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22 de Outubro de 2017
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Cultura

Em Aquidauana, Geraldo Espíndola diz que novos músicos é um combate à violência

Compositor há 51 anos, artista ressaltou a importância do respeito a cultura indígena no Estado

9 OUT 2017 - 10h00min
DValentim

"Quanto mais gente mexer com música melhor. É menos gente carregando fuzil e dando tiros nos outros". Aos 65 anos, o músico, cantor e compositor Geraldo Espíndola, garante que quanto mais músicos e respeito à cultura indígena, melhor. Em passagem por Aquidauana, nos últimos dias 5 e 6 de outubro, o artista genuinamente sul-mato-grossense falou dos perrengues a consolidação da carreira, da importância do respeito à cultura indígena do Estado e da certeza de transformação de vidas por meio da música.

Compondo músicas desde 1966, Geraldo é filiado na Ordem dos Músicos desde 1970, com o registro número 700.  O músico é autor de Vida Cigana, regravada mais de 200 vezes por artistas e bandas dos mais variados estilos, que é muito famosa na voz de Luiz Carlos, do grupo Raça Negra.

Atualmente são mais de 55 mil compositores registrados e o artista garante que quanto mais músicos, melhor. “Isso faz um bem imenso com o povo, quanto mais gente mexer com música melhor. É menos gente carregando fuzil e dando tiros nos outros”, disse.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Pantaneiro, Geraldo lembrou dos perrengues do início da carreira, na companhia da mãe e irmãos, e da ilusão que músicos projetavam da cidade de São Paulo. Atualmente, o cantor faz shows apenas com canções próprias e garante que ninguém reclama.

“Comecei carreira em São Paulo com Tetê, minha mãe e meus irmãos. Fomos os primeiros a levar música moderna a nível nacional.  Fiz dois dias com a PolyGram - uma das maiores gravadoras da indústria fonográfica do mundo -, porque São Paulo é muito ilusório. Nós estávamos cheios de fama, nas capas dos jornais, mas trabalhando igual cachorro, gravando jingles para sobreviver. Mas isso eu fazia na minha terra com os pés nas costas. Foi quando decidir voltar, mas foi a melhor coisa que fiz, porque firmei minha carreira”.

Passagem por Anastácio e Aquidauana

Na última quinta-feira (5), o músico esteve na Aldeinha, em Anastácio e destaca o amor em trabalhar com o povo original brasileiro. A apresentação fez parte de um projeto de um grupo indígena que tem uma sessão especial na Secretaria de Cultura do Estado, que fez o convite a Geraldo Espíndola. No dia 1º de novembro, o cantor realiza show em uma praça pública de Aquidauana.

"Foi um luxo, uma criançada que ainda cultiva as origens, fala as línguas terenas, guarani, tupi, Esse povo é muito importante para o país e precisam ser respeitados, admirados e não maltratados. No dia 1º de novembro, o show ocorre em Aquidauana e teremos o maior prazer em se apresentar para todos a população”, finalizou.

Documentário

Em 2018, haverá o lançamento de um documentário gravado em parceria com uma ONG francesa, que rodou várias cidades da Bolívia. "Cada estado é uma língua e uma cultura diferente e o material vai rodar em diversas universidades do mundo", disse ansioso para o lançamento.

Assista à entrevista

 

Aos 65 anos, Geraldo é compositor há 51 anos.
Aos 65 anos, Geraldo é compositor há 51 anos. / Isaac Motta
Aos 65 anos, Geraldo é compositor há 51 anos.

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