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19 de Agosto de 2017
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: FIM DOS TEMPOS?

Giovani José da Silva
14 ABR 2017 - 14h45min

Tantos pedidos para eu me posicionar a respeito de tudo o que vem acontecendo no Brasil, ultimamente, e eu relutando para dizer/ escrever realmente o que penso, a fim de não ferir certas suscetibilidades e nem criar (mais) inimizades. Porém, vamos lá! Honestamente, vejo discussões tão polarizadas e bizantinas que, para mim, não chegam nem perto do cerne da questão. Afinal, o que me importa verificar quem roubou mais ou menos, quando começou a roubalheira, etc.? Fui ensinado a não roubar, fosse qual fosse o pretexto/ a necessidade/ a desculpa, assim como dona Gregoria me ensinou a não matar e me transmitiu outros ensinamentos que julgo importantes para seguir adiante a vida em sociedade. Então, quando vejo uns defendendo com unhas e dentes determinadas pessoas e outros atirando-lhes pedras, fico a pensar que não nos damos (ou não queremos dar) conta de que estamos, todos, no mesmo barco furado há tempos. Fim dos tempos? Eu realmente gostaria de acreditar que de todo esse lodaçal surgirá um Brasil melhor, mas quando vejo a defesa intransigente desta ou daquela figura pública como “salvadora da pátria”, seja à esquerda, centro ou direita, imagino que ainda vai demorar muito para despertarmos do sono em “berço esplêndido” ao qual estamos/ fomos acostumados. Nosso grau de despolitização atingiu níveis máximos e ainda ficamos discutindo de que lado queremos estar. Anuncio que não quero estar ao lado de gente que mata e/ ou rouba (mas faz; mas atende aos mais necessitados; mas criou políticas públicas como “nunca antes...”) e nem quero posar/ pousar em cima de qualquer muro ou, ainda, coadunar com ideias mofadas que lembram tristemente tempos sombrios de ditaduras, fossem elas de esquerda ou de direita. Tampouco farei coro aos que dizem que tempos bons eram os de “fulano” ou de “beltrano” no comando do país. Creio que enquanto nos comportarmos como torcedores de uma partida de FLA x FLU, enquanto nos perdermos em acusações de que o Outro é sempre o “ladrão, o mau, o feio” e os nossos, apesar de também “ladrões, maus e feios”, são melhores, pois têm suas justificativas para cometerem crimes (sim, estamos falando de crimes e não apenas de “condutas impróprias”, ok?) será difícil enxergar algo além das espessas sombras que cobrem a todos. Estou pouco (ou nada) interessado em saber quanto “cicrano” recebeu de propinas e mais (muito mais) interessado em saber quando nos perguntaremos como é possível “dar jeito” em um país tão perversamente desigual ou quando teremos ministros e secretários de Educação ou reitores de universidades que não se tornem/ se revelem estúpidos burocratas, para que juntos, sempre juntos, pensemos em outra Escola, uma que não roube/ mate as sensibilidades, as criatividades e as criticidades de crianças, adolescentes e jovens. Sim, porque enquanto nos indignamos com tudo o que está acontecendo, sempre atribuindo a culpa ao Outro e não assumindo nossas próprias responsabilidades nesse processo, ficará difícil enxergar luz capaz de dissipar as sombras e trazer mudanças efetivas. Nossa “ira de Facebook” é capaz de aliviar consciências por alguns momentos, mas não transforma realidades tão brutais e perversas. Como enxergar com mais nitidez o que está a minha volta, sem antes não lavar bem os olhos, retirando as travas que me impedem enxergar o Outro como possível aliado para a luta por uma sociedade brasileira justa e igualitária, e não como inimigo a ser massacrado/ exterminado? Sei que as posições que defendo levam muitos dos que me leem/ convivem comigo a pensar que me tornei um “pequeno burguês”, que não consegue se decidir por qual caminho tomar, ou que virou um “conservador”, a defender esta ou aquela ideologia. Lamento informar, mas o mundo em que vivo é tão complexo e cheio de matizes, que não me permito ter tantas convicções ou certezas. Na realidade, certezas apenas algumas: roubar, por exemplo, é errado e não há relativismo que me faça enxergar um crime como esse de outra maneira. Se roubou muito ou pouco; se roubou para si ou para outrem; se não viu quem roubou, mas se omitiu ou deixou/ permitiu que o fizessem, nada disso me importa saber, pois o estrago foi/ está feito! Gostaria de ver meu país menos (ou nada) polarizado em torno de determinadas figuras/ ideias e mais (ou totalmente) voltado para a discussão que a nós todos realmente interessa/ importa: quando deixaremos de ser o país “do jeitinho”, “da falcatrua”, “da mamata” e nos tornaremos, de fato, uma sociedade que se leva a sério e que respeita a todos, sem distinção? No fim dos tempos?

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