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11 de julho de 2020
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Maria de Lourdes Medeiros Bruno

“Não importa a distância que nos separa, se há um céu que nos une”

Maria de Lourdes Medeiros Bruno
12 AGO 2019 - 07h46min

Eis uma história de irmãs separadas...envolvidas também em outras histórias, com outros irmãos e irmãs, mas o momento é o das três irmãs: Tamires, Neuza e Jane (hoje, morando em João Pessoa).

Separadas foram...por atos, fatos e situações do não encantamento familiar e as dores maternas das perdas, ressurgiram na mãe, a bela mulher que não foi a personagem dos contos de fadas, mas continuou bela e envolvida no sofrimento da mãe solitária, mas forte diante da inexorabilidade de um  destino  com a ausência dos bens materiais, mas a beleza   feminina superou  uma palavra cruel que atende pelo nome de preconceito. Mulheres, assim vividas e cercadas de ausências são voluntariosas e destemidas. Não suportam a palavra medo. Vivem.

E, no tempo da vida, surgiu  um homem que a acolheu...mas esse mesmo tempo também a separou deste mesmo homem. E assim, ele, se afastou e levou a filha de nome Jane ( hoje com uma família muito bonita)...por momentos circunstanciais a deixou  doente e frágil em um hospital sem perspectivas , mas a força feminina foi maior que a dor da separação. E esse mesmo,   ser  indefeso sobreviveu. Superou a dor. A febre e a involuntária solidão materna.

E o tempo, esse “tecido invisível”, bordou tudo que podia bordar...conduziu e costurou ao seu prazer e gosto. O tecido era seu e único...E ao  bordar deixou transparecer a coragem da bela mulher, a mãe, de uma têmpera que só a natureza soube trabalhar e ao trabalhar mostrou a genética, nestas 3 jovens Tamires, Neuza e Jane que, embora distantes, com profissões e   pais diferentes queriam se ver, se conhecer e se encontrar num espaço pantaneiro único tendo a principal testemunha o semblante  materno abençoando, porque já fez o famoso e inesperado ritual de passagem em 2012, mas mesmo assim a presença espiritual é inexplicável...   

E a mãe de muitos filhos, teve ao seu lado Neuza,  a filha anjo da guarda, o que esteve sempre ao lado dos pais! E  mesmo fragilizada soube acompanhá-los, protegida pela caçulinha Tamires, (hoje com 31 anos), engenheira agrônoma, trabalhando em São Gabriel do Oeste e vindo do Paraná para estar ao lado desta irmã amada ,  dando-lhe mais segurança e força.

Mas o destino, sempre foi onipotente e brincalhão e fez da existência desta bela e jovem mulher amada, sofrida e com muitos filhos um carrossel de relacionamentos que não girava mecanicamente e sim pela força do amor e da sobrevivência!  

E neste carrossel, a existência desta mãe, de nome Cesília, começou em Barretos, anos 50, datas do coração, pois nasceu lá. Foi  trabalhar numa fazenda em Guiratinga (MT), a imensidão do pantanal atravessa as fronteiras geográficas e existenciais. E no tempo vivido a dor e a tristeza faziam parte também deste giro, já  com  filhos...mas ao sair da fazenda onde o destino já a forçava ao abandono, não levou todos...alguns ficaram para trás...eis a imposição da carência e da fragilidade feminina, pois casou-se aos catorze anos....E aí surgiu a mãe nova e desprotegida, em tempos  já transportados pelo carrossel do mundo ...

E neste brinquedo das existências a  bela  mulher jovem chegou em Coxim, após  maltratos  e abusos,

conheceu o que pode ser chamado “o grande amor da  vida de um homem”, já pelos idos de 1977.

 E assim, neste passado tão próprio que Cesília conheceu Adélio, funcionário público e solteiro que apaixonou-se pela jovem e bela mulher da pele morena da cor pantaneira, com filhos de outros relacionamentos, casando-se com ela e registrando os que não eram seus. Seus, do novo relacionamento, apenas 2: Dênis e Tamires. E com ele ficou...

O famoso e conhecido amor incondicional, apresentou-se levando a 35 anos de relacionamento, com  perdas e ganhos, mas permaneceu com ele. Viveu e ao acrescentar o verbo viver, imagina-se tudo. Completamente tudo! E já, no seu leito de morte, Adélio confessou que Cesília foi o grande amor da sua vida, porque desafiou a família sendo a bela jovem empregada doméstica na sua casa, que no giro do carrossel passou a ser a esposa e o amor  da sua vida!

Assim se vive uma poesia fazendo uso das palavras;

“Tudo nela é bonito/Tudo nela é verdade/E com ela acredito na felicidade” (Roberto Carlos)

Mas, existem as datas fatais diante do tempo “que é a vida de morte”...em 1998, a perda de uma filha, adotada por uma outra família; 2002 ...2004...2009...sucessivas e dolorosas perdas agravaram o estado de saúde desta bela mulher forte que enfrentou separações, encantos e desencantos. Filhos próximos e distantes por força de uma fragilidade imposta pela própria vida com muitas carências, mas com uma garra das mulheres que sabem guerrear sem perder a dignidade e o amor próprio! E em 2012 veio a falecer, mostrando que ao fazer o seu ritual de passagem realizou a missão dura e persistente da mãe que mesmo sofrendo as maiores carências e  separações  soube como provar  aos seus o verdadeiro e bravo ato de viver!      

E o exemplo do verdadeiro e bravo ato de viver materno e paterno, se revelou na constante busca de cada irmão e irmã e se concretizou através da tecnologia e da famosa e conhecida frase: “Em busca do tempo perdido”, porque “Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem”, e a possibilidade já iniciada do encontro da Jane, com a irmã Tamires (iniciado virtualmente em 2017),  agora com o grande momento chegando  não só de  abraços, confidências e corações  e com mais  irmãos tornou-se o sentido de vidas, até então separadas! 

É o famoso “Encontro Marcado”, não das crônicas e dos contos, mas da vida, do tempo de duas almas com múltiplas e variadas histórias de amor e separações e superações, tristezas, mas também de muitas alegrias!

E diante dos momentos, muitas emoções, com as mágicas palavras: “Eu tenho tanto para lhe falar como é grande o meu amor por você” (Roberto Carlos)

MARIA DE LOURDES MEDEIROS BRUNO

Bibliografia:

DRUMMOND, Andrade de. https://www.pensador

LEMOS, Carlos, Dirce Riedel, Ivo Barbiéri,Therezinha Castro.Literatura Brasileira em Curso.Que Fazer do Relógio. 2ª   edição.Bloch Editora.1968.

Foto: Tamires

 

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