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Rev. Vivaldo Melo

Judas Iscariotes não traiu Jesus?

Uma palavra sobre o evangelho de Judas e outros textos apócrifos *Rev. Vivaldo da Silva Melo Não são poucas as tentativas de desacreditar o cristianismo ao longo dos séculos. Hoje a chamada mídia secular parece ser o instrumento mais usado com esse...

dothCom Consultoria Digital
6 JUN 2011 - 00h00min

Uma palavra sobre o evangelho de Judas e outros textos apócrifos

*Rev. Vivaldo da Silva Melo

Não são poucas as tentativas de desacreditar o cristianismo ao longo dos séculos. Hoje a chamada mídia secular parece ser o instrumento mais usado com esse objetivo. A propaganda e especulações anti-cristãs, voltadas quase sempre contra a Igreja Católica Romana mas que atinge aos protestantes tem sido permanente, fazendo do cristianismo o grupo humano certamente mais visado por outros grupos estabelecidos. Exemplos não faltam. Quando da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, antes mesmo que seu conteúdo fosse conhecido, setores da imprensa profetizaram que o cristianismo estaria com os dias contados. E o que aconteceu? Tal conteúdo na verdade veio apenas confirmar a integridade e autenticidade do chamado texto massorético do Antigo Testamento. Mais recentemente surgiram as ilações do livro O Código da Vinci, que se vale de textos apócrifos para tentar construir uma tese anárquica sobre Jesus. E assim por diante...

Nas últimas semanas os opositores do cristianismo voltaram a se regozijar. Grande parte da mídia tem tentado dar um efeito bombástico à tradução de um manuscrito copta do século IV, que supostamente conteria uma tradução do evangelho apócrifo de Judas, cuja origem é estimada em meados do século II. Por este documento, supostamente do século II, a história bíblica de Judas Iscariotes teria que ser repensada e muitos dos conteúdos bíblicos reescritos. Um de meus sermões - "Judas, o próximo distante" - precisaria ser reescrito, afinal Judas não teria traído Jesus por 30 moedas de prata. Teria, outrossim, sido um discípulo privilegiado, encarregado da difícil missão de sacrificar o filho de Deus para ajudar sua essência divina a escapar da prisão do corpo e elevar-se ao espaço celestial. Também não teria cometido suicídio. Mas, simplesmente partido para uma região desértica, onde teria terminado seus dias, após a morte de Jesus Cristo.

Em meio às inúmeras opiniões externadas pelos estudiosos bíblicos sobre essa tradução, importante observar a de seu valor histórico, não pela razão pretendida, ou seja, colocar em dúvida o Judas histórico, reproduzido pelas Escrituras. Esse manuscrito contribui para a nossa compreensão do gnosticismo e da seita dos cainitas, autora do documento. Foi neste contexto que o mesmo surgiu. Daí a importância de ninguém se assustar, conforme lembra-nos Augustus Nicodemus, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, pensando que essa tendência da mídia moderna é um fenômeno atual. Lembra-nos que desde os primórdios do cristianismo, escritores pagãos como Celso e Amiano Marcelino publicam material atacando as Escrituras e o cristianismo. "A ignorância dos articulistas, o preconceito anticristão, a busca do sensacionalismo, tudo isso contribui para que a publicação do manuscrito copta receba uma atenção muito maior que a devida", enfatiza. Neste sentido é importante também lembrar que o evangelho de Judas na verdade é outro documento. E já é um velho conhecido da Igreja cristã. Elaborado em meados do século II, provavelmente na língua grega, era conhecido de Irineu, um dos pais apostólicos. Na sua obra "Contra as Heresias", Irineu o menciona explicitamente, como sendo uma obra espúria, produzida pelos gnósticos da seita dos Cainitas. No século V o bispo Epifanio critica esse evangelho, por tornar o traidor em um feitor de boas obras. O documento agora traduzido e que está sendo "venerado" por alguns segmentos que rechaçam o cristianismo é posterior, datado do século IV. Sua anterioridade é pura especulação. Tem em comum com o chamado "Evangelho de Judas" exatamente o vínculo com uma seita que era especialista em reabilitar personagens bíblicas malignas, como Caim, os sodomitas e Judas. Não estranha, portanto, que o texto reabilite Judas, transformando-o em herói.

Tranqüilizem-se, portanto, os cristãos. Os evangelhos continuam sendo as únicas fontes autoritativas das verdades cristãs. Judas Iscariotes traiu Jesus sim e continua sendo mestre maior de uma escola formada por milhões de pessoas que vêem mas não enxergam as verdades absolutas reveladas nas Escrituras. Esse não será o primeiro nem o último ataque ao cristianismo. E a cada um, ele se fortalece e se impõe como uma religião firmada em alicerces irrefutáveis.

*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Email:
pvhvivaldo@hotmail.com

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