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22 de maio de 2019
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: EM CUIABÁ

Giovani José da Silva
20 JAN 2019 - 23h12min

      Estou de volta à Cuiabá, capital de Mato Grosso, onde vivi e estudei há quase vinte anos. Naquele ano de 1999 trabalhava para a Prefeitura de Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul, e decidi me afastar por alguns meses, a fim de cursar Antropologia na Universidade de São Paulo – USP. Sentindo que ali não era o “meu lugar”, me mudei com a cara e a coragem para a capital mato-grossense, a fim de realizar o curso de Especialização em Antropologia: teorias e métodos, oferecido pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Foram sete meses de intensos estudos – de maio a dezembro – em que passei por poucas e boas, além de ter feito bonitas amizades que perduram até os dias de hoje. Tudo era muito novo para mim, que não conhecia ninguém até então na cidade. Um calor infernal, a falta de dinheiro (que me obrigou por vezes a fazer apenas uma refeição ao dia, que consistia em uma coxinha e um suco de laranja ou limão!), a convivência com pessoas estranhas em um apartamento que mais parecia um hospício: nada disso me demoveu do desejo de me tornar “antropólogo”. Mal sabia que dois anos depois, na época em que recebi o certificado de conclusão do curso, eu e meus colegas seríamos considerados tão somente “especialistas” na disciplina e não profissionais da área. Contudo, isso não impediu que eu realizasse trabalhos para a Fundação Nacional do Índio (Funai) e para o Ministério de Minas e Energia, especificamente no Programa Luz para Todos, em aldeias indígenas. Para a Funai, tive a honra de participar como antropólogo-coordenador do processo de identificação e de delimitação da Terra Indígena Baía dos Guatós, localizada entre os municípios de Poconé e de Barão de Melgaço e recentemente homologada pelo Governo Federal. Ainda que vivamos num momento histórico em que há sérias ameaças aos direitos de populações indígenas sobre os territórios já demarcados e a demarcar, a formação que obtive em terras cuiabanas me possibilitou prestar relevantes serviços ao meu país e às suas gentes. Na época, tive sérias dúvidas sobre o que pesquisar para a monografia, pois já tinha vivido um período de dois anos entre os Kadiwéu, de Porto Murtinho. Entretanto, ao entender (e levar ao pé da letra) que um antropólogo deveria tornar familiar o que lhe fosse estranho e estranhar o que lhe parecesse familiar, decidi procurar os “terra seca” de que ouvira falar tanto quando da convivência entre os Terena (1991-1995). Tratava-se dos Atikum, os “índios negros” que viviam em Mato Grosso do Sul, no município de Nioaque, em meio aos Terena e aos Kinikinau. As aulas de Edir, Joana, Fátima, Roberto, Aderval, Maria Inês, João Dal Poz e Renate, além das participações especiais de João Pacheco de Oliveira (UFRJ/ Museu Nacional) e de Roque de Barros Laraia (UnB), foram fundamentais para dar “corpo” ao meu trabalho final, intitulado Da terra seca à condição de índios “terra seca”: os Atikum em Mato Grosso do Sul. Dezenas de horas de entrevistas gravadas, leituras sem fim de textos clássicos e contemporâneos da Antropologia, contatos com a temática dos indígenas “emergentes” do Nordeste brasileiro me fizeram mais do que um “tropóligui” ou “tropologista” (como gostava de me chamar o senhor Aliano, líder Atikum). Em campo, aprendi as desventuras em série que um trabalho etnográfico pode propiciar a um novato e vivi experiências enriquecedoras e inesquecíveis. Sem a pretensão de esgotar um assunto tão vasto e complexo, escrevi a monografia enquanto realizava as inúmeras leituras exigidas por nossos professores, elaborava trabalhos de conclusão de disciplinas e ainda tentava dar conta das “cousas miúdas” do cotidiano. Não foram poucas as vezes em que, exausto e faminto, pensei em desistir de tudo e voltar para casa. O saldo de toda essa história? Extremamente positivo, levando-se em conta a amizade com Anna Maria e Zé Eduardo, o casal que me hospeda nesta semana em Cuiabá, além dos queridos Sérgio e Bernadete. Ao olhar para trás, há duas décadas, sinto que uma escolha aparentemente irresponsável e duvidosa se mostrou um acertado rumo que dei à minha carreira e à vida que se seguiu à realização do curso. Obrigado, Cuiabá!

 

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