Assuntos "Vasqueiros"...

06/06/2011 00:00:00


Nas conversas que nascem nas caminhadas matutinas (lá ao redor das seis horas) no Belmar Fidalgo, agradável praça de convivência da melhor idade, tenho observado que os assuntos estão "vasqueiros" - "vasqueiro" ( significa raro, inexistente) é uma expressão gauchesca que vem da prodigiosa imaginação de Érico Veríssimo em sua trilogia "O TEMPO E O VENTO" através de seu personagem principal, o capitão Rodrigo Cambará - embora ainda quentes pelo que representam na repulsa popular. Ainda mais Renan, carta já fora do baralho, praticamente. A fidelidade partidária está consagrada pela suprema justiça, portanto, os trânsfugas, os do troca-troca, estão desmascarados mesmo que não percam seus mandatos até o término legal deles. Isto dos assuntos já requentados que vêm da corte planaltina.

E aqui em nossa planície. Ah ! Aqui, a pasmaceira prossegue provocando a inteligência dos jornalistas de todas as mídias e nem a famosa fofoqueira "tia Candinha" tem circulado com as "suas"... Nada no front; caiu-se num buraco negro e nem a conhecida habilidade e oportunismo dos políticos estão sendo capazes de aviventar o noticiário. Aliás, o mais esforçado em provocar suspense, o combativo deputado federal Dagoberto Nogueira nada mais tem de argumento para manter-se em evidência na luta pelo curul municipal, isto depois dos conselhos prudentes de seu Richelieu, o estratega notável Leite Schimidt. Nas bandas do PT o sobressalto é constrangedor em razão das provocações judiciais que o Ministério Público promove contra seu ícone estadual, o ex-governador José Orcírio. Na área oficial, continua soberbo o governador André Puccinelli, que não dá trela aos que muito o ajudaram chegar ao poder, desgastados estão todos, mas sorrindo na sua presença imperial e choramingando pelos cantos das sedes de seus partidos, onde correligionários desatendidos e desconsolados o malham a todo instante.

Na prefeitura da capital, gozando das delícias de uma administração profícua, o prefeito Nelson Trad Filho se sente com respaldo popular para reeleger-se. Por certo, está precavido contra as manhas da política, pois não basta a simpatia do povo, necessário também o apoio político que vem das lideranças maiores e, em conseqüência, dos partidos. Esses querem, e como querem, maiores espaços políticos na arena; espaços que emanam do prestígio consagrador das urnas. É aí que o bicho pega. Será que o PSDB que tem um compromisso importante em 2010, à presidência da República, não mostrará a cara com candidato próprio como a capital Campo Grande, em 2008? Os Democratas que estão em alta pela atuação corajosa na oposição ao governo Lula não almejam crescer aqui em nosso estado, onde sua situação ainda é discreta? E o PPS, partido aferrado em teses programáticas graníticas, não aspira também ganhar expressão eleitoral maior, sobretudo na Cidade Morena, centro político do Estado?

Quanto aos outros partidos políticos, como o PDT e o PR, em nível estadual são liderados por políticos que, individualmente, lhes dão ar, fôlego, mas que, reconhecidamente pragmáticos, são eficientíssimos meteorologistas políticos, pois decidem conforme os ventos dominantes...

* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É  suplente de senador.


dothCom Consultoria Digital - Ruben Figueiró de Oliveira