O Prometeu do Brasil

06/06/2011 00:00:00


A mitologia grega reservou um pedacinho do Olimpo para abrigar o presidente do Brasil. É o espaço onde mora Prometeu, a quem se atribuiu a criação de muitas artes". Assim, o consagrado cientista político Gaudêncio Torquato inicia seu artigo com o título, com pequenas variações gramaticais, "Prometeu no Brasil"; semelhante ao epígrafe , por ele publicado anos atrás, quando Lula iniciava a sua fase de megalomania , que ainda perdura. E como !

A história mitológica é conhecida: Prometeu enganou Zeus, seu superior, e este vingou-se dele. Prometeu sorrateiramente entra no Olimpo, acende a carruagem do sol, diz-se dono do fogo para anunciar seu invento aos homens. Tal e qual está fazendo o nosso presidente, que ufano, assegura ter descoberto a pólvora... Do "nunca antes", agora sua excelência resolve arbitrar a conduta de homens públicos - começou pelo seu antecessor FHC - não só no território pátrio, lançou-se extra-fronteiras para criticar, com doestos, posições e procedimentos de certos líderes mundiais. Diz já ter telefonado ao presidente Busch sobre suas encrencas no Oriente Médio; agora, recentemente, passou defender as declarações desatinadas do pré-ditador Hugo Chávez, da Venezuela, o qual, no final da Conferência Íbero-Americana, em Santiago do Chile, teve áspero diálogo com o primeiro ministro Zapatero e o rei João Carlos I, da Espanha. E o pior, insinuou que o soberano espanhol não deveria meter seu bedelho na discussão que era entre chefes de governo, como se a causa do imbróglio não ferisse os brios da nação ibérica - daí a ação do rei. Motivo da discussão à parte, o gesto de nosso presidente fere um princípio basilar da diplomacia de Rio Branco - conceito internacional dignificado e orgulho de nossas relações diplomáticas com o mundo civilizado - qual seja o respeito às figuras proeminentes de uma nação estrangeira, no caso João Carlos I. Ademais, o nosso presidente tem o vezo de blasonar ser um intransigente defensor da auto-determinação dos povos, portanto da opinião expressa pelos seus dignatários. Pisou em falso duas vezes e, com sua prosa disparatada, talvez dê trabalho ao seu ministro das Relações Exteriores, mais do que já dera.

Lula, com sua declaração inoportuna e infeliz, pode ter gerado uma situação de desconforto em nossas relações com os chefes de Estado e de Governo espanhois; pode tê-la do agrado do companheiro Hugo Chávez, este acostumado a dar botinadas e ironias a Lula e às instituições brasileiras (lembra-se as críticas ao Congresso Nacional) sem a reação de nosso presidente - pelo menos publicamente - como desejaria a população brasileira. O pré-ditador deve estar a essas horas nos estertores da alegria, pois vê aumentado o núcleo de sua política bolivariana, cujos vassalos passam para quatro: Evo Morales, da Bolívia, Eduardo Correa, do Equador; Daniel Ortega, da Nicarágua; e, agora declarado, nosso inefável presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Diz o presidente, para justificar-se, que nas plenárias das conferências de primeiros mandatários o pau quebra e não há sutilezas da boa educação e fino trato. É possível que tal ocorra, visto nível da seleção de quem lá compareça. Sinceramente, não creio que seja comum bate-bocas destemperados entre altos representantes; no máximo tiradas de fina ironia. Isto, porém, jamais em solenidades de instalação e encerramento de tais conclaves, onde as normas protocolares são rígidas. O que aconteceu em Santiago e que ganhou publicidade pelo mundo todo, pode ser normal para Lula, até porque sua iniciação fora das reuniões da "companherada", às vezes entre "umas e outras" valia até palavrões. Daí porque considera menos graves as diatribes verbais do companheiro venezuelano e, ao que se vislumbra, hoje líder Hugo Chávez...

Tem razão o jornalista Gaudêncio Torquato, Lula está no Olimpo: é a imagem, sem tirar nem pôr, do mitológico grego Prometeu !


dothCom Consultoria Digital - Ruben Figueiró de Oliveira