Traição: gênero não é determinante, mas a maioria dos homens e mulheres responde de maneira diferente

Maioria das mulheres realmente é muito mais sensível à infidelidade emocional do que a infidelidade sexual.

sexta, 05 de fevereiro de 2010 às 11h10

Há pouco tempo, ao deparar com um escândalo envolvendo traição fora do casamento, um político americano se esquivou de uma série de críticas admitindo publicamente que a amante era o “verdadeiro amor de sua vida”. As pesquisas de opinião pública mostraram que o eleitorado feminino não o perdoou. E de acordo com uma pesquisa recente da Universidade Estadual da Pensilvânia, a maioria das mulheres realmente é muito mais sensível à infidelidade emocional do que a infidelidade sexual (e nisso elas são exatamente o inverso da maioria dos homens).

A explicação evolucionista sobre infidelidade diz que isso seria uma resposta à insegurança masculina quanto à paternidade de sua prole, enquanto no caso das mulheres a maior insegurança sempre foi relacionada a ter ou não alguém comprometido com a família (e, portanto, com a sobrevivência em grupo). Mas não se engane, simplificar essa questão pode ser injusto com ambos os sexos.

Maioria não é totalidade

Kenneth Levy e Kristen Kelly, os autores do estudo publicado no periódico Psychological Science, suspeitam que essa diferença tenha mais a ver com confiança e laços emocionais do que com os gêneros em si. E apesar da predominância de certas respostas à traição relacionadas ao gênero, todos – homens e mulheres – se sentem mais seguros em um determinado tipo de relação, e isso é reflexo de uma história de vida.

Por exemplo, aquelas pessoas que prezam uma relação independente – em que a autonomia pessoal é mais evidente que o compromisso em si – são muito mais sensíveis às infidelidades sexuais do que às emocionais (que é o caso da maioria, mas não da totalidade, dos homens). E o inverso também é verdadeiro, ou seja, a pesquisa mostrou que aqueles que são mais ligados à questão do relacionamento – em especial as mulheres – ficam mais ressentidos com traições ligadas a aspectos emocionais do que outras que envolvam intimidade sexual.

O estudo indica que os aspectos psicológicos e ligados ao ambiente cultural podem ter mais influência na questão do ciúme – a resposta natural à ideia de traição – do que se pensava até então. Além disso, ampliar as perspectivas teóricas, que vão além do determinismo evolucionista, pode evidenciar nuances sobre o sentimento de insegurança que está ligado aos relacionamentos e que pode levar à violência doméstica, em casos extremos. / com informações da Association for Psychological Science

Fonte: Portal UOL
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