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24 de maio de 2019
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: JOSÉ CARLOS VALBÃO

Giovani José da Silva
12 JAN 2019 - 08h37min

      Como anunciado, pretendo encaminhar à coluna Histórias de admirar, de O Pantaneiro, mais textos sobre Educação ao longo deste ano. Isso inclui falar sobre os educadores e as educadoras que encontrei/ encontro ao longo da vida. Na semana que está acabando reencontrei meu professor/ instrutor dos tempos da Escola Senai “Hermenegildo Campos de Almeida”, localizada em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde estudei entre 1986 e 1987. O nome dele? José Carlos Valbão, um homem de seis décadas de vida, mais da metade delas passadas dentro da instituição onde eu o encontrei e me formei. Eu era um menino recém-saído dos 13 anos, órfão de pai, um tanto esquisito e antissocial. Meus melhores amigos eram livros e filmes e passava os dias a ler, a escrever e a sonhar com um futuro sem tantas dificuldades. Não queria ingressar no Senai, pois minha entrada significaria passar a estudar no período noturno e eu me sentia ainda muito “criança” para fazê-lo, pois estava na 7.ª série (atual 8.º ano). Contudo, não houve “jeito”: minha mãe, dona Gregoria, preocupada em não me deixar sem ter o que fazer o dia inteiro “decretou” que aquele seria o meu destino. E lá fui eu! O professor Valbão, como nós o chamávamos, era um jovem com menos de 30 anos, muito inteligente e assertivo. Nele, busquei a referência masculina que não encontrava na casa de muitas mulheres em que cresci e fui criado. Talvez não saiba da enorme importância que teve para aquele rapazote magrelo, com a cara cheia de espinhas, meio corcunda, de poucos amigos. Aliás, muitos de meus colegas não se conformavam com os laços de afeto e de respeito filial que eu tinha com o nosso professor. Alguns me chamavam de “Valbãozinho”, outros de “puxa-saco” ... Enfim, o fato é que eu me destacava dentre os alunos, com notas sempre altas, um comportamento impecável e uma disciplina rígida imposta a mim mesmo. Valbão, contudo, sabia que a Eletrônica não era o caminho que eu seguiria, pois naquela época eu já tinha um tom “professoral” e me destacava nas atividades artísticas desenvolvidas no Senai. Nem mesmo quando recebi os prêmios “Engenheiro Roberto Mange” e “Aluno Belzer”, oferecidos anualmente aos melhores alunos da instituição, eu o convenci de que seria um excelente profissional da área. O tempo, contudo, mostrou o quanto ele estava certo! Passados mais de 30 anos de nossos primeiros encontros em sala de aula (teoria) e em laboratório (prática) – nos cursos de Reparador de Componentes Eletrônicos (RCE) e de Reparador de Equipamentos Eletrônicos Industriais (REEI) – posso dizer com certeza que aquele jovem professor influiu decisivamente nos rumos que eu daria à minha vida profissional. Seus olhos brilhavam com os assuntos relacionados a diodos, capacitores, leds, resistores e isso me fez entender que eu deveria escolher um ofício que me proporcionasse a mesma sensação. Por isso decidi ser professor de História e de Língua Portuguesa/ Espanhol, antropólogo, historiador. As palavras do professor Valbão, de incentivo e, também, de críticas duras foram importantes para a construção do caráter daqueles “moleques” CP (Candidatos à “Peão”, de fábrica) que fomos um dia. Em nosso reencontro pudemos falar sobre o passado, o presente e o futuro que nos espera. Ele, aposentado e cheio de planos para continuar a trabalhar na formação educativa/ instrucional de jovens como um dia fui. Eu, pensando seriamente em deixar o ambiente acadêmico, libertar-me de certas amarras e alçar voos na dramaturgia de Teatro e de Televisão. O tempo passou para ambos, mas não consigo deixar de chamá-lo de “meu professor”. José Carlos Valbão foi um mestre em todos os sentidos para mim e, tenho certeza, para muitos de meus colegas daqueles tempos adolescentes. Educando-me, ajudando-me a encontrar caminhos para crescer, não apenas profissionalmente, mas também pessoalmente, ele foi importantíssimo para a minha formação intelectual, moral e ética. Eu, que fiquei órfão de pai ainda muito novo, tive a felicidade de encontrar em minha trajetória alguns homens que foram adotados por mim como meus “pais postiços”. Que bom que o tempo transcorrido, a distância física e o envelhecimento não nos afastaram e nem nos tornaram estranhos. Ao senhor, (desculpe, professor, mas não consigo chamá-lo por “você”!) os meus sinceros agradecimentos e a minha reverência a um dos profissionais mais competentes e a um dos homens mais dignos que conheci até hoje.

 

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