A edição digital do jornal O Pantaneiro é restrita para assinantes.Assine
25 de agosto de 2019
Anuncie Aqui
8830-->
Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: JOSÉ CARLOS VALBÃO

Giovani José da Silva
12 JAN 2019 - 08h37min

      Como anunciado, pretendo encaminhar à coluna Histórias de admirar, de O Pantaneiro, mais textos sobre Educação ao longo deste ano. Isso inclui falar sobre os educadores e as educadoras que encontrei/ encontro ao longo da vida. Na semana que está acabando reencontrei meu professor/ instrutor dos tempos da Escola Senai “Hermenegildo Campos de Almeida”, localizada em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde estudei entre 1986 e 1987. O nome dele? José Carlos Valbão, um homem de seis décadas de vida, mais da metade delas passadas dentro da instituição onde eu o encontrei e me formei. Eu era um menino recém-saído dos 13 anos, órfão de pai, um tanto esquisito e antissocial. Meus melhores amigos eram livros e filmes e passava os dias a ler, a escrever e a sonhar com um futuro sem tantas dificuldades. Não queria ingressar no Senai, pois minha entrada significaria passar a estudar no período noturno e eu me sentia ainda muito “criança” para fazê-lo, pois estava na 7.ª série (atual 8.º ano). Contudo, não houve “jeito”: minha mãe, dona Gregoria, preocupada em não me deixar sem ter o que fazer o dia inteiro “decretou” que aquele seria o meu destino. E lá fui eu! O professor Valbão, como nós o chamávamos, era um jovem com menos de 30 anos, muito inteligente e assertivo. Nele, busquei a referência masculina que não encontrava na casa de muitas mulheres em que cresci e fui criado. Talvez não saiba da enorme importância que teve para aquele rapazote magrelo, com a cara cheia de espinhas, meio corcunda, de poucos amigos. Aliás, muitos de meus colegas não se conformavam com os laços de afeto e de respeito filial que eu tinha com o nosso professor. Alguns me chamavam de “Valbãozinho”, outros de “puxa-saco” ... Enfim, o fato é que eu me destacava dentre os alunos, com notas sempre altas, um comportamento impecável e uma disciplina rígida imposta a mim mesmo. Valbão, contudo, sabia que a Eletrônica não era o caminho que eu seguiria, pois naquela época eu já tinha um tom “professoral” e me destacava nas atividades artísticas desenvolvidas no Senai. Nem mesmo quando recebi os prêmios “Engenheiro Roberto Mange” e “Aluno Belzer”, oferecidos anualmente aos melhores alunos da instituição, eu o convenci de que seria um excelente profissional da área. O tempo, contudo, mostrou o quanto ele estava certo! Passados mais de 30 anos de nossos primeiros encontros em sala de aula (teoria) e em laboratório (prática) – nos cursos de Reparador de Componentes Eletrônicos (RCE) e de Reparador de Equipamentos Eletrônicos Industriais (REEI) – posso dizer com certeza que aquele jovem professor influiu decisivamente nos rumos que eu daria à minha vida profissional. Seus olhos brilhavam com os assuntos relacionados a diodos, capacitores, leds, resistores e isso me fez entender que eu deveria escolher um ofício que me proporcionasse a mesma sensação. Por isso decidi ser professor de História e de Língua Portuguesa/ Espanhol, antropólogo, historiador. As palavras do professor Valbão, de incentivo e, também, de críticas duras foram importantes para a construção do caráter daqueles “moleques” CP (Candidatos à “Peão”, de fábrica) que fomos um dia. Em nosso reencontro pudemos falar sobre o passado, o presente e o futuro que nos espera. Ele, aposentado e cheio de planos para continuar a trabalhar na formação educativa/ instrucional de jovens como um dia fui. Eu, pensando seriamente em deixar o ambiente acadêmico, libertar-me de certas amarras e alçar voos na dramaturgia de Teatro e de Televisão. O tempo passou para ambos, mas não consigo deixar de chamá-lo de “meu professor”. José Carlos Valbão foi um mestre em todos os sentidos para mim e, tenho certeza, para muitos de meus colegas daqueles tempos adolescentes. Educando-me, ajudando-me a encontrar caminhos para crescer, não apenas profissionalmente, mas também pessoalmente, ele foi importantíssimo para a minha formação intelectual, moral e ética. Eu, que fiquei órfão de pai ainda muito novo, tive a felicidade de encontrar em minha trajetória alguns homens que foram adotados por mim como meus “pais postiços”. Que bom que o tempo transcorrido, a distância física e o envelhecimento não nos afastaram e nem nos tornaram estranhos. Ao senhor, (desculpe, professor, mas não consigo chamá-lo por “você”!) os meus sinceros agradecimentos e a minha reverência a um dos profissionais mais competentes e a um dos homens mais dignos que conheci até hoje.

 

Veja também

Mais Lidas

1
Policial

Homem de 35 anos é assassinado com quatro tiros ao lado de moto nos Altos de Anastácio

2
Policial

Maníaco da Capital matou esfaqueado jovem de 18 anos por ciúmes em Anastácio

3
Policial

Adolescente é apreendido após matar idoso e espancar homem na Capital

4
Policial

Sem CNH, homem é preso pilotando moto embriagado pelas ruas de Anastácio

Vídeos

Wild Camp reúne apaixonados por Kombi neste fim de semana em Camisão

Wild Camp reúne apaixonados por Kombi neste fim de semana em Camisão

Gaeco apreende 26 armas, munições e documentos que já estão na Delegacia de Aquidauana

Ver mais Videos

Previsão do Tempo

min22 max36

Aquidauana

Sol e aumento de nuvens de manhã. Pancadas de chuva à tarde e à noite.
min22 max36

Anastácio

Sol e aumento de nuvens de manhã. Pancadas de chuva à tarde e à noite.

Níveis dos Rios Hoje

Aquidauana
2,24m
Miranda
2,07m
Paraguai
3,52m

Colunas e Blogs

Valdemir Gomes

Cadê...

Raquel Anderson

Aquidauana

Fausto Matogrosso

ATÉ QUANDO?

Ver Mais Colunas

Guia Cidade

Escritórios Contabilidade

Escritório Modelo

Rua 7 de Setembro, 493 Centro - 79200-000 Aquidauana/MS (67)
Hotéis

Hotel Santa Izabel

Rua Manoel Aureliano da Costa, 674 Centro - 79200-000 Aquidauana/MS (67) 3241-3214 / Fax
Pizzarias

Fiorella Pizza

Duque de Caxias, 1171 - 79200-000 Aquidauana/MS (67) 3241 8172
Ver Mais
508110692