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Rev. Vivaldo Melo

Políticos corruptos ou poder que corrompe?

Uma generalização perigosa foi incorporada a nossa cultura, nos últimos anos, por conta dos escândalos verificáveis na política, a de que os políticos são corruptos. Podemos até concordar que muitos políticos brasileiros são corruptos ou até a maioria....

dothCom Consultoria Digital
6 JUN 2011 - 00h00min

Uma generalização perigosa foi incorporada a nossa cultura, nos últimos anos, por conta dos escândalos verificáveis na política, a de que os políticos são corruptos. Podemos até concordar que muitos políticos brasileiros são corruptos ou até a maioria. É possível, contudo, que alguns sejam honestos. Precisamos acreditar nisto, para não perdermos as esperanças em um futuro melhor para nossos filhos.

Mas, como saber se um político é honesto ou não? Alguns entendem que só Deus o sabe, pelo atributo da onisciência que lhe é inerente. Ou seja, somente Ele conhece com profundidade o coração do homem. Fora isto, poderia ajudar o aparelho inventado pelo professor Pardal, personagem de Walt Disney, capaz de detectar a verdade, no íntimo, de cada um. Quando o testou, o simpático personagem ficou arrasado, e não poderia ser diferente. Como isto é peça de ficção, restam alguns parâmetros não absolutamente seguros, mas que podem ajudar aqueles que, como eu, andam inconformados com a constatação de que muito dinheiro cai no ralo da corrupção em nosso país, enquanto setores vitais continuam sofrendo com a falta de recursos. Quem sabe um velho adágio contribua para descobrirmos "quais políticos" são confiáveis no que diz respeito a honestidade. O "diga-me com quem andas e direi quem és" esconde uma verdade prática irrefutável. Pensemos, portanto, nos amigos de muitos de nossos governantes, revelados à cada escândalo. Podem os mesmos ser enquadrados num padrão mínimo de decência, ética e moral? Uma prestação de contas mais transparente também pode revelar o grau de incorruptibilidade de um governante. Obras e projetos hiper-faturados sempre apontam para a existência de beneficiados. As declarações de patrimônio também deveriam se enquadrar nesta perspectiva, pois não existe explicação lógica para as riquezas que muitos políticos obtêm ao longo da vida pública, de forma observável ou não, já que muitos se valem dos chamados "laranjas" para evitar o julgamento público. Neste último caso os exemplos produzidos por nossa cultura política são impressionantes, sendo dignos de serem roteirizados numa grande comédia. A mais recente é a estatística captada por auditoria nas contas de um político: suas vacas dão cria 24 horas por dia. Espantado com essa constatação, um jornalista chegou a escrever: "haja capim e gente besta" para acreditar na honestidade do investigado.

Creio que o grande problema da política é a atração que o poder exerce sobre a maioria dos que se engajam na vida pública. Quantas histórias conhecemos! Há um modelo comum. O cidadão era trabalhador, honesto, e resolveu entrar na militância política. O que se verifica, a partir daí, em muitos casos, é o começo de uma nova história. Mendonça Neto, no Jornal Extra, nos fornece um exemplo pertinente quando fala do presidente do Senado, Renan Calheiros. Na década de 70, do século passado, Renan era um menino ingênuo, em Murici, no Alagoas, quando resolveu dar os primeiros passos na política. Acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar. Teria começado muito bem, "até que", já famoso, aproximou-se de Fernando Collor e sua turma. Filho de pai humilde, que trabalhava na cana para custear a educação dos filhos, sonhou em lutar contra o poder dos usineiros. A partir desta aproximação, contudo, chegou ao ponto de ter sua campanha patrocinada por um deles, João Lyra. A história de Renan nunca mais foi a mesma. Não existindo valores sólidos, qualquer homem se corrompe. Como na vida pública as facilidades são maiores, especialmente para o enriquecimento ilícito, a história de muitos começa com um desejo sincero de servir ao povo e envereda-se para o desejo odioso de servir a si próprio. O sistema de valores da sociedade alienada de Deus atrai o homem para o desejo de ter, de possuir, de buscar muito mais seus interesses do que as necessidades do próximo. Não é um mal de Renan. É um problema do fascínio que o poder exerce sobre o chamado homem natural. Desde que ter é mais importante do que ser, não importam os meios. E assim os homens criam cada vez mais modalidades novas para extorquir. O problema da corrupção na vida pública, portanto, tem relação direta com a ausência de valores. E, mais que isto, ausência de Deus no coração de muitos que nos governam.

O Autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Pós graduado em Ciências da Religião
Visite o site:
www.ipbaq.com

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