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22 de agosto de 2019
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: SABOROSAS MEMÓRIAS

Giovani José da Silva
9 MAR 2019 - 21h33min

         Estou em Assunção, capital do Paraguai, desde ontem – dia 08 de março – e um turbilhão de emoções e de sentimentos bons me invade todos os sentidos: audição, olfato, paladar, tato e visão (além da cinestesia) encontram-se absurdamente estimulados e mobilizados! Cresci em uma oficina de costura, em meio a mulheres fortes, de origens indígenas/ paraguaias/ argentinas e aqui, na terra de meus ancestrais maternos, tudo ou quase tudo me fala ao coração, remetendo àqueles tempos em que ouvia conversas em Guarani, misturado ao Espanhol (“entonces”, “pero”, etc.), e me encantava com as doces e benditas palavras estranhas/ estrangeiras. Das cozinhas de minhas tias (na verdade, tias-avós) vinham os cheiros da boa comida paraguaia, traduzindo intenso sentimento de pertença a um povo mestiço, historicamente “mezclado” e que tem uma língua indígena como um de seus idiomas oficiais. Sopa paraguaia, mbeju, chipa, locro, vori vori, chipa so’o, chipa guazu, tortilha, pastel coguá, empanada: só de me referir a essas delícias já fico salivando! Além de comer bem e fartamente, aqui também provo bebidas “muy” saborosas: cocido (que pode ser “negro” ou “con leche”) e clericó (que muitos chamam de “ponche” ou “sangria” em outros lugares). Gosto especialmente do cocido queimado, feito com brasas de carvão, que é elaborado com erva-mate e açúcar. O gosto, tão característico, me transporta para outros tempos, na casa de tia Geronima, em Jardim, Mato Grosso do Sul, de onde saíam as mais deliciosas iguarias, feitas em fogão à lenha sempre com muito carinho e zelo. De tia Julia guardo em minhas lembranças gustativas a tortilha paraguaia, um bolinho frito, de trigo. Como esquecer a chipa tradicional (prefiro sem erva doce!), feita por tantas mulheres incrivelmente habilidosas na arte de moldar “palomitas” (pombinhas) e outras formas, como tia Antonia e tia Irene? Minha mãe prepara até hoje uma chipa saborosíssima e com ela já aprendi a cozinhar a sopa paraguaia (que não é líquida!) tradicional e, também, a recheada com carne desfiada (sopa so’o). Estando aqui na capital paraguaia não poderia deixar de olhar a tudo e a todos sem me recordar de onde parte de minha família veio e o porquê de terem deixado o Paraguai. A terrível Guerra Civil de 1947 provocou muitas mudanças – políticas, econômicas, sociais – em todo o país e, especialmente, na região de Concepción, onde moravam meus avós/ bisavós Euzebio e Evangelista e a numerosa família que já formavam naquela época. A necessidade de sair do país fez com que meus familiares viessem para a fronteira, em Porto Murtinho, então sul de Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul. Com eles vieram os costumes, as línguas, jeitos de ser próprios de quem é daqui. Assim, as comidas atravessaram o rio Paraguai e nos alimentaram de sabores e sonhos, de saberes ancestrais e esperanças no futuro. Sinto-me honrado por ter origens no Paraguai e não gosto quando ouço piadas depreciativas do nosso país vizinho (“mais falso que whisky paraguaio” ou “correu tanto e cansou como um cavalo paraguaio”). Muitos pensam que o Paraguai seja apenas a terra da “muamba”, do “contrabando” e que pelas ruas da capital, inclusive, se encontre um imenso “camelódromo”. Nada mais falso! Quando venho para cá gosto de andar pelas ruas, encontrar gentes, ouvir Guarani/ Espanhol com forte sotaque e, especialmente, saborear as delícias da boa mesa, tais como arroz kesu e milanesa de carne com mandioca. Ah, caros leitores, para finalizar o extenso cardápio, sugiro uma crema (ou leche crema) como sobremesa. Se vocês ficaram curiosos para conhecer os pratos e bebidas aqui citados, sugiro uma pesquisa acurada na Internet, além de uma visita ao país “hermano”, em que não faltarão histórias cativantes e muitos, muitos sabores!  

 

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