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Ruben Figueiró de Oliveira

RESPINGOS

O noticiário dos dias atuais tem nos deixado, a todos, entre atônitos, envergonhados, desarrazoados, indignados, revoltados, como se estivéssemos à beira do insolúvel, de um cataclismo, eis não há a quem apelar - aparentemente. Há "apagão" por todos...

dothCom Consultoria Digital
6 JUN 2011 - 00h00min

O noticiário dos dias atuais tem nos deixado, a todos, entre atônitos, envergonhados, desarrazoados, indignados, revoltados, como se estivéssemos à beira do insolúvel, de um cataclismo, eis não há a quem apelar - aparentemente.

Há "apagão" por todos os lados: o aéreo com as lamentáveis perdas de preciosas vidas humanas, em seguida de outra tragédia protagonizada pela anomia dos dirigentes específicos do setor, leniência do chefe maior que "sumiu do mapa" para esperar o que mais aconteceria isto frente a nação traumatizada pelo horror; o "apagão" ético e moral que assola as autoridades em todos os poderes da república que entendem ser o serviço público um munus personalíssimo (há dignas exceções); "apagão" no princípio da autoridade maior ao confundir carisma com liderança - Gilberto de Mello Kujamsky, escritor, jornalista e filósofo, bem caracteriza o quê é carisma, o quê é liderança: carisma é o forjado pelo imaginário popular, está acima do bem e do mal, está no gosto do povo e é intocável; liderança é saber mandar, não pela força nem pela imposição, e sim com base no consenso. Exemplifico, Lula "irradia simpatia", José Serra tem liderança. O que um tem o outro não tem. Aqui, quando do nosso Mato Grosso uno há na história um exemplo típico em que carisma e liderança eram sinônimos na figura do saudoso Fernando Corrêa da Costa, prefeito, governador e senador, sempre imbatível, política e eleitoralmente - chegando ao extremo e ao ponto de encarnar-se do espírito de Luís XIV, rei de França, o qual, ao tentarem rasgar suas vestes, dissera "l'etat ce moi" parafraseando-a em discurso apoplético de que "a república sou eu", "aqui mando eu", "só eu reúno o povo", "jamais se fez tanto quanto eu", claro, em palavras as vezes outras, mas com idêntico significado, numa manifestação egocêntrica, ensimesmada, de uma notória e auto-reconhecida carência intelectual.

A mim tenho indagado, onde se cometeu o erro? No voto que se deu ma últimas eleições - precisamente nas últimas eleições gerais? No sistema eleitoral que rege tais eleições? Para encurtar, creio que falha está no sistema eleitoral reconhecidamente viciado não só pela pátina do tempo, esclerosado pelo contínuo abuso de práticas deletérias e adiposas encasteladas nas artérias e vasos comunicantes de nossa democracia que precocemente envelhece.

Não porque prego desde os saudosos tempos universitários o voto distrital puro para compor o poder legislativo como instrumento eficaz a fim alcançar uma autêntica representatividade popular com o pendulo da responsabilidade implacável sobre a cabeça do parlamentar eleito; sim, porque percebo muito claro que a perdurar o sistema da eleição proporcional, respingará no processo democrático e a descrença do povo poderá conduzir o país ao populismo de um líder carismático como ocorreu no século passado, precisamente nas décadas de trinta e quarenta. Os mais antigos e os que se interessam pela história da pátria se lembram, o quão sombrias foram aquelas décadas de chumbo.

Também o noticiário tem respingado sua verve sobre a lei que criou a figura como senador suplente, isto porque alguns dos que foram convocados à titularidade não têm cumprido, ao olho critico da mídia, a sua obrigação parlamentar. Não ouso contestar, mas creio que a lei ao criar o título de suplente de senador entendera que este deveria representar a figura política e partidária do titular, na hipótese de vacância temporária e definitiva. A eleição, pela lei, não é somente do titular, o cabeça da chapa, como também de seus dois suplentes. Ademais escolha dos nomes para a suplência não é de responsabilidade exclusiva da lei, e sim do partido político que, em convenção, a homologou.

Se a eleição do suplente é viciosa o é também o da escolha do vice-presidente da república, do vice-governador, do vice-prefeito, levados às alturas pelos mesmos ventos eleitorais dos titulares, o presidente, o governador de estado e o prefeito municipal, ou não? Por quê respingar no instituto da suplência quando a intenção da lei não foi, em tese, eleger Sibá Machado, Welligton Salgado e poucos outros tidos como não representativos na Alta Casa da República, mas manter a representatividade da legenda ou coligação partidária eleita.

* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente.

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