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12 de dezembro de 2018
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: HORQUETA, PARAGUAI ¡GRACIAS! AGUYJEVETE

Giovani José da Silva
10 MAR 2018 - 10h43min

            Estive em férias em parte do último mês de fevereiro e aproveitei alguns (poucos, é verdade) dias para visitar novamente Horqueta, a terra natal de meu avô materno, Francisco Aguilera, o sapateiro. Não, caros leitores, ele não consertava sapatos, mas os fabricava com esmero e dedicação, sendo famoso pelo ofício em toda a região durante os anos 1940-1970. Infelizmente, meu avô já não vive mais entre nós, tendo ido morar na terra dos sonhos, na aldeia da memória, há tempos. Dele restam lembranças por parte de minha mãe, dona Gregoria, e algumas informações esparsas, obtidas junto a parentes que ainda vivem no Paraguai. Horqueta é uma cidade paraguaia, sede do município pertencente ao Departamento de Concepción, situada a aproximadamente 50 km da cidade de Concepción, capital do Departamento. Possui uma população de 55.882 habitantes e sua economia é baseada, principalmente, na agricultura – algodão, feijão, mandioca e milho – e na pecuária. O nome da localidade se deve ao fato de que a mesma surgiu de uma encruzilhada (“cruce” ou “horqueta”, em Espanhol) de caminhos, chamada “Tape Horqueta”, lugar onde acampavam carretas depois de longas viagens. Ali nasceu uma bebê às vésperas do Natal de 1946 e que foi trazida para o Brasil ainda recém-nascida, por causa da guerra! A Guerra Civil paraguaia ou Revolução dos pynandi (em língua Guarani significa “pés descalços”) foi um conflito ocorrido no Paraguai entre março e agosto de 1947. Com a guerra, os Colorados tomaram conta de todo o país, desapropriando terras, saqueando bancos e dominando o cenário político. Assim, preparou-se a chegada ao poder de Alfredo Stroessner (1954-1989) e de sua longa ditadura. É calculado que mais de 30 mil pessoas, tanto civis como militares, emigraram para países vizinhos, especialmente para a Argentina, dentre eles políticos, estudantes, mulheres e intelectuais de renome. Meu bisavô, Eusebio Torres (argentino de Corrientes) não era político, tampouco intelectual de renome, mas sabia ler e escrever muito bem e se opôs às arbitrariedades do ditador Higinio Morinigo e de seus asseclas, promotores da Guerra Civil. Meus bisavós/ avós maternos e sua “grande família” fugiram de Horqueta em direção ao Brasil, via rio Paraguai, levando consigo poucos pertences e a esperança de dias melhores em Porto Murtinho, onde minha mãe foi criada e tornou-se brasileira! Horqueta é hoje uma cidade pequena, pacata, com muitas árvores e onde faz muito (muito mesmo!) calor. É considerada a “Capital Nacional del Ka’a He’e” (erva mate) pelos paraguaios, o que lhe confere certo charme interiorano. Ali ainda vivem parentes de minha mãe, os primos Pedro (“Tommy”) e Zunilda (“Muñeca”), filhos de tia Martina, a mais velha dentre os 14 filhos de Eusebio Torres e Evangelista Florentín. Revê-los e estar com eles é sempre bom, não apenas pelas lembranças que nos unem, mas especialmente pelo carinho com que tratam a mim e aos que me acompanham, além de uma deliciosa comida paraguaia (sopa paraguaia, chipa, chipa guasu, etc.). Pedro ou “Tommy” (seu apelido desde a infância), ourives, é casado com Luciana e com ela tem quatro filhos, sendo que alguns deles também já têm filhos. “Muñeca”, chamada carinhosamente por Claudio de “Dona Boneca”, está aposentada e mora só na cidade, enquanto seus dois filhos, já casados, vivem na capital do país, Assunção. Estivemos (eu, Giani e Claudio) em Horqueta para comemorar o “cumpleaños” de nossa prima Luciana e aproveitamos para celebrar o aniversário de minha irmã mais velha também! Mesa farta, boas companhias/ risadas e uma viagem cansativa, mas extremamente bem aproveitada, marcaram nossos dias calorentos em Horqueta. Oxalá que eu possa retornar para lá muitas vezes, reencontrar meus vivos e, também, (por que não?) meus mortos, celebrar a vida e a passagem daqueles que foram/ são responsáveis por minha existência. Aguyjevete Horqueta.

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