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20 de janeiro de 2020
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: MOROS

Giovani José da Silva
14 JUN 2019 - 21h26min

      Não, caros leitores, antes que imaginem que eu me dedicarei a falar sobre certa figura pública que tem tomado as manchetes de jornais e revistas no Brasil e no mundo, já os acalmo, convidando-os à leitura da semana (fazia tempo que não escrevia para a coluna!) para além do título escolhido. Explico: Moros (Μόρος, em grego), na mitologia grega, era o deus da Sorte e do Destino, e, também, da Morte e das criaturas do Tártaro. O Tártaro, como se sabe, era a personificação do Mundo Inferior e nele se encontravam as cavernas e grutas mais profundas e os cantos mais terríveis do reino de Hades, o Mundo dos Mortos, para onde todos os inimigos do Olimpo eram enviados e castigados por seus crimes (eu escrevi crimes?). Moros, vejam só, era representado por uma entidade cega e segundo a Teogonia – obra de Hesíodo que nos conta como o mundo surgiu a partir dos primeiros deuses, além de seus amores e de suas lutas – era filho de Nix (deusa da Noite Profunda), sendo, portanto, considerado um Daemon, ou seja, uma espécie de gênio que modernamente é tomado como mau, muito mau. De Daemon deriva a palavra “daimôn”, termo do qual surgiu o vocábulo “demônio”... Por aí se vê que Moros não parecia um ser muito iluminado, podendo estar mais associado às trevas e às profundezas do que à luz e à transparência. Sem ver a quem reservava o futuro, o caráter do deus da Sorte e do Destino era o da inevitabilidade, o que significava, em outras palavras, que todos, deuses e mortais – e tudo o mais – estavam a ele subordinados. Quanto poder, hein? Os antigos gregos o imaginavam como tendo aos pés a Terra e nas mãos estrelas e um cetro, a demonstrar toda a sua superioridade sobre os outros. Em outras alegorias, trata-se de uma roda, presa por uma corrente, sob uma rocha e com duas cornucópias, ilustrando a inflexibilidade do deus. Representativo da própria fatalidade, o Destino ditaria os acontecimentos, e até mesmo Zeus – o maior de todos os deuses do Olimpo – não poderia evitá-lo. Que coisa! As leis de Moros encontravam-se registradas por escrito em um livro, cujo acesso, ainda que possível, somente ocorreria de maneira obscura, por meio dos oráculos e de suas pitonisas, sacerdotisas que tentavam, muitas vezes em vão, prever a Sorte e o Destino dos comuns. Moros também poderia ser chamado de Aeon (tempo eterno) e havia aqueles que o consideravam esposo de Ananque, a personificação do Destino, da necessidade inalterável. A esposa de Moros/ Aeon costumava ser representada por uma serpente, simbolizando, assim, o início do Cosmos. Juntos, o casal formara o ovo primordial de matéria sólida, trazendo a criação do universo ordenado. Seria o ovo da serpente? Também era representada por uma figura portando uma tocha ou um fuso, como a representação da Moira (Destino). Por falar nela, Moros e Ananque eram os pais das Moiras (chamadas de Parcas, na mitologia romana). As Moiras (em grego: Μοῖραι ) eram as irmãs que determinavam o Destino, tanto dos deuses, quanto dos seres humanos. Mulheres lúgubres, assim como seus pais, eram responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida. Durante os trabalhos, as Moiras faziam uso da Roda da Fortuna, o inevitável tear utilizado para criar as tramas a partir dos fios. A narrativa mitológica principal relacionada a Moros é aquela em que ele roubou (eu escrevi roubou?) três das flechas de Eros – deus do Amor e do Erotismo – e passou parte de sua energia para elas, escondendo-as no mundo mortal. A narrativa conta que se tais flechas fossem disparadas ao mesmo tempo, em conjunto e do mesmo arco, provocariam a volta ao tempo do Caos, avô materno/ paterno de Moros, fazendo com que tudo começasse novamente. As flechas ficaram conhecidas, então, como Flechas do Destino: uma delas estaria no Templo de Eros, outra no templo perdido de Moros e a terceira presa em alguma árvore do mundo dos mortais. Ah, se por acaso fossem disparadas separadamente, teriam o poder de fazer a memória de alguém voltar alguns éons – imensurável período de tempo, quase uma eternidade – na história. Onde estariam essas flechas? Haveria a chance de serem encontradas e simultaneamente disparadas, a fim de retornarmos ao início de tudo? A força antiga e obscura que manifesta a vida por meio da cisão dos elementos, representada por Caos, prevalecerá entre nós? Moros tem as respostas, mas elas podem ser tão obscuras quanto à própria figura do deus da Sorte e do Destino. Que triste destino, que sorte atroz...

P. S.: As informações aqui registradas contaram com a memória do colunista, que desde menino ama ler mitologia grega, além de algumas correções feitas a partir de diferentes textos da Internet, notadamente da Wikipédia.

 

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