Esportes

Corte de Ricardinho expõe problemas da seleção de vôlei

23/07/2007 10:43


O corte do levantador Ricardinho da seleção brasileira masculina de vôlei no sábado expõe a crise de relacionamento do jogador com o técnico Bernardinho e outros atletas. Juntos no grupo há quase sete anos, sendo titular do time desde 2003, os dois já tiveram vários desentendimentos sobre questões técnicas e de atitudes, inclusive com outros atletas.


Na saída do hotel na manhã deste domingo, Ricardinho não escondia a decepção com o corte, afinal, era o capitão do time e foi eleito o melhor jogador da última Liga Mundial, onde o País, inclusive, foi campeão. "Liguei aqui, combinei com eles [comissão técnica], e cheguei aqui umas 17h30 deste sábado. Tinha uma reunião às 18 horas. Sentamos para conversar e o Bernardo simplesmente me cortou", disse, em entrevista à TV Globo.


Bernadinho não foi preciso em sua explicação pelo corte e disse que o atraso na chegada do jogador não teve força na decisão. "O problema de vôo não é o fato maior. Há um acúmulo de coisas como cansaço, não tem sentido esse desgaste maior. Não é um fato isolado, é o processo. É preciso parar, frear, refletir, é importante que cada um reflita."


Ricardinho confirma que teve problemas no grupo. "Foram várias confusões, mas quero deixar claro que não é nada muito sério, rotina nossa. São sete anos juntos, acontecem coisas como em uma família, tem as coisas que cada um pensa. Se ele vai me convocar depois do Pan, agora é difícil falar. Não sei o que pensar, pois acabei de ser cortado."


Para o técnico, o corte de Ricardinho, neste momento, não significa problema no futuro. "Se eu chegar à conclusão que tomei uma conclusão errada, volto atrás e peço desculpas. Tomei a decisão por diversos motivos que considero favoráveis a isso."


Confusões no grupo envolvendo Ricardinho e o técnico e outros jogadores não é novidade. No fim do ano passado, durante a disputa do Mundial no Japão, Ricardinho, então capitão, teve uma briga em quadra com Gustavo e Escadinha que só terminou com a intervenção do técnico, no jogo contra a Bulgária. A briga foi pela forma como o levantador cobrou o time, que estava perdendo. Ele foi para o banco e a equipe reagiu, vencendo por 3 sets a 1.


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