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16 de Agosto de 2017
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Raquel Anderson

Talabarteiro

Raquel Anderson
1 AGO 2017 - 10h34min

Trajado com tirador para pialar ou para trabalhar o couro, com o afetuoso olhar para a ponta, não esquecendo-se do meio, confeccionando, artesanalmente, o couro, para atender encomendas de cargueiro, há a perfeição na traia de arreio, tudo feito com esmero, o arreio carumbé, o arreio libório 1008, o arreio rabo de pato e arreio basto, todo serviço tratado através do fio do bigode, para atender o fazendeiro e o peão, para que tudo se acomode, faz-se o que se pode, o reio, o arreio, o ano inteiro.

Faz-se as bruacas, a peiteira, a retranca, o tilin e o arrouchante, entrega-se no exato instante combinado, para a comitiva transportar o gado.

Representando Honórios, Jairos, Araújos, Douglas, Dorivais, bahianos, Leandros, Odairs  e outros mais, ontem talabarteiros, hoje seleiros, a profissão, aqui ainda encontra morada, guarda ensinamentos trazidos das estradas, inunda os olhos de quem explica e de quem se certifica, transborda de emoção a profissão que é feita, artesanalmente, com o coração.

Na pilheta de tijolo, intercalando a casca de angico e o couro, durante uns trinta dias para curtir, pisoteando sobre as camadas para tirar o ar, tudo lavado, posteriormente hidratado, com a graxa do gado, assim, era no passado.

Onde a profundidade ambientalmente correta não  pedia legado e, na frequência errante, na dicotomia histórica constante, entre um passado permissivo e um presente investigativo, bastava engatar o pé no estribo e tudo se fazia, sem alarido.

Na Casa São Jorge, adquiria-se a linha do mesmo nome, cujos fios, semelhantes aos de saco de estopa, eram torcidos e encerados com cera de “europa” para dar firmeza e costurar o couro com destreza, nas agulhas do seleiro, de janeiro a janeiro...

Amoladas nas pedras de arenito de Aquidauana as facas de meia lua, “espicam” o couro na grade, faz o corte exato, mantém a espessura, é assim que o seleiro/talabarteiro atua, com grandiosa belezura.

Aqui ainda há maneador, tirador, prensador, laçador, mangote, retranca, travessão, rédia, chincha, guaiaca, quaiera, tapa olho, restolho do couro, passado, presente e um futuro incerto, aqui há amigos por perto, de encher a calçada, deixar a amizade amontoada, de manhã, de tarde e a noite, na roda do tereré, de quem passa para prosear, fica em pé, de quem se ajeita, senta e levanta, passa o dia, fica pra janta, levanta sai e volta, aqui, nas selarias, é como se não houvessem portas, todos em volta, é um reduto político, um conhece o outro pelo grito, é um vai e volta, um ajuda o outro, frequentadores assíduos, gente amiga que é todo o ser, assim são as selarias/talabartarias como a dos Arguelhos: Renascer.

Talvez, com dias contados, há tantas exigências do mercado, mas, sobretudo, há nas selarias/talabartarias o maior legado, o calor humano, maior que o da cidade, um jeito bom, um dom, um tom, o melhor que há em nós, o que nos humaniza e nos enche de orgulho pela originalidade que enche de charme a nossa cidade!

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