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Com mais de 20 dias de queimadas, peões ainda tentam conter fogo no Pantanal

20/09/2007 07:41


Já são mais de 20 dias de queimadas, e é tanta fumaça que a visibilidade no espaço aéreo está comprometida. 80% dos focos de incêndio no Mato Grosso do Sul estão concentrados nos municípios de Miranda e Corumbá: o coração do Pantanal.


Por terra o que se vê é o que sobrou depois da passagem do fogo. São cinzas e restos de árvores, e algumas ainda estão em chamas.


É difícil vencer o fogo. A vegetação está seca e em poucos minutos o vento espalha as chamas pra todos os lados. Em uma fazenda os funcionários tentam controlar o fogo a quase 15 dias. São tantos focos que eles criaram duas equipes: uma combate o fogo até às 17h e a outra começa o trabalho quando escurece.


Mas é uma luta que parece longe do fim. A batalha contra as chamas dura 24h por dia. "A gente apaga ele de noite e ele acende de dia. Já tem 11 dias que está queimando aí", lamenta o peão Sérgio Góes.


Uma esteira vai à frente abrindo caminho no meio da vegetação e da pastagem. É uma forma de evitar que o fogo se espalhe para outras áreas. Com abafadores os peões apagam os focos menores. "A gente tenta socorrer cerca, socorrer gado, mas pra acabar de uma vez por todas com o fogo, voltar o capim e a gente poder voltar novamente com o gado na pastagem só com chuva agora", explica o gerente da fazenda, Dioclércio da Silva.


Com essas medidas o fogo nessa fazenda está quase controlado, mas o coordenador do Ibama de MS, Márcio Yule, acredita que em 90% das propriedades no Pantanal o incêndio continua destruindo a fauna e a flora. "Essa fazenda é uma exceção do resto das fazendas do Pantanal, que algumas propriedades só tem um peão e sem nenhum maquinário pra controle de um incêndio florestal que venha atingir essa propriedade", afirma.


Em todo o Pantanal já são mais de 100 mil hectares destruídos pelo fogo, e a previsão é que a chuva só chegue com força no mês que vem. Ela é a única esperança do pantaneiro. "Rezar pra chover, porque a única salvação nossa é a chuva. Agora não tem mais escapatória", conclui Dioclércio.


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