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19 de Novembro de 2017
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Internacional

Países pressionam ONU por ação após massacre na Síria

Imagens de crianças mortas e vídeos que mostram o sofrimento das vítimas chocaram o mundo, mas não deixam claro que tipo de ataque matou tantos civis

22 AGO 2013 - 14h50min
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Cresce nesta quinta-feira a pressão sobre as Nações Unidas para que sejam tomadas providências caso fique comprovado que as forças do ditador sírio Bashar Assad perpetraram na periferia de Damasco um ataque com armas químicas, como alegam opositores do regime. França, Grã-Bretanha e Turquia lideram os pedidos por uma resposta dura da ONU em relação ao caso - e pedem que os investigadores da organização que estão no país tenham garantido livre acesso aos locais do ataque, para que possam finalmente esclarecer ao mundo o que ocorreu na quarta-feira. Trinta e sete países já se pronunciaram sobre a crise síria - e exigiram uma resposta internacional forte diante das acusações contra o regime de Assad.
 
"O governo da Grã-Bretanha e mais 36 países escreveram ao secretário-geral da ONU a respeito do que ocorreu em Damasco e pedem que a equipe das Nações Unidas na Síria tenha acesso garantido e seja autorizada a investigar o local em que teria ocorrido o ataque. Isso é uma questão de urgência", diz um comunicado enviado pelo Ministério britânico das Relações Exteriores. O chanceler francês Laurent Fabius defendeu nesta quinta o uso da força pela comunidade internacional caso fique provado que as forças do ditador sírio perpetraram um ataque químico. Já o ministro de Assuntos Estratégicos e Inteligência de Israel, Yuval Steinitz, assegurou que os serviços secretos de seu país consideram que as forças do regime sírio usaram armas químicas na quarta-feira, conforme alegam os grupos opositores.
 
Armas químicas - As imagens não deixam dúvidas de que os subúrbios de Damasco foram palco de cenas de horror nesta quarta-feira. Correram o mundo fotos de dezenas corpos de crianças, mulheres e idosos, além de vídeos em que médicos tentavam prestar assistência a meninos e meninas que não resistiam à falta de ar - e davam seu último suspiro diante da câmera. Os testemunhos consistentes das equipes médicas também confirmam: houve um massacre de civis na capital da Síria. Embora a matança tenha sido amplamente documentada, uma questão ainda se coloca diante da comunidade internacional: não há provas definitivas de que o ataque tenha sido perpetrado com armas químicas, como alegam os grupos opositores ao ditador sírio, Bashar Assad. 
 
A guerra civil na Síria se estende há mais de dois anos e ceifou pelo menos 100 000 vidas até aqui. Os dados a respeito do que se passa no país, porém, são sempre obscuros, por causa das restrições impostas pelo governo ao trabalho de jornalistas. Também é proibida a entrada de observadores estrangeiros em território sírio. Na quarta-feira, a dificuldade em determinar o número de mortos foi ainda maior, visto que até mesmo a contagem dos grupos opositores divergia. Segundo a Coalizão Nacional Síria, 1 300 pessoas morreram. Outros grupos opositores, como o Observatório Sírio de Direitos Humanos, os Comitês de Coordenação Local e a Comissão Geral da Revolução Síria afirmam que houve centenas de mortos. Todos concordam em um ponto: as vítimas morreram em decorrência de inalação de gás venenoso. Já a organização Human Rights Watch fala em 130 mortos e sem comprovação do uso de armas químicas.
 
Vídeos de bebês em convulsão e de médicos falando dos sintomas apresentados pelas vítimas foram divulgados no Youtube. Além disso, uma série de fotos de crianças mortas enfileiradas no chão de hospitais foram enviadas por ativistas às agências de notícias. As imagens mostram corpos pálidos e sem sinais visíveis de ferimentos de artilharia, o que indicaria um ataque químico.
 
Moradores relatam ter socorrido vítimas engasgadas e com tontura ou convulsões, além de dificuldade para respirar, sintomas de envenenamento com gás sarin. Outras parecem ter morrido durante o sono. Opositores denunciaram também o uso do ?Agente 15?, também conhecido como BZ, um tóxico que afeta o sistema nervoso e provoca alucinações, resseca boca, olhos e pele, dilata pupilas e causa náusea e vômito.
 
