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Gravidez psicológica

27 AGO 2007 - 14h16min
uol

Algumas mulheres desejam tanto engravidar, ou pelo contrário, temem a gravidez por um medo inconsciente e acabam apresentando quadro clínico de pseudociese. Ou seja, a falsa crença de estar grávida, associada com sinais objetivos de gravidez. Há aumento do volume do abdome (barriga), náuseas, vômitos, sensação subjetiva de que o bebê está se mexendo e até aumento de mamas com secreção de leite. A amenorréia (ausência de menstruação) é um sinal característico.


Embora o problema possa acometer mulheres de baixo nível de instrução, em sua maioria, não é incomum também acometer mulheres solteiras, magras e com profissões consideradas 'intelectuais'. O histórico de problemas psicológicos, sexuais e traumas sócio-ambientais devem ser investigados.


Além de uma série de questões biológicas relevantes citadas no link acima, não podemos nos esquecer dos aspectos psicológicos que podem estar envolvidos também na pseudociese. Essas mulheres podem ter um ego frágil. Ou seja, mesmo sendo pessoas ativas, inteligentes e dinâmicas no dia-a-dia, podem sentir um enorme sentimento de vazio e insegurança, precisando de reforços positivos de terceiros. Muitas vezes durante a infância, os pais dessas pacientes só refletiram apatia e monotonia nos vínculos estabelecidos, faltando um feedback positivo para a auto-estima que pode chegar a perder ou sentir-se sem identidade.


Como Anna O. ficou 'grávida'


Há o famoso caso de Anna O. , paciente do psiquiatra Breuer, que chegou a desenvolver um quadro de pseudociese. Anna, embora tivesse diversos predicados e interesses, tornou-se uma pessoa isolada e apática. Só conseguia se soltar nos seus devaneios ou fantasias. Seu histórico era o de ter se apegado muito ao seu pai, de tal forma que quando ele adoeceu e faleceu, ela se sentiu desestruturada, sem conseguir ver a sua própria imagem no espelho. Havia uma "fusão" com o seu pai. Vários sintomas físicos surpreendentes como contratura e anestesia de membros, cegueira e surdez denotavam uma desintegração do seu 'eu', do seu 'self'.


Porém, ela tinha sintomas que demonstravam claramente seu enorme esforço em se manter viva, falando diversos idiomas e manifestando raiva.


Anna O. acabou-se apegando afetivamente a Breuer. Era o único a entendê-la, o único capaz de lhe oferecer alguma tranqüilidade e segurança. Durante uma viagem de Breuer à Viena, Anna O. chegou a piorar muito. Ela não via Breuer como um objeto de desejo sexual e sim como uma 'mãe tranqüilizadora' que a protegia, a colocava quando estava assustada, para dormir.


Breuer e sua esposa na ocasião, não entendendo o que se passava, decidiram interromper o tratamento dedicado. Em seguida, Anna O. respondeu com uma pseudociese. Nada mais representativo do que 'ter um filho' para expressar o sentimento de sentir-se viva através da fusão com o psiquiatra, que assumiu o papel de pai. O filho representava esse renascimento psíquico.


Apesar do desfecho triste, Anna O. pode internalizar muitas coisas boas na relação terapêutica com Breuer. Pode sair do isolamento e colocar em prática o seu potencial tornando-se a primeira assistente social da Alemanha e fundando vários institutos.


Embora a novela não tenha deixado clara a relação e o vínculo que a personagem Simone tinha com o seu pai, falecido em sua infância, provavelmente, pode haver algum 'link' nesse sentido - se é que a autora Glória Perez pesquisou com profundidade sobre o assunto.


Portanto, observamos que os aspectos biológicos, específicos do sexo feminino, interagindo com as questões psicológicas, sociais e ambientais, podem funcionar como 'gatilhos' da pseudociese ou pseudogestação. O sofrimento pode ser intenso. Essas pacientes precisam ser abordadas com delicadeza e acolhimento pelos seus médicos ginecologistas. Elas precisam se sentir compreendidas. Ficam revoltadas quando o médico dá a notícia da falsa gravidez de forma gélida e indiferente. O continuum de vida de tais pacientes deve ser analisado de forma pormenorizada. Uma intervenção psicológica eficaz costuma trazer ótimos resultados em poucos meses. A medicação só é reservada para quando há algum quadro psiquiátrico associado, como por exemplo, depressão.
 

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