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15 de dezembro de 2019
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Palmeiras ignora grama sintética, segura Tijuana e está perto da vaga

Time tem melhor atuação fora de casa na Libertadores em jogo de grama, clima e torcida artificiais. Destaque para dedicação na marcação e Bruno

1 MAI 2013 - 09h10min
Alexandre Lozetti / Globoesporte.com
Grama sintética? O Palmeiras fez sua melhor partida fora de casa na Libertadores no ralo e temido piso do estádio Caliente, em Tijuana, e volta do México com um bom empate por 0 a 0. Prova de que empenho, organização e vontade fazem mais diferença do que o terreno da partida. Não é o bastante para dizer que o Verdão está entre as melhores equipes da competição. Falta poder de fogo, falta ser incisivo, ter alguém que intimide a defesa adversária. Se houvesse um craque, só um, a vitória seria uma realidade. Mas a equipe compensou com muita obediência tática e disposição para sair do México com um empate.
 
No dia 14, o Palmeiras vai jogar por qualquer vitória para eliminar o Tijuana no Pacaembu, e enfrentar Atlético-MG ou São Paulo nas quartas de final. Novo empate sem gols levará a decisão para os pênaltis, e uma igualdade com gols classifica os mexicanos. Até lá, muito treino, nada de jogo.
 
Difícil achar um só personagem na atuação coletiva do Verdão, mas é preciso destacar Bruno. O goleiro, a quem todos olham com desconfiança quando ele precisa atuar, mais uma vez foi bem. Fez três boas defesas e substituiu o titular Fernando Prass à altura.
 
Não é apenas a grama que é artificial no estádio Caliente. Vazio para um jogo de oitavas de final de Libertadores, ele precisava do incentivo de um locutor para se tornar barulhento. Uma figuraça que se sentava próximo à imprensa, e, com um microfone, pedia o grito da galera:
 
- No te escucho, cabecera norte! ("não te escuto, setor norte") - inflamava o rapaz, quase um animador de auditório, ou então um daqueles brasileiros que cornetam (no bom sentido) nos jogos de vôlei de praia.
 
Na entrada dos times em campo, música da Fifa, crianças e latidos (também artificiais) para receber o Tijuana, já que o mascote é um cachorro. Uma tentativa de imitar os esportes do país vizinho, os Estados Unidos. Mas faltou emoção, faltou torcida, faltou paixão.
 
Grama, árbitro e atacante de soçaite
 
Sem o barulho da torcida e na grama sintética, o Palmeiras sentiu-se à vontade como numa pelada de firma. E como em toda boa pelada de firma, o árbitro faz suas trapalhadas. Inacreditável ele não ter visto o pênalti em Wesley, na única boa jogada do meia, que perdeu até a chuteira, em todo o primeiro tempo. Há jogadores que estão em todos os lugares do campo. Isso parecia ocorrer com Wesley. Só que ele atrapalhou em todos os setores.
 
O Verdão surpreendia pela desenvoltura. Marcava com as linhas compactas e adiantadas, não deixava o Tijuana criar, até que os mexicanos reagiram. Os pontas Martínez, clone malfeito de Neymar, e Riascos, inverteram o lado. A marcação dos Xolos também foi ao campo de ataque. O Palmeiras passou a ficar menos tempo com a bola e levou sustos. Vários.
 
Tiago Real errou, Henrique rebateu mal, e Martínez bateu muito mal. Ao menos ninguém disse que ele precisa ir para a Europa para evoluir. Depois Arce bateu falta com perigo, e Bruno espalmou. A última chance foi digna daqueles atacantes do futebol de segunda-feira à noite. Moreno arrancou e, sem vergonha alguma, sozinho na grande área, isolou. Se fosse no soçaite, fingiria uma lesão e sairia mancando. Sorte que o primeiro tempo já estava no fim.
 
Sem definição, mas perto da vaga
 
Com os nervos no lugar, o Verdão voltou a controlar o jogo. A marcação chegou a ser exemplar em alguns instantes, com dois ou três jogadores cercando o mexicano que tinha a bola, e saída rápida em contra-ataque com Vinícius pela esquerda, em cima do fraco lateral-direito Nuñez. E Moreno, aquele do gol perdido, logo foi substituído.
 
Se não fossem os torcedores atrás de um dos gols, com uma banda e centenas de bandeiras rubro-negras, o silêncio reinaria no estádio Caliente. A ponto de o locutor testar o microfone e, de repente, no meio da partida, emitir sons como ?sim? e ?alô?. Retrato da atuação morna, sem pimenta, dos Xolos.
 
O grande problema é que falta definição. O adversário não oferece perigo nem resistência, mas o Palmeiras sucumbe ao ritmo lento. Isso já havia ocorrido em Lima, diante do Sporting Cristal. Kleber até acertou bom chute, mas à esquerda do gol de Saucedo.
 
Se o Verdão não definiu, o Tijuana tentou. E foi hora de Bruno aparecer. Primeiro em chute de Ruiz, depois na finalização do forte e rápido Riascos, o melhor em campo. O goleiro espalmou as duas bolas e mostrou a todos que podem confiar nele.
 
Com Souza no lugar de Wesley, o Palmeiras se fechou ainda mais para explorar os contra-ataques. Faltou ?o cara?. O time continua sem fazer gols fora de casa na Libertadores, mas pela primeira vez não sofreu. E, para as pretensões de Gilson Kleina, está ótimo. A vaga nas quartas, uma utopia no início da competição, está próxima.
 

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