Recentemente, o repórter Jean-Philippe Remy, do jornal francês Le Monde, esteve em Jobar, um dos subúrbios de Damasco atacados na quarta-feira. ?Não há odor, fumaça ou qualquer indicativo de gás tóxico. E então os sintomas aparecem: os homens tossem violentamente, seus olhos queimam, suas pupilas encolhem e sua visão embaça. Logo eles dizem ter dificuldade para respirar, vomitam ou perdem a consciência?, disse ele.
 
A CBRNe World, uma publicação que fala sobre armas não convencionais, disse ao jornal The Telegraph que é difícil determinar um agente químico específico a partir dos sintomas que aparecem nas imagens, mas que pode ser uma arma química ou um agente usado pela polícia para controlar tumultos. ?A falta de munição convencional sugere que foi usada uma munição não convencional ou um RCA (agente de controle de desordem, na sigla em inglês) em um espaço confinado, mas quem a disparou e o que é exatamente ainda precisa ser provado?, disse Gwyn Winfield, diretor da publicação. Outros analistas falam que uma mistura de diferentes substâncias tóxicas diluídas foi utilizada provavelmente com o objetivo de confundir a investigação e impedir a confirmação de armas químicas.
 
Autoria do ataque - Além do mistério sobre o uso de armas químicas, resta a questão ?quem é o responsável?. Os rebeldes rapidamente acusaram o governo de Bashar Assad de usar gás sarin contra a população, e o Ministério sírio da Informação respondeu dizendo que a denúncia era ?fabricada e absurda?.
 
Em junho deste ano, após concluir que Assad recorreu a armas químicas, o governo americano anunciou que iria entregar armas diretamente aos rebeldes sírios. Em relatos de testemunhas e nos laudos médicos, os americanos afirmaram ter evidências consistentes de que substâncias químicas, sobretudo o gás sarin, que ataca o sistema nervoso e praticamente paralisa todos os músculos do corpo, incluindo os pulmões e o coração, foram utilizadas diversas vezes no ano passado, matando entre 100 e 150 pessoas. O uso desse tipo de artefato era o que o presidente americano Barack Obama afirmara ser a "linha vermelha" que não poderia ser transposta pelo governo sírio, sob pena de obrigar os Estados Unidos a entrar de maneira decisiva no conflito.
 
No dia do massacre, inspetores da ONU estavam em Damasco para investigar denúncias de ataques com armas químicas ocorridos em março. A presença dos investigadores levanta outra questão: por que as forças de Assad perpetrariam um massacre de tamanha proporção em uma área não dominada por rebeldes e próxima aos investigadores da ONU, provocando a comunidade internacional? A Rússia, aliada de Assad, levantou essa questão, culpando os rebeldes pelas mortes com o argumento de que um foguete de fabricação caseira, semelhante a um usado por terroristas em março em Khan al-Asal e contendo substâncias tóxicas, foi lançado a partir de posições tomadas por rebeldes na quarta-feira.
 
O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou na quarta-feira uma reunião de emergência em Nova York, mas não exigiu explicitamente uma investigação da ONU sobre o incidente, apesar de ter afirmado que é preciso esclarecer se ocorreu um ataque com armas químicas. O conselho também saudou uma proposta feita pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para que a equipe de especialistas da organização, atualmente em Damasco, investigue o caso.
 
Se for comprovado o uso de gás venenoso como causa da morte de 1 300 pessoas, seria o pior ataque de armas químicas do mundo desde 1988, quando a cidade curda de Halabja, no Iraque, foi bombardeada por Saddam Hussein. Para George Sabra, presidente da Coalizão Nacional Síria, o maior grupo de oposição, apesar das fotos horripilantes divulgadas na quarta-feira, a situação permanecerá igual na Síria. ?Não é a primeira vez em que o governo usa armas químicas na Síria, mas representa uma postura do regime, porque eles estão fazendo isso impunemente. As Nações Unidas ficarão confusas e os EUA anunciarão mais linhas vermelhas, e deixarão isso no ar?, disse ele em Istambul.

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