas estruturais que enfrentamos há tempos no país: o analfabetismo de milhões de adultos; a grande evasão escolar, sobretudo no Ensino Médio; o piso salarial dos professores; o dinheiro que chega aos Estados e municípios para que a Educação seja bem cuidada e que é (mal) administrado, etc. Compreendo que a pesquisa deva ser priorizada, que não deve haver corte/ contingenciamento no setor educacional, que há gentes produzindo Ciência da melhor qualidade nas universidades e que merecem todo o reconhecimento, a valorização e o respeito. Por outro lado, não compreendo como a Universidade que forma professores de todas as áreas do conhecimento possa se manter calada/ alheia em relação ao que se passa nas escolas de Educação Básica, como se não fosse um problema do qual também fizesse parte. E o que temos para hoje? Uma legião de jovens e adultos que adentram o Ensino Superior e que leem, escrevem, falam mal. Muitos deles – infelizmente a maioria – não estão ali para buscar conhecimento, tão somente um diploma, uma certificação. Nesse sentido, pouco leem, não conhecem outras línguas que não seja o Português (sofrível, em muitos casos), aprendem por meio de “seminários” que pouco (ou nada) ensinam e não preparam para o trabalho pedagógico de excelência que deveria se esperar deles. Fracassamos terrivelmente na tarefa de educar! Se a Escola no Brasil não era para todos em pleno início do século XX – excluindo negros/ pardos/ mulheres, pobres, por exemplo –, hoje pode-se dizer que nos acostumamos à existência de escolas para gentes abastadas e escolas para gentes empobrecidas. Em geral, nessas últimas, não há um forte controle social por parte da comunidade, especialmente de pais e mães, muitos deles sem estudo ou possuidores de diplomas, porém sem conhecimentos básicos plenamente consolidados. Eis a grande tragédia da Educação Básica sobre a qual não foram vistos cartazes e tampouco ouvidas palavras de ordem nas manifestações de 15 de maio: o que fazer com os milhões que estão fora das escolas de Ensino Fundamental e de Ensino Médio e com os milhões que, ao concluírem a Educação Básica, não sabem o básico? Ouço vozes ao longe, gritando em minha direção, dizendo que estou, mais uma vez, responsabilizando professores que ganham baixos salários e que trabalham em escolas sucateadas, pelo caos na Educação. Além disso, a precarização do trabalho docente, bem como a sua desvalorização, comprometeria quaisquer resultados a serem alcançados. Compreendo tudo isso, mas a pergunta que não quer calar é: afinal, quem se preocupa com a Educação Básica no Brasil? Sucessivos governos se demonstraram pouco ou nada preocupados com isso. Há muitos professores/ pesquisadores universitários e acadêmicos em formação nas licenciaturas que investigam a precária situação das instituições escolares, especialmente as públicas – municipais e estaduais. Os diagnósticos se avolumam dando conta de que não é nada fácil educar satisfatoriamente crianças, jovens e adultos em salas superlotadas, sem as mínimas condições físicas etc. Então, o que fazer? Os manifestantes que saíram às ruas há dois dias demonstraram um enorme potencial de reivindicação por melhores condições no Ensino Superior. Resta-nos saber quem lutará pela Educação Básica do Brasil, única via possível de superação de todas as nossas mazelas...

 

Veja também

Mais Lidas

1
Anastácio

Adolescente perde controle da moto, bate em cerca e sofre traumatismo craniano

2
Aquidauana

Adolescente é espancado a pauladas por dois primos em Aquidauana

3
Aquidauana

Idoso se machuca após colisão com veículo no centro de Aquidauana

4
Coronavírus

Anastácio: Homem de 62 anos testa positivo para coronavírus e passa a ser monitorado

Vídeos

Cães encontram droga escondida em estofado de veículo

Morador de Taunay encontra jaguatirica morta às margens da BR-262

Bombeiros de Aquidauana estão na operação para controle de grande incêndio no Pantanal

Ver mais Videos

Previsão do Tempo

min14 max30

Aquidauana

Sol com algumas nuvens. Não chove.
min14 max30

Anastácio

Sol com algumas nuvens. Não chove.

Níveis dos Rios Hoje

Aquidauana
2,49m
Miranda
2,97m
Paraguai
1,93m

Colunas e Blogs

Valdemir Gomes

O...

Maria de Lourdes Medeiros Bruno

"O SONHO ACORDADO É QUE É A REALIDADE"

Robinson L Araujo

A VIVÊNCIA FAMILIAR EM TEMPOS DE QUARENTENA

Ver Mais Colunas

Guia Cidade

Escolas Municipais

Escola Municipal Indígena Feliciano Pio

, Distrito de Taunay - 79200-000 Aquidauana/MS (67)
Farmácias e Drogarias

Farmácia Pantanal

Rua Bichara Salamene, 1633 Bairro da Serraria - 79200-000 Aquidauana/MS (67) 3241-8712
Distribuidoras de Gás

Disk Gás Ultragás

Rua Roberto Scaff, s/n Alto - 79200-000 Aquidauana/MS (67) 3241-2877
Ver Mais
SABADÃO DA ECONOMIA SERIEMA