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20 de abril de 2018
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Gente

Tirado de aldeia ainda bebê, taxista sente falta do que nunca pode viver

Paulo veio com a família para Campo Grande, e na capital, pouco tempo depois, ele começou a trabalhar

23 SET 2017 - 08h10min
Mariana Lopes - CG News

A recordação é bastante vaga. Mas as origens fazem o taxista ter saudade daquilo que ele nunca pôde viver. Paulo Sérgio de Almeida Velasques nasceu em 1985, em uma aldeia próxima a Rio Brilhante, no interior de Mato Grosso do Sul. Essa é uma das poucas informações que ele tem a respeito da própria história.

"Minha avó materna era indígena, minha mãe também foi criada na aldeia e ela engravidou de mim quando tinha uns 13 anos", conta Paulo. Poucos dias após o parto, a família se mudou para Rio Brilhante, onde ele foi registrado, e deixou para trás as suas raízes.

Aos 5 anos de idade, mais uma mudança. Paulo veio com a família para Campo Grande, e na capital, pouco tempo depois, ele começou a trabalhar. Junto aos dois irmãos, ele conta que vendia amendoim nas ruas.

De lá para cá, ele já foi estoquista, operador de caixa, repositor, entre tantas outras funções que exerceu em diferentes lugares. Hoje, Paulo é taxista, mas o sonho dele mesmo é um dia conseguir trabalhar com a terra.

"Tenho vontade de morar no mato, gosto da natureza, de plantar, pescar", desabafa Paulo. Sobre isso, ele tem certeza que são laços com suas raízes. "Nunca me ensinaram, mas sempre gostei de fazer meus remédios, por exemplo, na minha casa é tudo caseiro, faço com plantas, frutos, tudo direto da terra, da natureza", explica.

Sempre que viaja para o interior do Estado, quando tem a oportunidade de se aproximar de regiões de aldeias, ele sempre especula a respeito da cultura de sua família. E no final das contas, o sentimento é sempre o mesmo, uma nostalgia daquilo que nunca viveu.

"Sinto falta nem sei do que, porque não vivi, só sei que eu poderia ter tido uma vida diferente", questiona. Mas apesar da falta, Paulo não vive de lamentações. Mas sim de orgulho de suas raízes, cultura e história.

Ele tem certeza que a aldeia onde nasceu nem existe mais. Porém, hoje o que conta é o sangue indígena que corre nas veias. E isso é um dos motivos que o riso vem fácil sempre que ele fala de onde veio.

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