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26 de abril de 2018
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Tragédia no Rio

Mãe de Laura Freitas fala do desespero da família

“Viver sem Laura? Não existe mais viver!”

29 MAR 2017 - 08h00min
VSM

Em pelo menos uma casa, no Bairro Cristo Rei, em Anastácio, a terça feira, 28, assinalou um período de 12 dias, ininterruptos, de muita tristeza. E mais do que isto! “Estou desesperada, sim desesperada!”.  A expressão, pronunciada com um tom carregado de dor, é de Aline Freitas, mãe de Laura de Freitas da Silva, a garotinha de 11 anos, levada pelas águas do Rio Aquidauana, na fatídica tarde de 17 de março. Dimensiona os vários sentimentos gerados pela perda de alguém que não vai mais voltar.

Aline foi abordada pelo O Pantaneiro. Está fragilizada, como as irmãs e os pais Cleide e João, avós maternos de Laura. As buscas ostensivas de Marinha, Exército e Corpo de Bombeiro se encerram nesta sexta.  Daí, o seu desespero.  Contudo, ainda consegue falar de uma grande lição desses dias de desespero. “A gente sempre acha que uma situação como esta nunca vai acontecer; quando acontece, concluímos que a vida é um sopro”. Depois de uma pausa, indagada sobre como será viver sem Laura, tem uma resposta construída lentamente nos últimos dias: “Viver sem Laura? Não existe mais viver!”.

Em meio a tantas perguntas que são feitas, muitas deseducadas, desrespeitando sentimentos que se revelam frágeis nas situações limites, a resposta desta mãe sem chão, que só pensa nas águas que levaram sua filha, é compreensível. No fundo, contudo, ela e os desesperados familiares sabem que a vida vai seguir. E sabem que Laura, de alguma forma, estará presente em seus cotidianos, mesmo que a canção “Trem Bala” seja esquecida e os livros escolares que ela tanto amava, que ainda estão no seu lugar de estudo, se desfolhem, porque sempre haverá algo que lembre que ela esteve por aqui.

Na medida em que a conversa avança, não faltam menções de fatos e momentos que delineiam a excepcionalidade desta menina.  Na busca de imagens de arquivos, uma chama atenção. Integrante da Patrulha Mirim de Anastácio, no ano de 2014, Laura foi destaque, por ter a melhor média escolar. E lá está ela, com os amiguinhos, rodeando Cinthia Freitas Anastácio Figueiredo, que deu nome à turma.

Por essas e outras, Aline não consegue conter as lágrimas quando pensa na filha. “Está sendo difícil não ter minha companheira, que sabia ser filha, amiga e até conselheira”, diz, em mais um dia de espera. E quando o desanimo envolve a todos da família, uma lembrança recente renova as esperanças de que o corpo de Laura será encontrado.  Foi quando a pequenina Liara, abraçando a mãe, que chorava, observou: “Mamãe, não chore, a Polícia vai achar a Laura”.

 

 

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