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Rev. Vivaldo Melo

Recado para os que "roubam, mas fazem..."

Os escândalos de corrupção se tornaram tão comuns no Brasil ao longo dos tempos, que a indignação popular com a classe política tem se tornado cada vez menor. O famoso axioma "rouba, mas faz", definitivamente incorporou-se a nossa cultura como...

dothCom Consultoria Digital
6 JUN 2011 - 00h00min

Os escândalos de corrupção se tornaram tão comuns no Brasil ao longo dos tempos, que a indignação popular com a classe política tem se tornado cada vez menor. O famoso axioma "rouba, mas faz", definitivamente incorporou-se a nossa cultura como plenamente aceitável. Estamos perdendo a vergonha. Chegamos aos dias profetizados por Rui Barbosa num de seus discursos famosos. E como ninguém vai para a cadeia por muito tempo, devido aos meandros da lei, e como quase nada é devolvido do que se rouba nos vários projetos de iniqüidade que são tramados à portas fechadas e com a conivência de uma multidão que se alimenta do processo, proliferam-se os "Zuleidos", que compõem com os "anões", com a galera do "mensalão" e dos "sanguessugas", um exército respeitável de delinqüentes de luxo. São tão poderosos, que conseguem a anuência de setores que deveriam representar um reduto de dignidade e honestidade, no meio dessa lama toda. Além dos políticos, magistrados, policiais e até religiosos têm entrado na dança maquiavélica do toma lá da cá, em troca de benefícios como cargos, recursos, facilitações, etc.

Esse cenário tem produzido situações que seriam hilárias, não fossem tão vergonhosas. Como não se lembrar das justificativas apresentadas para o dinheiro encontrado na cueca de um cidadão? E daquelas usadas por um líder religioso inteligente, conhecido, para os dólares não declarados encontrados no meio da Bíblia? E de tantos flagrados em diálogos telefônicos, que brincam com nossa inteligência, dizendo que não estavam dizendo "isto" ou "aquilo"? E da reação da classe política, quando finalmente certos fatos se tornam injustificáveis, com um "Oooooooohhhhh!" enfático, mostrando "espanto" com coisas que todos sabem?

É, perdemos a vergonha como cidadãos. Perdemos a capacidade de indignação. Talvez por isto um comerciante espantou-se, outro dia, quando uma cidadã devolveu uma importância não muito significativa que lhe foi entregue a mais "na hora do troco". E o pior é que a institucionalização da malandragem gera outras posturas lamentáveis. É o caso do cidadão que encontrou um aparelho celular num Restaurante da cidade e negociou a devolução quando soube do valor estimativo do objeto. Afinal, somos o povo do jeitinho, que acostuma-se cada vez mais a levar vantagem em tudo, do ágio exorbitante, etc. O mal exemplo de cima, justifica uma infinidade de anomias no cotidiano comum. E, mais a frente, quando novos processos eletivos acontecerem, em todas as esferas, muitos continuarão a escolher os governantes com base em critérios questionáveis. E assim a história vai continuar, de mal a pior, até o dia em que, a verdadeira justiça será executada.

No Salmo 73 somos apresentados a um homem que viveu todas essas realidades do cotidiano humano. E como todo e qualquer cidadão honesto e coerente, sofreu muito, ao ver a prosperidade dos homens maus, muitos dos quais " venerados" pelo povo. No seu conflito existencial questionou duramente ao próprio Deus. E antes que compartilhasse suas angústias e decepções com as pessoas, quem sabe até desabafando coisas como "cansei de ser honesto e decente" (vv 15-17), recebeu uma resposta tranqüilizadora do Altíssimo: "veja o fim deles". Um dia toda essa corja que maquina o mal e se acha acima da lei será aniquilada (v. 19). É questão de tempo. Que reinem os corruptos. Que façam seus banquetes. Que se regalem. Que manipulem provas. Que usem e abusem dos mais fracos. Mas, saibam: ainda vai chegar o dia da verdadeira justiça. Que essa convicção continue a manter a pureza dos que não se deixam enganar pelas seduções do poder.

O Autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Pós graduado em Ciências da Religião
Visite o site:
www.ipbaq.com

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