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16 de setembro de 2019
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: ALGUMAS PALAVRINHAS SOBRE UNIVERSIDADES

Giovani José da Silva
11 MAI 2019 - 16h39min

      Observo estupefato tudo o que vem ocorrendo nos últimos tempos em relação às universidades brasileiras, especialmente as públicas, e só me vem à cabeça e ao coração que precisamos – urgentemente – rever pensamentos, ideias, ideais, atitudes, posturas e (re)começar caminhos, trajetórias, trilhas... Não, não estou de acordo com o desmonte/ o desmanche preconizado pelo atual governo federal, muito pelo contrário! Entretanto... Bom, não sei se é hora de falar sobre isso, pois como diria alguém, há pouco tempo: fazer autocrítica em um momento como este (estávamos em épocas de eleições presidenciais) seria como dar um tiro no próprio pé. Será? Vejamos: estudei em instituições públicas desde a graduação (licenciatura em História na UFMS/ Aquidauana) até os pós-doutorados (dois: um em Antropologia na UnB e outro em História, pela UFF), passando por uma especialização em Antropologia (UFMT), mestrado e doutorado em História (UFMS/ Dourados e UFG, respectivamente). Tive bolsas, sim, de Iniciação Científica na graduação (do CNPq), no doutorado (da própria UFG) e nos dois pós-docs (novamente do CNPq). Enfim, posso dizer que graças a esses recursos públicos (sim, sempre tive a certeza de que eram recursos públicos!) consegui me manter e estudei as populações indígenas em Mato Grosso do Sul, sobre quem escrevo e com as quais convivo/ atuo há mais de 25 anos. Não, não vi gente pelada andando pela universidade e sim, vi sim gente se drogando/ bebendo e me convidando para me juntar a eles, o que nunca aceitei. A pergunta impertinente, insistente, inquietante que desejo fazer é a seguinte: como chegamos aonde chegamos, tendo que explicar à sociedade o que fazemos dentro das universidades, ou seja, ciência de qualidade/ de valor? As respostas podem ser variadas, mas eu prefiro focar em pelo menos uma que ajude a entender este lamentável estado de coisas. As universidades públicas se distanciaram (e muito) da sociedade que as financia e as sustenta. Não estou falando de pesquisas sobre as quais ninguém sabe para que servem (há muitas...) e que são úteis apenas para quem as produz. Refiro-me à maneira como cursos de formação de professores – as licenciaturas, por exemplo – dão as costas para o que acontece nas escolas de Educação Básica/ ao Ensino. É como se fossem dois universos paralelos: de um lado pretensamente se ensina ao acadêmico, futuro professor de História, “tudo” sobre História, mas não há preocupação alguma sobre como aqueles conteúdos serão ensinados aos pequenos e grandes. E para quê, não é mesmo? Muitos já saem dos bancos universitários pensando em ser pesquisadores – especialistas, mestres e doutores – sem sequer ter passado por salas de aula superlotadas, calorentas, enfrentando burocracias e outros que tais... Muitos dos alunos com quem convivo na Universidade Federal do Amapá (Unifap), onde sou professor do Curso de História desde 2013 e acadêmico do Curso de Teatro desde 2018, chegam ao Ensino Superior escrevendo mal, lendo mal, mal sabendo falar em público. Ainda assim, todos querem ser “doutores”! A Unifap se preocupa em melhorar e adequar o nível desses alunos para que sejam profissionais de Educação de excelência? Discute isto nas (intermináveis) reuniões que são feitas ao longo dos semestres letivos? Reconhece os professores realmente dedicados a formar tais profissionais? Passei por todas as universidades públicas federais do Centro-Oeste brasileiro e atualmente leciono em uma do Norte, na Amazônia. Posso lhes garantir, caros leitores, que se faz muita coisa boa em todas elas e em outras também. Contudo, não ouço com bons ouvidos os discursos de que antes as universidades funcionavam muito bem (obrigado!) e que agora funcionarão mal ou deixarão de existir, pois eu conheço razoavelmente bem esse mundo de “panelinhas”, de preconceitos velados, de puxadas de tapete, de gentes doentes da cabeça e do coração que medem os outros pelo tamanho do currículo Lattes ou pelo nome de seu último orientador ou de sua universidade de origem. Um mundo em que as universidades consideradas academicamente “periféricas”, como aquelas em que estudei ou onde trabalho/ trabalhei, ficam “babando” pelas do “Sul maravilha”, enquanto as do “Sul maravilha” se espelham nas da Europa e alhures... Precisamos, todos, urgentemente nos descolonizar e, se possível, lembrar sempre que possível de dizer à sociedade brasileira o que fazemos, realmente, dentro dos muros das universidades. Aliás, poderíamos aprender a derrubar esses muros e construir mais pontes em seu lugar. Assim, cada vez que fôssemos atacados por governos ignóbeis seríamos mais bem defendidos por quem, afinal de contas, paga as contas – de água e de luz (muitas vezes desperdiçadas), das bolsas e dos salários dos “doutores” etc.

 

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