CORUMBÁ

No pantanal do Nabileque, Thiago comprovou a produtividade da Ovinocultura

Produtor conta que conhecidos não acreditavam que teria êxito na atividade

01/08/2019 13:00


O produtor rural, Thiago Miranda Rodrigues da Cunha, 38 anos, atua na atividade de ovinocultura há quase uma década, em uma das áreas mais remotas do Pantanal sul-mato-grossense, a região do Nabileque. Com um rebanho de mais de 300 animais, conta que quando iniciou o rebanho, algumas pessoas diziam que não daria certo criar esses animais na localidade.

Fazenda Cabanha Cerro Porã está localizada no município de Corumbá, na região do Nabileque (Pantanal)

“Já trabalhei com várias raças, mas a Santa Inês é mais resistente e de fácil manejo. Por isso fui aperfeiçoando o processo de produção de genética e carne. O desafio foi grande, pois, o acesso à propriedade é difícil, o solo é bastante argiloso facilitando atolamento, alagamento na época de chuvas e ainda presença constante predadores, mas, o importante é que superamos tudo isso”, declara.

Outra dificuldade inicial era a comercialização, mas, o produtor não desanimou e vendia ‘de porta em porta’, como bem definiu. “Os clientes dessa época eram principalmente os açougues e churrascarias. Depois conheci a Asmaco e consegui ampliar minha cartela de clientes. A carne de ovelha é muito fácil de vender, tem ótima aceitação e o valor agregado é compensador”, revela o proprietário da fazenda Cabanha Cerro Porã.

Produtor focou trabalho na melhoria genética e produção comercial de carne ovina

NOVOS TEMPOS

Atualmente, com um rebanho que soma 308 animais, Thiago destaca outros desafios, como a sanidade por exemplo. “O clima tropical do nosso país propicia a infestação de moscas, larvas, protozoários, bactérias, entre outras pragas e doenças. Em países de clima temperado, os animais dificilmente têm doenças dessa natureza, mas, aqui, o clima é úmido e quente, portanto, a atenção deve ser constante”, recomenda.

O produtor é atendido pelo programa Pró-ovinos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS) e elogia a atuação do médico veterinário, Custódio Antônio Carvalho Júnior, no trabalho de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

Clima tropical brasileiro é motivo de atenção constante dos produtores, a fim de evitar doenças no rebanho

“A atuação do Custódio é ótima e apresenta uma visão de produção diferente da minha que sou zootecnista. Estou aprendendo bastante e principalmente, focando atenção no controle de gastos, entradas e saídas de recursos. São informações que a maioria dos produtores leva na informalidade, mas, que fazem muita diferença no resultado final que é o lucro”, argumenta.

Na avaliação de Custódio, a experiência do produtor que já morou em outros países, como a Nova Zelândia, ofereceu suporte adicional no cuidado com o rebanho que divide espaço com a pecuária bovina. “A decisão de diversificar a atividade bovina com a ovinocultura está se mostrando eficiente na região do Pantanal. A produção de cordeiros e reprodutores feita pelo Thiago apresenta alta qualidade e a tendência é que melhore ainda mais”, pontua o médico veterinário.

COMERCIALIZAÇÃO

A responsável técnica e 1ª secretária da Associação Sul-mato-grossense de Criadores de Ovinos (Asmaco), Ana Cristina Andrade Bezerra, explica que a implantação do sistema de Propriedade de Descanso de Ovinos para Abate (PDOA), a partir de 2013 no Estado, proporcionou aos ovinocultores a condição de comercializar a produção atendendo critérios sanitários e fiscais.

Rebanho da propriedade está estimado em 308 cabeças

“Foi um trabalho conjunto da Associação com instituições como a Sefaz/MS, Iagro, Famasul, Senar/MS, no sentido de estruturar cargas coletivas com maior número de animais, além de regularizar a formalização do processo de comercialização. A consequência natural foi a união dos produtores, o aumento das capacitações e a troca de experiências sobre a atividade de ovinocultura”, ressalta.

A médica veterinária acrescenta outra conquista importante para os produtores que foi a padronização do peso, idade, cobertura, fatores que conferem maior qualidade ao produto final comercializado. “Atualmente temos um frigorífico municipal com Selo de Inspeção Municipal (SIM) que proporciona uma escala de abates semanal. A próxima ação é conquistar a autorização do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) , que impulsionará a comercialização para outras regiões brasileiras”, pontua.

Propriedade de Descanso de Ovinos para Abate (PDOA), em Campo Grande (MS)

Sobre o trabalho realizado por Thiago na atividade, a representante da Asmaco, destaca que a organização do produtor para entregar os animais terminados ao frigorífico é fundamental na conquista de compradores. “Ele trouxe o lote pronto para ser abatido, dentro das recomendações e atendendo as recomendações necessárias. Por isso, conseguiu vender para um cliente que tem demanda frequente da carne ovina que é o Vermelho Grill”, conclui.

SÉRIE OVINOCULTURA

O objetivo da série de reportagens sobre a atividade de ovinocultura foi apresentar e esclarecer à população que existe um mercado organizado e focado no desenvolvimento produtivo. E ainda, apresentar a história de produtores rurais comprometidos em produzir alimentos de qualidade, ampliando assim o interesse do mercado externo pela produção regional.

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ALINE OLIVEIRA