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OMS alerta que erros com remédios são mais freqüentes no caso de crianças

24 SET 2007 - 09h16min
uol

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira que os erros na prescrição e administração de remédios são três vezes mais freqüentes nas crianças do que nos adultos, devido à falta de estudos clínicos, segundo o relatório "Promovendo remédios seguros para as crianças".


Grande parte dos efeitos colaterais nos adultos é devido ao uso irracional ou aos erros humanos na ingestão de remédios. Nas crianças, deve-se principalmente à falta de estudos clínicos, disse a porta-voz da OMS, Fadela Chaib, em entrevista coletiva. "Precisamos saber mais sobre como reage o corpo das crianças aos remédios para melhorar sua saúde. Por isso, é extremamente importante continuar estudando os potenciais efeitos colaterais nas crianças", disse Howard Zucker, adjunto do diretor-geral da OMS para remédios e tecnologia.


Embora alguns remédios apresentem indicações para o uso infantil, são poucos os remédios desenvolvidos, produzidos e comercializados especificamente para as crianças. Por isso, freqüentemente os pequenos têm que tomar medicamentos que só foram testados em adultos e que não contam com a aprovação oficial para o uso pediátrico.


A falta de fórmulas pediátricas adequadas leva os médicos a receitar a ingestão de frações de comprimidos dissolvidos ou triturados, sem nenhuma indicação específica sobre a dose adequada, o que pode causar erros.


Além disso, Chaib lamentou que não foram provados os benefícios e os riscos de sua ingestão a longo prazo, como é o caso dos anti-retrovirais.


Nesse sentido, disse que mais de 30% das crianças infectadas com o HIV e que passam por tratamentos com anti-retrovirais têm efeitos colaterais, que poderiam desaparecer modificando a dose ou mudando de remédio.


Chaib ressaltou também a importância do formato dos remédios, já que as crianças pequenas também podem se engasgar e, inclusive, se asfixiar quando tentam engolir comprimidos excessivamente grandes para seu tamanho.


Como exemplo, a porta-voz da OMS lembrou que isso foi o que aconteceu na Etiópia no começo do ano, quando quatro crianças com menos de três anos morreram asfixiados ao se engasgar com comprimidos.

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