A edição digital do jornal O Pantaneiro é restrita para assinantes.Assine
15 de setembro de 2019
Anuncie Aqui
8834-->
Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: MOROS

Giovani José da Silva
14 JUN 2019 - 21h26min

      Não, caros leitores, antes que imaginem que eu me dedicarei a falar sobre certa figura pública que tem tomado as manchetes de jornais e revistas no Brasil e no mundo, já os acalmo, convidando-os à leitura da semana (fazia tempo que não escrevia para a coluna!) para além do título escolhido. Explico: Moros (Μόρος, em grego), na mitologia grega, era o deus da Sorte e do Destino, e, também, da Morte e das criaturas do Tártaro. O Tártaro, como se sabe, era a personificação do Mundo Inferior e nele se encontravam as cavernas e grutas mais profundas e os cantos mais terríveis do reino de Hades, o Mundo dos Mortos, para onde todos os inimigos do Olimpo eram enviados e castigados por seus crimes (eu escrevi crimes?). Moros, vejam só, era representado por uma entidade cega e segundo a Teogonia – obra de Hesíodo que nos conta como o mundo surgiu a partir dos primeiros deuses, além de seus amores e de suas lutas – era filho de Nix (deusa da Noite Profunda), sendo, portanto, considerado um Daemon, ou seja, uma espécie de gênio que modernamente é tomado como mau, muito mau. De Daemon deriva a palavra “daimôn”, termo do qual surgiu o vocábulo “demônio”... Por aí se vê que Moros não parecia um ser muito iluminado, podendo estar mais associado às trevas e às profundezas do que à luz e à transparência. Sem ver a quem reservava o futuro, o caráter do deus da Sorte e do Destino era o da inevitabilidade, o que significava, em outras palavras, que todos, deuses e mortais – e tudo o mais – estavam a ele subordinados. Quanto poder, hein? Os antigos gregos o imaginavam como tendo aos pés a Terra e nas mãos estrelas e um cetro, a demonstrar toda a sua superioridade sobre os outros. Em outras alegorias, trata-se de uma roda, presa por uma corrente, sob uma rocha e com duas cornucópias, ilustrando a inflexibilidade do deus. Representativo da própria fatalidade, o Destino ditaria os acontecimentos, e até mesmo Zeus – o maior de todos os deuses do Olimpo – não poderia evitá-lo. Que coisa! As leis de Moros encontravam-se registradas por escrito em um livro, cujo acesso, ainda que possível, somente ocorreria de maneira obscura, por meio dos oráculos e de suas pitonisas, sacerdotisas que tentavam, muitas vezes em vão, prever a Sorte e o Destino dos comuns. Moros também poderia ser chamado de Aeon (tempo eterno) e havia aqueles que o consideravam esposo de Ananque, a personificação do Destino, da necessidade inalterável. A esposa de Moros/ Aeon costumava ser representada por uma serpente, simbolizando, assim, o início do Cosmos. Juntos, o casal formara o ovo primordial de matéria sólida, trazendo a criação do universo ordenado. Seria o ovo da serpente? Também era representada por uma figura portando uma tocha ou um fuso, como a representação da Moira (Destino). Por falar nela, Moros e Ananque eram os pais das Moiras (chamadas de Parcas, na mitologia romana). As Moiras (em grego: Μοῖραι ) eram as irmãs que determinavam o Destino, tanto dos deuses, quanto dos seres humanos. Mulheres lúgubres, assim como seus pais, eram responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida. Durante os trabalhos, as Moiras faziam uso da Roda da Fortuna, o inevitável tear utilizado para criar as tramas a partir dos fios. A narrativa mitológica principal relacionada a Moros é aquela em que ele roubou (eu escrevi roubou?) três das flechas de Eros – deus do Amor e do Erotismo – e passou parte de sua energia para elas, escondendo-as no mundo mortal. A narrativa conta que se tais flechas fossem disparadas ao mesmo tempo, em conjunto e do mesmo arco, provocariam a volta ao tempo do Caos, avô materno/ paterno de Moros, fazendo com que tudo começasse novamente. As flechas ficaram conhecidas, então, como Flechas do Destino: uma delas estaria no Templo de Eros, outra no templo perdido de Moros e a terceira presa em alguma árvore do mundo dos mortais. Ah, se por acaso fossem disparadas separadamente, teriam o poder de fazer a memória de alguém voltar alguns éons – imensurável período de tempo, quase uma eternidade – na história. Onde estariam essas flechas? Haveria a chance de serem encontradas e simultaneamente disparadas, a fim de retornarmos ao início de tudo? A força antiga e obscura que manifesta a vida por meio da cisão dos elementos, representada por Caos, prevalecerá entre nós? Moros tem as respostas, mas elas podem ser tão obscuras quanto à própria figura do deus da Sorte e do Destino. Que triste destino, que sorte atroz...

P. S.: As informações aqui registradas contaram com a memória do colunista, que desde menino ama ler mitologia grega, além de algumas correções feitas a partir de diferentes textos da Internet, notadamente da Wikipédia.

 

Veja também

Mais Lidas

1
Aquidauana

Mãe entra em contato com O Pantaneiro para saber paradeiro de filho

2
Policial

‘Valentão’ tira a camisa e parte para cima de policiais dizendo que é advogado

3
Policial

Foragido espanca esposa na qual já deu tiro no olho e é preso em flagrante

4
Aquidauana

Bazar da Manu acontece neste sábado no salão da Nossa Senhora das Dores

Vídeos

Celebração de casamento é marcada por cerimônia tradicional de cultura africana

Mulheres tentam entrar em presídio de Dois Irmãos do Buriti com celulares dentro de TVs

Com dedicação e disciplina, Marcos Henrique conquista 1º contrato profissional

Ver mais Videos

Previsão do Tempo

min21 max39

Aquidauana

Sol com algumas nuvens. Não chove.
min21 max39

Anastácio

Sol com algumas nuvens. Não chove.

Níveis dos Rios Hoje

Aquidauana
2,23m
Miranda
1,90m
Paraguai
3,03m

Colunas e Blogs

Valdemir Gomes

É...

Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: O QUE TEMOS A COMEMORAR EM MAIS ...

José Pedro Frazão

A última batalha do Analista de Taunay

Ver Mais Colunas

Guia Cidade

Supermercados

Mercado e Açougue Vale Verde

Antonio João esquina com Rua dos Ferroviários, - 79200-000 Aquidauana/MS (67)
Escolas de Línguas

Escola Inglês e Espanhol - PBF

Rua 15 de Agosto, 114 - 79200-000 Aquidauana/MS (67) 3241 4633
Auto Elétrica/Oficinas

Auto elétrica Centro Aquidauana

Assis Ribeiro, 506 Bairro Alto - 79200-000 Aquidauana/MS (67) 3241 5932
Ver Mais
508510754