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21 de novembro de 2019
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: EDUCAÇÃO, QUEM PRECISA?

Giovani José da Silva
14 JUL 2019 - 10h20min

       Acompanho com sentida tristeza o recente noticiário nacional e observo comentários postados em redes sociais sobre o “buraco” em que nos instalamos nos últimos tempos. De um lado, gentes raivosas, defendendo a ferro e fogo seus “ídolos”/ “mitos” e de outro... Bem, do outro lado também vejo coisas das quais não gosto, como, por exemplo, piadas sobre a orientação sexual de certa pessoa pública, insinuações maledicentes que desqualificam qualquer debate sério sobre os rumos do país! Quem defende o bizarro, o grotesco e o inominável não tem o meu apreço e tampouco o meu respeito. Porém... Ah, sempre há um porém, também não vejo com bons olhos a ofensa, o palavrão, o duplo sentido, a falta de educação com desafetos. Não, caros leitores, eu não sou a “palmatória do mundo” e sequer me encontro em lugar privilegiado na fila do pão. De onde estou o que enxergo é uma sociedade que não consegue se ver no “espelho” de Heródoto, que se esquece que temos uma história de séculos de preconceitos (de cor, de estrato social, de tantos e tantos outros marcadores...) e que o vivido no presente é um “reflexo” deformado do tal “espelho”. Não sei vocês, mas eu tenho entre meus parentes, colegas e alguns conhecidos uma porção de gente tosca, que adoraria ter a chance de arrumar um “emprego” para filhos e apaniguados, que gostaria de enriquecer à custa do erário, que espera que o mundo cumpra as leis, enquanto ele/ ela pode infringi-las sem remorso ou dor na consciência. Como professor de História, desde 1992, sinto/ penso que eduquei mal os meus alunos, que não lhes ensinei o básico para a vida em uma sociedade saudável, que não os treinei (sim, é preciso “treino”) para o exercício pleno da cidadania. Hoje, no Ensino Superior, me deparo com jovens e adultos absolutamente ensimesmados, egocêntricos, que chegam às salas de aula com seus “potentes” aparelhos celulares (em quantas prestações a criatura quitará o tal “brinquedo”, se não for roubada antes mesmo de pagar tudo?) e fones de ouvido. Eles não querem te ouvir, não querem aprender, pois acham que já sabem de tudo ou, ainda, que tudo o que precisam saber se encontra na Internet. Não disfarçam o desprezo que têm pela figura do professor, um profissional que não goza de prestígio social e que, muitas vezes, não encontra respaldo para o seu difícil trabalho que é ensinar a uma horda de gentes semianalfabetas e que entraram pela porta dos fundos no fascinante mundo do consumismo, do hedonismo e do desperdício. Admiráveis para eles e elas são jogadores de futebol ou modelos de índole duvidosa. A falta de educação/ Educação está em todos os níveis e chega a todos os lugares: naqueles que desrespeitam as regras de trânsito, formando fila dupla enquanto esperam os filhos saírem da escola; nos que jogam lixo pelas ruas, calçadas, praças, estádios de futebol e outros lugares de uso coletivo/ público; entre os que ao invés de interagir com o professor e os colegas durante as aulas, com sede de aprender, passam o tempo todo conversando, rindo (de quem? Do professor?), alheios a tudo e a todos. E, ainda me perguntam se eu vejo esperanças de sairmos do tal “buraco”! Claro que vejo, mas não com a Educação que aí está (ou a falta dela). Não, não nos demos conta de que antes nem tudo estava melhor, pois a Educação Básica não recebeu/ recebe investimentos maciços e nem foi completamente universalizada em nosso país. Durante séculos não houve escolas para todos e agora que as temos verificamos que há aquelas para gentes “ricas”/ “importantes” e para gentes que nada valem (em geral, pretos, pardos e brancos pobres). Nossos professores em sua maioria recebem formação precária, muitos alunos abandonam as escolas e nem sequer sabemos quem são, uma vez que morrem demasiadamente jovens e viram apenas estatísticas, traduzidas em números frios e dilacerantes. Queremos, como professores de História, que nossos alunos se tornem cidadãos, mas o máximo que conseguimos foi lhes ensinar como o capitalismo triunfou e que agora estamos todos reduzidos à condição de consumidores. Alienados na busca frenética de nosso “precioso”, não importa de que forma se materialize (impossível esquecer a patética figura de Sméagol/ Gollum em O senhor dos anéis, de Tolkien), caminhamos para o precipício e nem nos damos conta de que vamos todos juntos. É assim que acontece, por exemplo, quando fazemos a piada, insinuando que aquele de quem não gostamos seja homossexual ou qualquer outra abominação. É assim, também, quando atiramos pedras nos ídolos/ mitos dos outros e nos esquecemos de que nossos próprios ídolos/ mitos têm pés de barro. Precisamos, pois, de mais Educação e menos “memes”...

 

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