Esportes Radicais

Atleta visita cidade natal e enxerga, em Aquidauana, o futuro dos esportes radicais do Pantanal

Weimar Pettengill nasceu e foi criado em Aquidauana até os 11 anos de idade, quando mudou-se com sua família para Brasília/DF

27/01/2020 13:45


O atleta aquidauanense de ciclismo, corrida, canoagem e escalada, Weimar Pettengill, que também é Embaixador dos Esportes de Aventura e trabalhou na rádio CBN por 10 anos, esteve em Aquidauana na última semana, após comparecer a uma festa de família em Campo Grande, e conversou com a equipe de reportagem do jornal "O Pantaneiro" sobre suas impressões a respeito do município que deixou quando tinha apenas 11 anos, pela vida na cidade de Brasília, no Distrito Federal.

"Eu fui criado aqui. Acho que venho aqui há 35 anos, esporadicamente. Quero agradecer por ter sido tão bem recebido, por ter tido a oportunidade de rever os meus amigos e de encontrar, agora, pessoas que estão fazendo o que eu fazia quando era moleque. É muito gratificante perceber a evolução da cidade", disse.

Ele ainda contou um pouco sobre sua experiência com o rio Aquidauana. "Quando tinha 7 anos, pulei no rio e só Deus sabe como eu consegui chegar ao outro lado. Aquilo ali, eu acho, foi o embrião da pessoa que me tornei. Eu gosto de dizer que vivo do lado de fora. Sempre passei por aqui, indo para outros lugares, e nunca perdi o carinho que tive pela cidade, mas dessa vez foi diferente. Revi todas as pessoas que são importantes pra mim, mas aproveitei o rio de uma forma que nunca fiz. Foi importante chegar nesse ponto e entender como a cidade mudou, como os recursos naturais estão sendo aproveitados", explicou. 

Weimar ainda traçou um paralelo entre o Brasil e os outros países no mundo, principalmente o Canadá, onde ele morou por dois anos. "Eu vejo o pensamento diferente entre as nações. Aqui, você fala em acampar e o brasileiro já prefere procurar um hotel. E, assim, ele perde a oportunidade de conhecer lugares incríveis, pessoas incríveis. Perde a oportunidade de aproveitar a energia do lugar, tocar a pedra, tocar o chão, mas fiquei feliz quando reparei que aqui, em Aquidauana, é diferente. Não tem mais desculpa. A estrada de Piraputanga foi asfaltada, é uma das mais bonitas que eu já conheci, e qualquer pessoa pode passar ali. Pode ir andando, pode ir de bike. O rio, por exemplo, serve pra pescar, mas também serve pra outros esportes", sintetizou. 

Encantado com as belezas da natureza sul-mato-grossense, o atleta ainda explicou sobre o real valor as coisas. "A gente percebe que não é só dinheiro. Não é carro novo. A gente precisa cuidar das pessoas, pra que possamos construir um futuro melhor. Eu moro em uma cidade que tem 2,5 milhões de pessoas e é uma loucura, porque ninguém se cuida. E essa realidade a gente só muda quando ensinamos as crianças. Quando ensinamos que é preciso ter uma relação diferente com o mundo. Quando eu sou bem recebido em um lugar, como fui aqui, eu quero voltar. Quero participar. Quero ajudar como for possível", resumiu.

O atleta, que ficou emocionado ao observar as belezas naturais da região, principalmente do morro do Paxixi, conta que esse momento o fez lembrar da própria infância. "Quando eu vi o rio sangrando no meio do morro, fiquei emocionado, principalmente por me sentir parte daquilo, mesmo que seja por uma foto, mesmo que seja por um instante. Eu desci em corredeiras e, quando estava voltando pra casa, um amigo me convidou a ver o pôr do Sol do morro do Paxixi. Eu subi apressado, pra não perder nada, mas cheguei e só tinha aquele fiapo laranja no céu. Acontece que, quando eu desci do carro e vi aquelas faixas indicando o caminho, quando eu vi aquele senhor vendendo água gelada ali perto, segui animado e, quando encarei aquele morro, eu sentei e, aquele cartão postal da minha infância, estava embaixo dos meus pés. Coisas simples que tocam a vida da gente. A gente sai com outra cabeça, com outra visão, com outros valores, e particularmente fico feliz por ver as pessoas fazendo a cidade acontecer", disse.


O corpo e o homem

Weimar também comentou um pouco sobre a sua visão com relação a prática esportiva. "Quando eu entrei na CBN, eu entrevistei um fisiologista chamado Guilherme Fontes. Ele me deu um panorama que eu não tinha. Me explicou que meu corpo começou a ser feito há milhões de anos. Que eu tenho, hoje, o melhor do melhor, ou seja, uma máquina perfeita. O corpo foi feito em razão de uma só palavra: movimento. E nos últimos anos, acabamos com a evolução genética. Acabamos com a maior finalidade do nosso corpo com a invenção de carro, do elevador, de milhares de coisas que nos tiram o movimento. E isso acaba gerando várias mudanças no nosso corpo e na nossa mente. A depressão, a síndrome do pânico... Isso não é observado em quem pratica, com frequência, esportes. Porque você está realmente dando ao seu corpo o que ele precisa", falou.

 "O que eu vejo, hoje em dia, é uma tendência. Já está instalada em alguns países, mas é um caminhar sem volta. As pessoas estão cada vez mais procurando o movimento, e principalmente o movimento no ambiente natural, que vai te dar prazer. Os seus valores vão mudar. Você passa a perceber que existem outras coisas que são mais importantes que o dinheiro. Mais importantes que qualquer coisa. Você passa a pautar sua vida por valores que comportam não só o eu, mas os meus. Eu posso correr e, em seguida, escalar uma montanha com o meu filho. São coisas que envolvem outras pessoas, que são uma socialização geral. E Aquidauana possui esse potencial, porque aqui tem tudo. A gente só precisa entender que quem faz isso são as pessoas. Precisamos colocar a mão na massa e fazer acontecer", finalizou.

 

*Fotos e vídeos: Weimar Pettengill


Schimene Weber